Revista Rua

2020-05-29T15:00:16+00:00 Cultura, Música

Monday lança “Room for All” no Japão

Monday ©D.R.
Nuno Sampaio
Nuno Sampaio29 Maio, 2020
Monday lança “Room for All” no Japão

Monday, aka Catarina Falcão, é o projeto pós Golden Slumbers, o qual dividia com a irmã. Hoje lança no Japão uma edição especial do LP Room for All, com o selo da Inpartmaint Inc., responsável pela edição naquele país de nomes como DIIV, Paul Weller, Jenny Hval, Vivian Girls, Nils Frahm.

 

Para os nossos leitores que não conhecem a Catarina Falcão, podes fazer uma breve apresentação sobre quem és e por onde passaste até chegares aqui?

Nasci em Lisboa numa casa só com mulheres todas com inclinação para as artes – a minha mãe é pintora e as minhas irmãs compõem e sempre gostaram de cantar e tocar piano e guitarra – e, portanto, sempre tive muita música e liberdade para ser criativa em casa. Comecei a cantar em coros com as minhas irmãs quando éramos ainda miúdas e, um pouco mais tarde, aprendi a tocar guitarra. Decidi começar a levar a música mais a sério aos 19, com a Margarida em Golden Slumbers, e uns anos mais tarde aventurei-me a escrever e lançar músicas a solo enquanto Monday.

Há dois anos lançavas o álbum One, o primeiro a solo como Monday, depois do projeto com a tua irmã, Golden Slumbers. Como é que foi a experiência de te lançares sozinha, num universo tão peculiar como é o da música?

Foi muito gratificante, no sentido de poder provar a mim mesma que também poderia explorar outras vertentes a “solo”. Hoje em dia talvez já tenha esse aspeto mais garantido e tenho vindo a apreciar e a aprender mais com as colaborações que Monday também me pode trazer, especificamente na produção e arranjos (neste caso foi com o Miguel Nicolau, com quem colaborei nas canções do EP). No entanto, tenho muito carinho pelos dois processos – com Golden Slumbers e com Monday – acho que me permitiu explorar sonoridades distintas e crescer enquanto pessoa e artista.

Sentias necessidade de te exprimir de uma forma mais pessoal?

Sim, sem dúvida. Não que o projeto com a Margarida não me permitisse exprimir, mas, tendencialmente, procuramos um espaço em comum – facilita o facto de sermos irmãs e mulheres e há muito por onde explorar, mas também faz sentido ir para um lugar mais íntimo, mais meu, e é para onde canalizo as coisas de Monday.

Este ano lançaste o EP Room for All. Quais são as características principais que o diferenciam de One?

Acho que tanto a sonoridade do Room for All – desde a composição aos arranjos/produção – como as temáticas são bastante distintas do One. Este EP foi fruto de alguma aprendizagem e processos naturais de crescimento e, como tal, sinto-o mais evoluído e desenvolvido face ao álbum anterior. Também em termos de sonoridade penso ter arranjado um caminho que faz mais sentido para mim e isso ajudou-me também a criar alguma confiança enquanto artista.

Onde é que eles se cruzam?

Cruzam-se talvez e apenas por serem fruto da minha cabeça e das minhas experiências. É a minha voz que as relata, mas são fases bastante distintas.

Depois de Portugal o trabalho Room for All, irá ser editado no Japão. Como é que surgiu esta oportunidade?

Foi através de uma troca de emails. Recebi a proposta do Teru-san e fiquei logo muito entusiasmada. Desde então, começámos a preparar e a organizar o lançamento.

No Japão o LP será lançado sob a alçada da Inpartmaint Inc., responsável pela edição naquele país de nomes como DIIV, Paul Weller, Jenny Hval, Vivian Girls, Nils Frahm. Qual é o sentimento que te ocorre sempre que pensas neste sentido de internacionalização?

A internacionalização sempre foi, e será, um objetivo meu, por isso esta oportunidade veio motivar ainda mais esse sentimento. Para além de que adorava visitar e tocar no Japão!

Portugal serve os teus mundos? Sentes que podes partir de cá ou gostarias de sentir que queres voltar, um dia?

Gostava de partir durante uma temporada e tentar ir um pouco além. Adoro Portugal e vou querer sempre regressar, mas por vezes sinto que há pouco espaço para mim. Escrevi o EP, com o título Room for All quase para me contradizer disso, mas sei que é um mercado ainda um pouco precário. Acredito na mudança com tempo e numa quase “reforma” da mentalidade face à cultura e às artes em Portugal, mas sei que não será fácil ou imediato, especialmente agora. Não sei, gostava de explorar outros mundos e outras oportunidades, mas gostava ainda mais que essas oportunidades existissem cá, talvez assim não me sentisse tão inquieta.

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