Revista Rua

2021-03-15T15:33:40+00:00 Cultura, Fotografia

Mónica Brandão: “As minhas fotografias revelam uma parte de mim”

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©Mónica Brandão
Nuno Sampaio15 Março, 2021
Mónica Brandão: “As minhas fotografias revelam uma parte de mim”
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As fotografias da Mónica Brandão são poesia de um quotidiano estabelecido sob a arquitetura do que é simples, do que é belo. Os contornos das sombras, os rostos e os corpos escondidos e a simetria dos volumes e dos lugares, representam uma estrutura muito fiel do que a sua fotografia simboliza.

Nas tuas fotografias existe uma montra poética que, mais que um título ou identificação, é um reflexo que complementa a parte visual. Onde é que as tuas fotografias se encontram com a tua poesia?

A fotografia e a poesia encontram-se algures no meu imaginário. Às vezes, escrevo um verso ou um poema que me inspira a ter uma ideia para uma fotografia. Outras vezes é uma fotografia que me inspira a escrever um título, um verso ou todo o poema.

Aqui estão as mãos. /São os mais belos sinais da terra. Carlos Drummond de Andrade, no poema Coração habitado, revela as mãos como fragilidades e, ao mesmo tempo forças da humanidade; que são o primeiro homem, a primeira mulher. As mãos também têm um lugar mágico na tua poesia visual. O que revelam e que papel têm?

As mãos são uma fonte de inspiração, uma fonte que não se esgota. Elas podem contar muitas histórias e transmitir muitas emoções. Na maioria das vezes, fotografo as minhas mãos porque são as que estão mais perto no momento de fotografar. Também gosto de fotografar mãos anatómicas, porque me dão a possibilidade de as modelar e misturar com outros elementos. Gostaria de incluir mais mãos nas minhas fotografias, mãos grandes, pequenas, com cicatrizes, mãos com marcas de anos de trabalho. Mãos, todos os géneros de mãos.

Os corpos humanos têm uma presença muito unilateral: são visíveis, mas estão voltados para um espaço da fotografia que está escondido. Esta é uma forma de dares continuidade e profundidade à imagem?

Quando estou a fotografar, exploro várias posturas e expressões, mas no momento de escolher a fotografia para partilhar, escolho aquelas com rostos e corpos parcialmente escondidos, virados de costas ou em perfil. Por vezes escolho mostrar apenas as mãos. Quero que as minhas fotografias despertem a imaginação de quem as vê. Desvendar apenas alguns detalhes de um rosto ou de um corpo, estimula a imaginação, cria interrogações. Qual será a sua expressão? Será que está com um ar sério ou está a sorrir?

A tua fotografia revela-te?

As minhas fotografias revelam uma parte de mim. Se não revelassem nada de mim, não seriam genuínas. Toda a criação revela uma parte do seu criador.

Existe algum local que tenhas visitado e que gostasses de lá voltar para fotografar com um outro olhar?

Há tantos lugares onde gostava de voltar a fotografar com outro olhar, com mais tempo para me dedicar a um olhar mais demorado e atento. É tão importante sair do modo contrarrelógio e dedicar algum tempo para olhar, observar, descobrir.

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