Revista Rua

2019-07-17T18:03:56+00:00 Sabores, Vinhos

Monte da Bica: sabores alentejanos engarrafados com história

João Oliveira ©Nuno Sampaio
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto10 Julho, 2019
Monte da Bica: sabores alentejanos engarrafados com história

A natureza e o romantismo de uma herdade centenária inspiraram a criação de um gin artesanal e dos vinhos do Monte da Bica. Encontramo-nos com João Oliveira, um dos responsáveis pela marca, e saboreamos alguns dos vinhos que completam a carta de opções.

Este projeto começa em 2015, quando João Oliveira toma conta de uma vinha familiar de seis hectares, situada em Montemor-o-Novo, no Alentejo. Depois de algum tempo a maturar a ideia de dar um destino a todas aquelas uvas, João assume o projeto, pensando que nunca iria encontrar um (bom) enólogo disponível para trabalhar com ele e numa adega tão arcaica, acreditando sempre que seria um projeto de pequena dimensão e muito particular. Foi nessa altura que encontrou André Herrera, que rapidamente viu naquela mesma pequena adega o lugar ideal para produzir os primeiros vinhos.

A questão inicial e o grande desafio passavam por perceber como é que se poderiam produzir vinhos modernos numa adega tão histórica. Era o primeiro ano, 2016, e nascia o primeiro vinho. “Queria fazer o melhor vinho. Um vinhão”, partilha João.

“Em agosto de 2016, a vinha parou de amadurecer as uvas. Fiz três medições, o grau alcoólico do açúcar não aumentava e tomei a decisão de tirar uvas e deitá-las para o chão, para ficar com uma concentração de uvas maior, ou seja, menos cacho por cada planta, e tentar que a vinha avançasse pelo menos até setembro”. Desta forma, começaram a retirar uvas para remover depois o castelão e, das uvas que se encontravam no solo, começaram a notar o crescimento de uma segunda floração. Eram as chamadas uvas netas, que geralmente ninguém apanha, as mesmas que vingaram e acabaram por ter uma boa maturação, sendo as primeiras uvas colhidas. “As primeiras uvas que entraram na adega, com o novo projeto, eram uvas num ponto de maturação que ninguém quer, mas eu decidi arriscar”, partilha João. Daí nasce um novo vinho intitulado por As Netas Chegaram Primeiro. Aliás os nomes dos vinhos resultam, precisamente, da sua história ou de pormenores que os diferenciam.

O mesmo acontece, mais tarde, em outubro, numa altura em que iam colher o castelão, que apresentou um requinte interessante, dando o mote para arriscarem novamente e seguirem em frente com um novo desafio. Acabaram por não o remover, pelo contrário, deram origem a um novo vinho: Afinal não arrancamos o Castelão. Sobra, ainda, espaço para um terceiro vinho, o original Monte da Bica, um vinho tipicamente alentejano.

Mas a história da marca não fica por aqui. Paralelamente à produção dos vinhos, nasce um outro projeto, a Destilaria Monte da Bica, de uma vontade e teimosia de dois jovens empreendedores. A João Oliveira vem juntar-se Paulo Martins, um cozinheiro de profissão e conhecedor dos botânicos. Começaram a experimentar diferentes macerações e fermentações, que quase os levaram a desistir no início, quando o padrão de qualidade era muito mais alto do que os resultados que estavam a obter. Resistindo aos vários contratempos, surge o Bica Gin, nascido e criado no Monte da Bica e produzido através de uma receita proveniente da procura incessante pelos melhores botânicos. Chega ao mercado em março de 2017, numa altura em que surgem também muitas outras marcas de gin a invadirem o setor. É num singular alambique, criado especialmente para a Destilaria Monte da Bica e pensado ao pormenor pelos proprietários, sendo a peça fundamental para manter o conceito totalmente artesanal em que o Bica Gin é destilado.

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