Revista Rua

2020-04-21T11:00:30+01:00 Cultura, Histórias, Outras Artes

Morreu Luís Sepúlveda, o homem das estórias efémeras

Autor chileno, de 70 anos, morreu no Hospital Universitário Central de Astúrias, em Oviedo.
©Juan Carlos Hidalgo
Redação16 Abril, 2020
Morreu Luís Sepúlveda, o homem das estórias efémeras
Autor chileno, de 70 anos, morreu no Hospital Universitário Central de Astúrias, em Oviedo.

“Se é certo que a vida é breve e frágil, também é verdade que a dignidade e a coragem lhe conferem a vitalidade que nos faz suportar os seus enganos e desditas.”

Romancista, realizador, roteirista, jornalista e ativista político, Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, a 4 de outubro de 1949 e morreu hoje, 16 de abril de 2020, em Oviedo, Espanha: este poderia ser o início de uma crónica elevada ao expoente máximo da literatura mundial. Não. É o anunciar da morte de um dos mais importantes contadores de histórias de sempre.

Sepúlveda era um homem que vivia o presente e respeitava o passado, nunca deixando que este interferisse com o seu estado emocional.  Ao jornal espanhol 20 minutos, Sepúlveda confessou que não conseguia olhar para trás com melancolia: “Vivo muito bem com a nostalgia e não permito que se transforme em melancolia, que é estar feliz por estar triste. Eu nasci e cresci num país que já não existe. Só tenho a minha memória, mas essa é a nostalgia sã, a outra não a deixo entrar”.

Estreou-se nas letras em 1969, com Crónicas de Pedro Ninguém, dando início a uma bibliografia de mais de 20 títulos. Da sua vasta obra – toda ela traduzida em Portugal –, destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor, História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar e Patagónia Express, livro que é uma homenagem a um comboio que já não existe, mas que continua a viajar na memória dos homens e mulheres da Patagónia; desde os seus primeiros passos na militância política, que o levaram à prisão e depois ao exílio em diferentes países da América do Sul, até ao reencontro feliz, anos depois, com a Patagónia e a Terra do Fogo, é uma longa viagem.

Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço – que visa galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica – e, na altura, Sepúlveda apontou que, aquele prémio, tinha um “significado muito especial e muito emotivo”.

Lucho (como carinhosamente era tratado) faleceu hoje, vítima da Covid-19.

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