Revista Rua

2019-01-03T15:30:46+00:00 Histórias

Movimento Slow… Desacelerar para Viver Melhor

Por Raquel Tavares
Redação
Redação3 Janeiro, 2019
Movimento Slow… Desacelerar para Viver Melhor
Por Raquel Tavares

Há quanto tempo sente que o tempo lhe escapa? Há quanto tempo não tem tempo e gostaria que o dia tivesse 48 horas? Correrias constantes, stress, agendas preenchidas e longas horas de trabalho soam-lhe familiares?

O movimento slow surgiu como um contrapeso para combater as rotinas frenéticas das sociedades atuais e convencer-nos de que é importante abrandar e viver de forma mais tranquila. Ser slow é tentar usufruir do que o mundo moderno nos proporciona, contudo, lutando por ter oportunidade de parar e abrandar para experimentar prazer em coisas simples, celebrando-as, tornando-as extraordinárias e vivendo-as com o devido tempo.  A cultura slow contraria um mundo que gira em alta velocidade e que só para, por vezes de forma abrupta, quando o nosso corpo cede, o coração dá sinais de sofrimento, ou as relações se esvaziam. Slow é o mote para vivermos sem pressas e para darmos o devido tempo às coisas, porque as coisas boas, na realidade, levam o seu tempo, o tempo que precisam para se tornarem plenas, tal como a maçã na árvore precisa de amadurecer lentamente para que possa revelar o seu melhor sabor.

Raquel Tavares

“Ser slow não é ser demasiado lento, preguiçoso ou fora do mundo”. Talvez sem o saberem, existem já muitas pessoas adeptas do movimento slow, um conceito abrangente e flexível onde cabem os mais diversos perfis, personalidades, profissões e idades. Ao contrário do que se poderia pensar quando no início se falava em slow, quem se identifica com essa forma de estar, não tem que ser um hippie nostálgico ou um eremita, refugiar-se numa montanha ou não utilizar eletricidade ou tecnologias. As pessoas que apreciam um modo de vida slow não “são obrigatoriamente citadinos executivos com vidas de sucesso e glamour que abandonam tudo para se dedicarem a surfar e a criar caracóis junto ao mar”… contudo, também poderiam sê-lo… Na verdade, não existe um perfil único dentro do Slow Living, uma cultura holística que dá margem a muita variedade e que se vê descrita com pormenor no livro Slow, as coisas boas levam tempo.

Livro Slow, as coisas boas levam tempo, por Raquel Tavares

Mas como relaxar e abrandar num mundo que nos força a correr?

Começar a abrandar faz-se também em modo slow, devagarinho, bastam pequenos passos. O fundamental é estabelecer prioridades, pensar no que de facto é importante e começar por impor limites nas atividades excessivas que tendemos a acumular. Por exemplo, estabelecer não responder a emails a partir de determinada hora, caminhar devagar reparando nos pormenores ao redor durante dez minutos, falar um pouco menos, mais baixo e mais lentamente durante parte do dia, começando assim a criar um hábito que depois de se tornar natural dará margem para que outros passos surjam no caminho do abrandamento. Outra estratégia será praticar atividades relaxantes como a meditação mindfulness, o tricot, a bicicleta ao ar livre, o yoga, a leitura, os livros de colorir agora tão em voga, o silêncio ou outras práticas que se adequem à pessoa em causa e ao seu contexto de vida. Neste aspeto, não há uma receita fixa e se a jardinagem pode ser uma atividade de relaxamento, outros poderão dar-se melhor com o simples devanear ou com uma corrida à beira-rio ou num jardim da sua cidade. O que importa reter é que para bem da qualidade de vida e do bem-estar pessoal, familiar, comunitário e do próprio planeta há sempre uma boa razão para fazer uma pausa.

Sobre o autor:
Raquel Tavares, Presidente da Associação Slow Movement Portugal

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