Revista Rua

2018-05-03T16:22:24+00:00 Cultura

Museu do Brinquedo Português

Como se brincava antes da tecnologia?
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira3 Maio, 2018
Museu do Brinquedo Português
Como se brincava antes da tecnologia?

É num dos espaços mais belos de Ponte de Lima, com a icónica ponte romana e ponte medieval como paisagem próxima, que encontramos o Museu do Brinquedo Português, situado no edifício da Casa do Arnado, na margem direita do rio Lima. Inaugurado em 2012, este museu é um local de visita indispensável num passeio em família por terras limianas, aliando o lazer ao conhecimento de um património que tanto mudou ao longo dos tempos. Num convite ao convívio inter-geracional, juntando avós, pais e netos na partilha de memórias e na passagem de um testemunho tão nosso, este museu é único em Portugal e integra milhares de peças (centenárias até) que ajudam a traçar o percurso do brinquedo fabricado no nosso país.

Num edifício organizado de maneira a melhor preservar a história do brinquedo português, a exposição permanente, composta por peças cedidas pelo colecionador Carlos Anjos (graças a um protocolo celebrado entre o colecionador, o Município de Ponte de Lima e a Associação Concelhia das Feiras Novas, que é a entidade responsável pela gestão e coordenação do museu), é o ex-libris que transporta os visitantes adultos para tempos que já lá vão e permite às crianças visualizar como se brincava antes desta época tecnológica. São mais de três mil brinquedos desde o século XIX até 1986, momento em que Portugal integra a Comunidade Económica Europeia e o fabrico de brinquedos em série faz com que grande parte das empresas de brinquedos nacionais não aguentem a competitividade e entrem em decadência.

Revelando, através de salas temáticas e datadas, a evolução do brinquedo, desde a madeira à pasta de papel, folha de flandres e plástico, o Museu do Brinquedo Português coloca lado a lado as dicotomias entre a produção portuguesa e a produção estrangeira, deixando à vista as nossas inspirações e opções a nível de imagem das próprias peças e embalagens. Década a década, as mudanças técnicas e as alterações sociais e políticas do país e do mundo são carimbadas na essência dos brinquedos. Triciclos e cavalinhos de madeira, bonecas de pasta de papel, piões, instrumentos musicais, camionetas, carros, comboios, soldadinhos de chumbo, utensílios de cozinha, casas de bonecas, jogos de tabuleiro (como um dos primeiros Monopólio e o mítico Jogo da Glória) são apenas alguns dos exemplos de brinquedos que podem ser observados neste museu.

Abandonando o edifício da exposição permanente, que está disposta em vários pisos, o Museu do Brinquedo Português apresenta um jardim exterior, perfeito para a organização das festas de aniversário que realiza, e uma área mais lúdica, intitulada de Sala das Brincadeiras. Como o próprio nome indica, este é um espaço onde as crianças podem passar à prática, brincando com alguns dos brinquedos apresentados no museu e divertindo-se com a incrível maquete de 18m2, que apresenta uma cidade em miniatura, em total funcionamento (embora construída com moldes de peças estrangeiras, esta maquete é única na Península Ibérica e é um dos pontos de atração do museu). É ainda indispensável conhecer a Sala ARLO, que representa algumas construções fabricadas a nível nacional, sobretudo os comboios, que eram a dedicação de Arnaldo da Rocha Brito, o fundador da ARLO, empresa ainda hoje em atividade.

A par da exposição permanente, o Museu do Brinquedo Português vai alterando as suas exposições temporárias e promovendo ações de expressão artística para crianças, envolvendo a temática do brinquedo e fazendo os mais pequenos brincarem longe dos ecrãs digitais. Também numa tentativa de envolver a comunidade para a preservação deste património, o museu adotou um serviço de doação, integrando as peças gentilmente cedidas nas suas exposições. As visitas às escolas, levando o museu até às instituições, está também nos planos de divulgação desta casa do brinquedo português.

Fotografia: Nuno Sampaio

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