Revista Rua

2020-06-19T14:37:11+00:00 Cultura, Fotografia

Museu do Douro, uma janela para o futuro

©D.R.
Miguel Estima
Miguel Estima19 Junho, 2020
Museu do Douro, uma janela para o futuro

O Museu do Douro, foi concebido como um museu de território, polivalente e polinuclear, vocacionado para reunir, conservar, identificar e divulgar o vastíssimo património museológico e documental disperso pela Região Demarcada do Douro. Numa perspetiva de “museologia de comunidade”, o Museu do Douro assume-se como processo cujo desenvolvimento tem como missão envolver a colaboração ativa com as instituições locais, regionais e internacionais.

O edifício sede do Museu do Douro situa-se na cidade de Peso da Régua, resultado da obra de reabilitação do emblemático edifício da antiga Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, inaugurado a 20 de dezembro de 2008.

O Museu do Douro assume o papel que lhe cabe na formação de valores culturais, em articulação ativa com os demais agentes e instituições, promovendo não só uma função educacional de divulgação e contextualização da cultura e história da região mas, sobretudo, proporcionando experiências capazes de motivar a participação e o envolvimento ativo da comunidade.

Nesse sentido, tem promovido ao longo dos últimos doze anos uma forte atividade expositiva, criando exposições de raiz, tendo a base no próprio Museu e mais tarde, fazendo itinerância pelo território.

Um dos eventos marcantes para o Museu aconteceu no triénio 2011 a 2013 – o Entremargens. Um mega evento que, para além das exposições fotográficas em espaço público, onde foram colocados cubos iluminados, tanto na cidade da Régua como na região do Douro e esteve fora da região (Porto, Bordéus, Coimbra, entre outros…), aconteceram uma série de actividades formativas e palestras. Para um público mais abrangente, vários concertos.

A fotografia é uma das áreas artísticas com forte expressão na programação do Museu e, nesse sentido, convêm salientar duas exposições Nove Meses de Inverno e Três de Inferno, do fotógrafo João Pedro Marnoto que foi inaugurada a 2 dezembro de 2017. “Na viragem do século e por pouco mais de uma década, a vida encaminhou-me para as terras de Trás-os-Montes e Alto-Douro, onde acabei por viver e trabalhar. Tal despoletou um processo de reflexão pessoal a questionar certezas cada vez mais acomodadas na planura do mundo e formatadas no zapping dos dias. E assim a cidade ficava cada vez mais para lá do horizonte”, define Pedro Marnoto.

Tomando partido numa expressão popular oriunda do Douro e Trás-os-Montes, o trabalho relata uma Viagem, num processo de procura e redenção pessoal. Refletindo sobre as gentes enraizadas na terra que os sustenta a fome e devotas na fé que lhes aponta aos céus, é uma abordagem sobre a contemporaneidade partindo de uma premissa e perspectiva do espaço rural. Com existência de itinerância, esta exposição ainda pode ser visitada até dia 21 de julho, no Museu do Imaginário Duriense em Tabuaço.

A outra exposição a ter em atenção é a Via Estreita, de Carlos Cardoso, onde retrata as linhas férreas esquecidas da região do Douro com fotografias realizadas entre Setembro de 2000 e Junho de 2002. Focaliza essencialmente as estações de caminho-de-ferro que foram desactivadas na zona de Trás-os-Montes e Alto Douro pertencentes aos quatro ramais de via estreita (bitola de 1 metro) da Linha do Douro e também as estações da linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva. Esta exposição ainda pode ser visitada na Galeria de Artes do Auditório Municipal do Peso da Régua até dia 31 de Julho.

Ainda a decorrer até 15 de Agosto, está o Concurso Internacional de Fotografia 2020 – Douro Património contemporâneo – Memória com Futuro. Reconhecendo a importância da fotografia na formação de memórias coletivas, o Museu do Douro dá continuidade ao concurso fotográfico inserido no projeto Fotografia Contemporânea no Douro, pretendendo deste modo dinamizar e dar visibilidade ao património construído no presente, parte da memória futura. Este é um projeto de recolha fotográfica com enfoque na paisagem e património da Região Demarcada do Douro (RDD) para a construção de um arquivo de referência, em suporte digital, sobre o espaço e o tempo durienses. A exposição das fotografias do concurso do ano passado está patente no Museu do Douro até 3 de Agosto.

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