Revista Rua

2021-02-15T11:07:51+00:00 Cultura, Música

Música em pandemia: os álbuns portugueses que merecem a sua atenção

Estes foram álbuns lançados durante a pandemia e merecem ser ouvidos em loop!
Cláudia Pascoal
Redação18 Janeiro, 2021
Música em pandemia: os álbuns portugueses que merecem a sua atenção
Estes foram álbuns lançados durante a pandemia e merecem ser ouvidos em loop!

Por Mariana Sousa Lopes

Entre dezenas de concertos cancelados, datas adiadas e eventos com lotação limitada, a música está a passar uma das maiores crises com a pandemia. Recomendamos a compra da merchandising de cada banda e, assim que possível, usufruir de uma das melhores partes da música portuguesa: os concertos. Enquanto tal não acontece, sugerimos que descubra alguns dos trabalhos mais recentes de músicos portugueses bem conhecidos do público.

Tiago Bettencourt

2019: Rumo ao Eclipse, de Tiago Bettencourt

Depois de um percurso nos Toranja e o lançamento de seis álbuns, Tiago Bettencourt termina 2020 com o disco 2019: Rumo ao Eclipse. Conta com o acompanhamento dos seus músicos João Lencastre (bateria), João Bernardo (piano e teclados), João Hasselberg (baixo), Pedro Branco (guitarra) e ainda com vários convidados como Mariza, Claúdia Pascoal e Ivo Canelas.

Bettencourt refere que o seu álbum é uma história, com vários capítulos, e não podíamos estar mais de acordo: somos levados a uma introspeção constante – e focamo-nos numa ambição em querer conhecer um pouco mais os porquês do mundo e do que nos rodeia. O primeiro single a ser conhecido do 2019: Rumo ao Eclipse foi a “Viagem”, com um videoclipe num barco, com um casal, e o alter-ego de Tiago. Nesta música há uma sensação de liberdade, segurança e aventura, que precisamos para viver. Mas, a viagem por este álbum é constante e nas músicas “Dança” e “Lança” há uma melodia em que é impossível não querer dançar.

Apesar do álbum se referir ao ano de 2019, Tiago tem a capacidade de ter uma escrita intemporal, como é possível ouvir em canções mais antigas, como “Morena”, “Carta”, “Só mais uma Volta”, “Chocámos Tu e Eu”.  Antes do lançamento do álbum, Tiago contemplou alguns sortudos em assistirem a concertos intimistas, num modelo diferente: só com uma guitarra, gira-discos e uma planta. Ao longo dos anos, Tiago Bettencourt tem mudado o seu registo e tenta sempre inovar a experiência musical a todo o público.

Cláudia Pascoal

!, de Cláudia Pascoal

!: ukelele, amarelo, rancho, amigos, inspirações, família, amores e humor. É assim caracterizado o mais recente álbum de Cláudia Pascoal. A artista foi vencedora do Festival da Canção 2018, participou nos Ídolos, Factor X, The Voice Portugal e, em março de 2020, lançou o seu primeiro álbum, depois dos singles “Ter e Não Ter” e “Viver”.

Além de ser acompanhada pela sua banda: André Soares, Diogo Alexandre, João Bernardo e Martim Torres convidou Samuel Úria, David Fonseca, Joana Espadinha, Luís José Martins, Pedro da Silva Martins e até Nuno Markl! Com a produção de Tiago Bettencourt, demorou dois anos para construir o álbum e se descobrir como artista.

Ao longo de todo ! existem várias etapas. Em “PPPFFRR” conhecemos a primeira participação de Nuno Markl na música, seguindo-se para “Mais Fica Pra Mim” onde é mostrada a força de Claúdia, por ser “livre (…) e capaz”. Em “Espalha Brasa”, num tom muito leve, trata a igualdade de género; na música “Quase Dançar” somos levados a conhecer a família de Cláudia a dançar o rancho. Passando por outros temas, Claúdia transmite uma sensação de independência e energia, com a sua irreverência habitual. O ! termina com uma “Música De um Acorde”, que conta com todos os participantes e pessoas importantes para a construção da obra.

Capicua

Madrepérola, de Capicua

A discografia da portuense Capicua, em nome próprio, já conta com dez projetos. Capicua conta também com dezenas de colaborações com outros artistas portugueses e diversas letras criadas para outros intérpretes.

Ostra feliz não faz pérola”, assim começa o álbum Madrepérola, onde é retratada a maternidade, e a criação através de confortos e desconfortos da vida. Acompanhada com Camané, em “Passiflor”, fala sobre a sua entrega à música durante os últimos nove anos, e por toda a frustração e ingratidão vivida; a música “Cartas a Jovens Poetas” foi inspirada por todas as dúvidas recebidas por novos artistas. Capicua retrata a cidade do Porto no formato mais puro, verdadeiro e genuíno – na música “Circunvalação” – mostrando todos os seus pormenores e estilos. Em “Gaudí”, “O quadrado perfeito”, “Último Mergulho”, “Todo o Chão Quer Ser Floresta” continua a mostrar os problemas reais que todos vivemos, desde a saturação do quotidiano, as críticas nas redes sociais, a idealização de um futuro utópico, o desejo de que tudo corra bem.

Capicua tem a capacidade de, em 13 músicas, transmitir uma sensação de pertença a todo o público, resumindo problemas de vida em 48 minutos.

Noiserv

Uma Palavra Começada por N, de Noiserv

Noiserv é reconhecido por ser o homem-orquestra. Alguns dos seus êxitos são a canção “Vinte e Três”, “I Was Trying To Sleep When Everybody Woke Up”, “Bullets On Parade”, que são reconhecidas pela sua criação e composição peculiar. Depois de várias colaborações com artistas portugueses e trabalhos na área do cinema, o artista criou o seu sexto álbum em português. O álbum chama-se Uma Palavra Começada por N e é construído através de várias melodias, abordando uma parte humana de cada um de nós, desde o medo sentido com o futuro, a nostalgia do passado, à esperança, solidão e arrependimento. Para usufruir deste álbum, que retrata a vida, é necessário prestar atenção a cada pormenor dito e criado por todos os instrumentos.

Depois de 12 concertos de apresentação do álbum, que passaram por algumas cidades como Lisboa, Porto, Braga, Fafe, Póvoa de Varzim, Castelo Branco, Noiserv juntamente com a sua criatividade inesgotável cria o projeto Ao vivo na Cassete. A cassete está dentro de um cubo branco, igual ao cenário que construiu em todos os concertos, com 13 canções gravadas nas 12 salas, onde atuou. A ideia surge como comemoração de todos os concertos. A compra inclui o download gratuito de todas as músicas.

Time for T

Simple Songs for Complicated Times, de Time for T

O primeiro projeto da banda surgiu em setembro de 2017, seguindo-se de vários concertos em festivais nacionais, tournée europeia e alguns espetáculos nos EUA, México e Líbano. O mais recente EP dos Time for T surgiu durante a quarentena, com várias participações vindas de diversas cidades, terminando num trabalho com seis canções, entre o português, inglês e espanhol.

Sempre acompanhadas por uma guitarra e uma voz rouca, as seis simples canções transmitem a sensação de uma conversa de desabafos e pensamentos entre amigos.

Com o Club de Río, os Time for T abordam o conforto das pessoas em viverem numa bolha, motivadas pelo medo e adiando tudo para amanhã, com o mote de “Fire On The Mountain”. Com “Brighton (Clumsy)” e “Best Behaviour” há uma constante necessidade em recordar o passado e olhar para o futuro, vivendo com genuinidade e através de relações humanas. A primeira música do EP em português, “Manteiga”, retrata a necessidade de escrever, pela “leveza de andar na rua, com um caderno cheio e a mente vazia”. Na última música, “Qualquer Coisa”, descrevem a sociedade portuguesa, desde os santos populares, aos turistas, aos empregados de mesa, a uma ida às finanças, às tardes de cerveja, pois “amanhã é mais um dia que vai tornar-se ontem”.

Clã

Véspera, dos Clã

Não seria possível aconselhar artistas portugueses sem mencionar os Clã, já com quase três décadas de trabalho. Acompanhados pela voz indescritível de Manuela Azevedo, já criaram diversas músicas épicas, como “O Sopro Do Coração” e “Dançar na Corda Bamba”.

A banda, que conta com Miguel Ferreira, Pedro Biscaia, Pedro Santos, Pedro Oliveira, Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo, lançou o seu nono álbum com dez músicas. O disco é completo com diversas colaborações, como Sérgio Godinho, Samuel Úria, Capicua, Carlos Tê, Regina Guimarães, Arnaldo Antunes e Aurora Robalinho.

As primeiras músicas a serem descobertas, antes do lançamento da Véspera, foram “Tudo no Amor”, “Sinais” e “Armário”. O álbum passa pela loucura e ingenuidade de um amor, as ilusões e objetivos criados para a vida, e é uma força para enfrentar o futuro.

Véspera foi criado durante a quarentena, mas os Clã já tiveram oportunidade de o apresentar em algumas cidades, como Porto, Lisboa, Vila do Conde, Estarreja, Castelo Branco, Torres Novas e Ílhavo.

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