Revista Rua

2020-11-03T12:03:18+00:00 Cultura, Histórias, Pintura

Nadir Afonso, 100 anos de uma progressiva abstração

De entrada gratuita, a exposição pode ser visitada na Reitoria da Universidade do Porto até 23 de dezembro.
©D.R.
Redação
Redação2 Novembro, 2020
Nadir Afonso, 100 anos de uma progressiva abstração
De entrada gratuita, a exposição pode ser visitada na Reitoria da Universidade do Porto até 23 de dezembro.

Por Sofia Rodrigues

Distinto pela sua vontade constante de emancipar a beleza da geometria, Nadir Afonso Rodrigues produziu cerca de 15 mil obras. Apesar da sua presença em vários museus do mundo, é na Universidade do Porto que vão estar expostas cem obras inéditas do artista.

A 4 de dezembro de 1920, em Chaves, nascia Nadir Afonso Rodrigues, um dos grandes artistas portugueses do século XX.  A jornada de Nadir Afonso no mundo das artes inicia-se no Porto em 1938, altura em que ingressa no curso de Arquitetura da Escola de Belas Artes do Porto.

Para além da arquitetura, uma das suas grandes paixões era a pintura e foi em 1940 que expôs pela primeira vez algumas das suas obras. Em 1946, Nadir Afonso parte para a cidade do amor, Paris, e estuda pintura na École des Beaux-Arts.

O artista foi um dos pioneiros da arte cinética, trabalhando ao lado de Victor Vasarely, Fernand Léger, August Herbin e André Bloc. Nadir Afonso regia-se pela teoria estética. Defendia a objetividade da arte, não a considerando fruto da imaginação, mas da observação, perceção e manipulação da forma.

Nadir Afonso Rodrigues ganhou reconhecimento a nível mundial e as suas obras mais famosas são da série Cidades, que alude a alguns recantos do mundo. O pintor foi pioneiro na abstração geométrica em Portugal e o seu trabalho continua a ser um pilar fundamental do modernismo no nosso país.

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Cinco curiosidades sobre Nadir Afonso Rodrigues

– Filho do poeta Artur Maria Afonso e de Fátima, esteve para se chamar Orlando, mas, por sugestão de um amigo do pai, acabou por se chamar Nadir, que significa raro, em hebreu.

– Com apenas quatro anos de idade pintou a vermelho um círculo bem delineado nas paredes da sua casa e aos catorze anos realizou as primeiras pinturas a óleo.

– Para além das vastas obras de pintura, Nadir Afonso escreveu mais de 13 livros, sendo a sua última obra, A Invenção do Tempo, publicada em 2014.

– Foi agraciado com o Prémio Nacional de Pintura (1967), Prémio Amadeo de Sousa-Cardoso (1969) e Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’lago da Espada (2010). A 5 de novembro de 2012 foi também homenageado pela Universidade do Porto com a atribuição do título de Doutor Honoris Causa.

– Aos 92 anos, o artista ainda trabalhava ativamente, acabando por falecer a 11 de dezembro de 2013.

Cem inéditos de Nadir Afonso marcam presença na Universidade do Porto

Na Reitoria da Universidade do Porto vão estar expostos mais de cem trabalhos inéditos de Nadir Afonso até 23 de dezembro de 2020. A exposição 100 Anos Nadir, Inéditos é uma forma de homenagear um dos mais antigos e conceituados estudantes da instituição.

A exposição apresenta a evolução do traço abstrato do artista e a sua constante reflexão entre pensamento e obra.  À exceção da Máquina Cinética, motor de arranque para a reinvenção da geometria na instalação da pintura, as obras são todas inéditas.

De entrada gratuita, a exposição pode ser visitada na Reitoria da Universidade do Porto até 23 de dezembro, de segunda a sexta, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30 e aos sábados das 15h00 às 18h00.

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