Revista Rua

2021-03-29T16:14:28+01:00 Cultura, Fotografia

Neo-Cosmic Minimalism: os lugares menos comuns de Pedro Dias

Os Prémios Insties Gerador 2021 receberam 65 mil candidaturas de instagramers portugueses. Pedro Dias foi distinguido com o prémio de Melhor Instagramer.
©Pedro Dias
Redação29 Março, 2021
Neo-Cosmic Minimalism: os lugares menos comuns de Pedro Dias
Os Prémios Insties Gerador 2021 receberam 65 mil candidaturas de instagramers portugueses. Pedro Dias foi distinguido com o prémio de Melhor Instagramer.

Pedro Dias ganhou o prémio de Melhor Instagramer dos Insties Gerador 2021, o único prémio em Portugal para os criadores de conteúdo no Instagram. A sua página de instagram revela-nos um mundo cósmico, de perspetivas surreais e de propaganda imagética que nos remete para os sonhos.

Ganhaste o prémio de Melhor Instagrammer dos Insties Gerador 2021. Como foi para ti este reconhecimento sendo este o único prémio em Portugal para os criadores de conteúdo no Instagram?

Para mim, este reconhecimento público, para além da gratidão para com quem tem acompanhado o meu percurso no Instagram, fortalece, ainda mais, o empenho que coloco em cada imagem e a vontade de continuar a evoluir e a partilhar o meu mundo visual. Não posso deixar de referir o valor destes prémios pela divulgação do talento e da expressão criativa nacional.

O Instagram é uma plataforma que, cada vez mais, promove e revela novos artistas, mas também se rege por “regras” que se estruturam em números. Contudo, é uma forma de chegar a um elevado número de pessoas que de outra forma seria muito difícil. Como vês estas novas formas de exposição?

As redes sociais, na perspetiva da promoção de novos artistas, têm a vantagem de escalar a difusão de conteúdos a uma escala global. No entanto, hoje em dia, e pela importância que o digital representa na componente da comunicação, este trabalho tem que ser levado muito a sério, porque exige tempo, dedicação e uma interação muito regular com a base de seguidores.

O universo digital veio facilitar bastante a construção e divulgação da obra de arte, não só na fotografia, mas também noutras áreas como o design e a pintura. Achas que se perderam alguns valores estruturais na conceção da obra? É mais difícil ser um artista reconhecido?

A obra de arte pode e deve ser questionada permanente, pelo que não sinto que deve ser balizada por um conjunto de valores ou qualquer arquétipo. A arte evolui pelo desafiar constante das fronteiras. A dificuldade hoje, associada à liberdade individual da expressão criativa e ao digital, é a incapacidade de sobressair e captar a atenção, dado ao volume massivo de conteúdos partilhados nos meios e a dispersão que deles deriva.

Falemos agora da tua página de Instagram. As tuas imagens assentam numa estrutura imagética e surrealista. De onde surgem as ideias para as tuas composições?

Há dois momentos no processo, que levam à criação de cada composição, que no seu todo são a génese das ideias. A primeira é quando fotografo, em que surge um esboço mental, influenciado pela minha paixão por arquitetura contemporânea e pela arte surrealista. Procuro igualmente ser espontâneo e, sobretudo, divertir-me no processo.

O segundo momento é o trabalho concreto da edição. Durante muito tempo recorria às aplicações móveis, mas que de certa forma começaram a limitar as minhas pretensões para cada imagem. Agora assumo o photoshop como uma extensão da minha criatividade. Apesar de ser um trabalho individual, que acarreta alguma reflexão, é muito gratificante dar forma às ideias.

É curiosa a designação com que apresentas a tua página, Neo-Cosmic Minimalism. É a melhor forma de caracterizar o teu universo fotográfico?

Pouco tempo depois de ter criado a conta no Instagram, apaixonei-me pela composição minimalista e acabei por ter uma fase mais “purista”, se assim a posso caracterizar. Depois veio a atração pelo cosmos e por universos mais complexos, que já não cabiam numa definição restrita do minimalismo. O meu alias, Morfeum, tem precisamente a sua origem no mundo dos sonhos e essa designação composta é mais precisa para definir a fase atual do meu trabalho.

A sobriedade da tua paleta de cores é também uma forma de composição minimalista?

Definitivamente que sim, não querendo dizer com isto que não seja possível ser minimalista com o uso de cores mais expressivas. Aliás, cada vez mais, vou introduzindo cores fortes a uma paleta mais suave, pelos contrastes e a vivacidade que daí derivam.

Tens algum projeto a decorrer ou planeado para um futuro próximo que queiras revelar?

Como as histórias não se fazem só com imagens, lancei recentemente um livro para “crianças grandes”, no formato digital, para apoiar o serviço de pediatria do IPO de Lisboa. As “As Aventuras do Príncipe Poema” tem como cenário um conjunto de reinos imaginários, que se existissem de verdade, seriam foco das minhas composições.

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