Revista Rua

2021-11-24T18:20:27+00:00 Radar, Sabores, Vinhos

Niepoort, vinhos que ditam a velocidade do tempo

As portas das Caves Serpa Pinto abrem-se para uma viagem no tempo.
©D.R.
Maria Inês Neto23 Novembro, 2021
Niepoort, vinhos que ditam a velocidade do tempo
As portas das Caves Serpa Pinto abrem-se para uma viagem no tempo.

“Bom dia, em cada dia”. É com esta afirmação de Dirk Niepoort que começa a nossa viagem pela empresa familiar, que desde 1842 nos presenteia com um portefólio reconhecido mundialmente pela brilhante tradição vitivinícola. A mestria de quem se entrega com toda a devoção, da vinha ao engarrafamento, conduz-nos numa história maravilhosa contada em vários capítulos. Numa altura em que a família Niepoort abre-nos as portas das suas caves centenárias, em Vila Nova de Gaia, entramos num verdadeiro “templo” mágico, onde os vinhos envelhecem à velocidade do seu próprio tempo.

Acompanhados pela equipa Niepoort, percorremos as Caves Serpa Pinto, entre balseiros e tonéis que nos conduzem numa viagem no tempo até chegarmos à Sala do Tesouro, onde é o próprio Dirk a fazer as honras da casa. Copos ao alto e com um brilho no olhar, dizia-nos Dirk: “Saudinha da boa!”. Transformar os “sete pecados” em virtudes é a missão desta nova iniciativa: uma verdadeira caça ao tesouro pelas Caves Serpa Pinto. A marcação deve ser garantida previamente, a par de uma série de atividades, como masterclasses, provas de vinho e até provas do já reconhecido Chá Camélia – um projeto iniciado há dez anos pelas mãos de Dirk e da esposa, Nina Gruntkowski.

Quando questionado acerca da abertura do seu “templo”, Dirk é claro na resposta: “Estou muito feliz. Está a acontecer exatamente como imaginei há sete anos”. Mas neste processo de mudança, uma coisa era certa: eternizar o lugar, tal como ele se encontra. “Eu não quero mudar nem melhorar, quero manter. Não me interessa o conceito de beleza, porque o segredo é estar como está. Sempre tive uma ligação muito forte com este espaço (Caves Serpa Pinto). Passei muito tempo aqui com a família Nogueira, em provas, e aprendi com eles duas coisas: a ter paciência e a pensar a 20 anos”.

As primeiras linhas desta narrativa levam-nos até à região demarcada do Douro, para a história de uma família de visionários, curiosos e inquietos, com um sonho comum: criar grandes vinhos. Um trabalho minucioso, mas carregado de amor e entrega por uma tradição centenária que ainda hoje continua a demarcar a Niepoort como uma das maiores referências no mercado. Os anos passaram até chegarmos a um momento de plena ação fervilhante de duas gerações, em simultâneo: a de Dirk Niepoort (a representar a quinta geração) e a dos seus três filhos a antecipar um sexto momento na hierarquia – Daniel, Marco e Ana Niepoort. Impulsionado pela mestria do legado da família, Dirk é o responsável pela ampliação dos vinhos da marca – que até à sua chegada produzia exclusivamente vinhos do Porto – apresentando vinhos de mesa Douro DOC e a um maior reconhecimento das qualidades da região demarcada do Douro.

Nas visitas às caves Serpa Pinto é possível conhecer a história e a família, bem como provar algumas das maiores referências da marca. O mesmo acontece na Quinta de Nápoles, um lugar ancestral onde o Douro se conta em jeito de poesia. Datada de 1756, é uma das mais antigas quintas na região demarcada, descrevendo condições perfeitas para a produção de vinhos de mesa DOC frescos, elegantes e com uma complexidade aromática surpreendente. Tem 15 hectares de vinha e encontra-se na margem esquerda do rio Tedo. A quinta dispõe de uma adega, onde o vinho estagia em barricas e tonéis, num interessante cruzamento entre o saber empírico e as tecnologias de inovação. Também na Quinta de Nápoles é possível participar num almoço informal com provas de vinho.

Neste novo capítulo da Niepoort, Dirk encara o futuro com bons olhos: “Quero passar a pasta. Mas sinto a obrigação de organizar a casa, insistindo com os meus filhos que o mundo é muito pequeno para só existirem dois Dirks. Não quero que tentem ser como eu. Quero que sejam eles mesmos. O Daniel (filho) está a seguir um caminho fantástico, tem uma personalidade muito própria e é das poucas pessoas que me entende. Isso dá-me uma confiança muito grande para ir largando as coisas. Tenho muito orgulho no que foi feito e não tenho medo da mudança.”

Sem pressas e respeitando a velocidade do tempo, é um convite a mergulhar num mundo de curiosidades prestes a serem reveladas.

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