Revista Rua

2021-12-21T10:46:36+00:00 Personalidades

Nini Andrade Silva: “Acho que sou intemporal”

Nini Andrade Silva, a designer portuguesa para quem o mundo é uma casa aberta e a Madeira o seu local de magia e pousio.
Nini Andrade Silva ©Nick Bayntun
Cláudia Paiva Silva10 Dezembro, 2021
Nini Andrade Silva: “Acho que sou intemporal”
Nini Andrade Silva, a designer portuguesa para quem o mundo é uma casa aberta e a Madeira o seu local de magia e pousio.

Menina, mulher, garota do Calhau, Nini Andrade Silva é muito provavelmente uma das verdadeiras embaixadoras de Portugal pelos quatro cantos do mundo. Influenciadora das novas gerações de jovens designers e arquitetos, com um currículo invejável, senhora da sua própria vida, mas sempre atenta ao que se passa em seu redor, Nini, como se auto denomina desde criança, sempre quis fazer diferente, deixar marca bem nacional por onde passa, conseguindo ainda o tempo necessário à concretização de outros projetos pessoais e de cariz social, como o “Garouta do Calhau”, fundação que dá apoio às comunidades mais desfavorecidas da sua ilha natal.

A Revista Rua falou com a artista no seu atelier no Funchal, podendo assim testemunhar não apenas o seu reconhecimento na Madeira, mas também a intensa atividade dos criativos que a rodeiam e fazem parte do seu percurso e universo.

 

Nini Andrade Silva ©Nick Bayntun

Menina, mulher, “garouta” do Calhau, Isabel Maria… Como descreve a Nini?

(risos) Nini hoje são muitas pessoas, não só sou eu. É engraçado porque de facto a Nini hoje são as 55 pessoas que estão comigo, portanto, na realidade, eu sou só a frente de uma grande equipa e, quando dizem que “é o projeto da Nini”, na verdade envolve muitas outras pessoas. Quem é a Nini? Bom, eu nunca deixei de ser quem era, como o Fado. Sou igual a mim mesma, ao que sempre fui. Criei um projeto, um percurso de vida que acaba por ser uma linha que, se reparar, está sempre presente nos meus trabalhos – é um percurso, a linha dos aeroportos, das autoestradas. Acho que fui sempre muito igual e, talvez por isso, acabei por criar um estilo próprio ao qual chamam de “Ninimalista”, porque nunca quis deixar de ser “eu”, sempre respeitando as outras pessoas, mas mantendo a minha individualidade. Essa é a Nini.

Crescendo numa ilha vulcânica, com paisagens tão distintas, do mar à serra, do verde ao mais desértico da Ponta de São Lourenço, e atendendo que a Nini é uma pessoa extremamente sensitiva e muito apegada a energias, de que forma isto tudo a foi moldando ao longo dos anos? Houve alguma etapa diferente à medida que foi crescendo ou o apego à terra é algo que vai ganhando sempre que retorna das suas viagens?

Eu sempre fui muito apegada à Madeira. Sou uma madeirense muito verdadeira. Na verdade, eu sou apegada ao Mundo, porque eu andei por tantos sítios que adorei que é difícil escolher. Mas, se me pergunta, é como ter uma casa e um quarto: esse quarto é a Madeira e a minha casa é o Mundo. Porque na realidade há sempre essa necessidade de ir para o quarto e descansar. Eu tive uma infância muito feliz, uma família muito feliz, e a Madeira para mim é mesmo muito especial. Agora voltei a viajar, mas fiquei um ano e meio aqui, o que foi fantástico, maravilhoso, ao ponto de ter pensado em transformar a minha piscina num poço e o meu jardim numa horta para ficar na Madeira sempre. Uma vez que volto a sair, claro que vejo que ainda tenho muita coisa para fazer fora. Contudo, basta regressar e pensar que a Madeira, toda ela, é a minha casa, é o meu jardim.

Li há pouco tempo a Nini dizer que a Madeira era o seu colo…

E é verdade. É o meu colo, o meu lugar de repouso. A Madeira é muito importante. O mar, o sol, a ilha vulcânica, a delicadeza das flores, a braveza do mar que enrola os calhaus, os seixos – e eu não sei explicar o que sinto por esses elementos, por aquelas pedras.

Ia perguntar-lhe o porquê do calhau, da imagem do calhau, independentemente da história que conhecemos dos garotos do calhau, que se atiravam ao fundo do mar para irem buscar moedas (e não só) que os estrangeiros atiravam a partir dos paquetes e navios. O que é que realmente a atrai no seixo rolado?

Eu penso que me lembro de, em criança, ver os outros miúdos andarem à vontade. E eu sempre quis andar muito sozinha, embora os meus pais me dissessem que eu deveria ter regras (como todos nós devemos ter regras). Mas eu via aquelas crianças andarem sempre nas praias em cima dos calhaus e para mim aquilo era sinónimo de liberdade. Eu acho que os calhaus para mim são então sinónimo de liberdade, de poder andar solta, de ver as pedras irem e regressarem com o mar. Perto da minha casa há uma praia de calhau e, às vezes, até fico com falta de ar só de olhar para aquelas pedras todas. Eu não sei mesmo explicar o que sinto.

Uma questão energética?

É verdade! Eu costumo chegar a alguns locais e quando vejo um calhau digo que há alguma coisa de mim naquele lugar.

Em relação a viagens, e uma vez que as pedras também fazem longos percursos – e quanto mais roladas são, é porque mais viajadas também se tornam -, a Nini é descendente de navegadores…

Tristão Vaz Teixeira…

Em que medida a sua própria expansão marítima e aérea (risos) pelo mundo, lhe fez moldar a sua forma de ser e de estar, sabendo que somos sempre influenciados pelos locais que conhecemos? Por outro lado, como vê a influência portuguesa lá fora, o nosso legado, mesmo após 500 anos das viagens de Expansão?

Para mim é uma honra muito grande poder andar pelo mundo e saber que os portugueses andaram por todo o lado. Nós eramos praticamente “donos” do mundo, éramos muito grandes. E isso é algo que as pessoas não se podem esquecer, que temos de continuar a ser grandes. Nós agora temos um grupo “Marcas por Portugal” que estamos a tentar reativar e defender porque existe um esquecimento do quão grandes fomos e está na hora de voltarmos a ter a nossa marca no mundo. Existe realmente uma importância para mim em andar pelo mundo, trocar culturas, saber o que são e respeitar os outros, porque existem culturas tão diferentes umas das outras que as pessoas têm mesmo de se saber respeitar.

Então existe todo um legado no Brasil, na Ásia…

Sim, eu vejo que o Brasil é (quase) Portugal. Eu sinto-me em casa estando lá. Estamos a desenvolver um projeto em São Paulo e, quando lá estou com norte-americanos, eu vejo-me a defender o Brasil como se fosse a minha terra, porque as pessoas nem sequer se apercebem da grandeza que é o Brasil, por exemplo, e é um país incrível! Mesmo na Ásia, as pessoas, apesar de não falarem a língua, têm muito que ver connosco, porque deixámos legado.

Não tanto os sentimentos, porque isso é algo que vai mudando…

Sim, mas existem pequenas coisas que nos são familiares. Há muitos anos, quando fui à China, na fábrica onde estive ninguém falava inglês, apenas chinês. Então, quando fomos almoçar, a primeira coisa que chegou à mesa foi uma pata de galinha, algo a que não estamos de todo habituados. Eu devo ter feito uma cara tão diferente, que o senhor com quem eu estava mandou vir imediatamente um pastel de nata, o que eu achei muito engraçado. Os pastéis de nata são muito vendidos no oriente e aquilo foi uma forma de ele me dizer que estava a perceber o que eu estava a tentar expressar também. Uma coisa tão tipicamente nossa a fazer a ponte entre a língua e cultura. O sabor a casa.

O bom deste trabalho é que me fez lidar com várias pessoas diferentes, entre príncipes e sheiks, operadores de fábricas, de várias culturas. É essencial ajudar e compreender os outros. Porque todos dependemos uns dos outros. É o respeito que impera no Mundo. Estive na Fábrica da Vista Alegre e vi coisas magníficas que eu nem sabia que poderiam ser feitas. E temos de ter essa noção que não sabemos tudo, “só sei que nada sei” ou quanto mais sei, menos sei na realidade.

Mas também não existe o medo de cair no ridículo? De querer tanto fazer algo de diferente e inovador, de experimentar? Em relação às gerações mais jovens, existe algum pudor em apresentarem ideias?

Eu acho que os jovens são muito mais livres em tanta coisa. Estão muito empenhados na intervenção, mais aptos a falarem com outras pessoas e a quererem aprender as coisas. Esta nova era que veio ao mundo é muito diferente, é fantástica.

Sente que é uma “influencer” dos novos designers?

Eu acho que sou intemporal. Eu até posso estar errada, mas acho que sou. Vou-lhe dar um exemplo: há uns tempos, numa festa, apareci com uma joia desenhada por mim e os jovens internacionais perguntavam onde eu tinha arranjado aquela peça, quem é que a tinha desenhado. Então, eu acho que vim antes do meu tempo. Ou pelo menos tento manter-me sempre atualizada. Um criativo é sempre atual. Eu crio as minhas peças, as minhas coisas, e os mais jovens gostam. Pode-se, aliás, ver que eu tenho muitos jovens na minha rede, a trabalharem no atelier, e o facto de estar perto deles também faz de mim uma jovem. Nós estamos sempre a criar coisas e eu vivo no meio deles.

É, portanto, uma troca de experiências em que a Nini vai ensinando e em troca vai recebendo o feedback que lhe dão.

Exatamente, vou recebendo o feedback das ideias.

Então é sem dúvida uma “influenciadora”! Sente que, enquanto Mulher, mudou o paradigma da presença feminina no design em Portugal? Acha que a sua presença fez com que mais mulheres se destacassem na área?

Quando eu comecei a trabalhar há 30 e tal anos nem se falava muito de design em Portugal. Hoje, o design virou moda e eu acho que, nesse aspeto, tive muita influência nisso. De resto, nunca pensei muito nisso, de ser mulher e estar a fazer isto. Na minha casa, fomos educados sem diferença. Eu, o meu irmão e irmã éramos educados todos da mesma maneira, e como tal nunca pensei muito nisso, mas se calhar até deveria.

Teve a liberdade para sair de casa, para viajar, para conhecer um mundo inteiro e muitas pessoas da sua geração não tiveram essa possibilidade. Assim, por isso, deveria ter havido diferença num mundo tipicamente feminino.

Sim, eu notava que as mães das minhas amigas me aceitavam porque eu era a “artista”, mas elas não podiam fazer a maior parte das coisas que eu fazia. Mas é verdade sim, “a Nini é uma artista, então está bem”, mas as outras não. Era muito diferente, sim. E confesso que eu estava muito à frente para a minha época. Não se poderia comparar. Aliás, aquilo que hoje as pessoas fazem, sempre eu fiz há 40 anos.

Em que medida a pandemia veio influenciar o seu processo criativo? Já sabemos que ficou um ano e meio em casa e agora retomou as viagens. Também de que forma reagiu ao facto da arte e cultura serem algo tão importante na vida de cada um de nós e ter sido exatamente isso que nos foi cortado?  

Quando se instalou a pandemia, o que nos dava alento para viver era a cultura, os cantores que vinham às varandas, tanta coisa que aconteceu na internet – verificar que os artistas são pessoas como todas as outras, que apareciam de pijama, em casa – isto foi uma lição para o mundo. Uma lição enorme e as pessoas mudaram, não voltaremos mais a ser os mesmos, aprendemos que somos frágeis, mais do que pensávamos. Num instante, numa hora para a outra, o mundo pode desaparecer. As pessoas hoje têm mais consciência – e penso que ganharam maior consciência sobre o que consomem, por exemplo. Eu não voltarei a viajar tanto como viajava. Mas tive de ir conhecer os clientes que durante ano e meio não tinha conhecido – tivemos e ganhámos clientes novos que nunca os conhecemos ao ponto de agora dizerem que têm de me tocar para saberem que eu sou mesmo real, que existo. E o contacto humano é muito importante, pelo que é essencial termos estas reuniões e falarmos todos juntos. Por outro lado, embora já fizéssemos reuniões por via da internet, tornou-se algo muito maior. Principalmente com clientes e trabalhos em Portugal. De forma geral eu vi as pessoas a mudarem.

Mas acha que foi uma mudança positiva?

Sim, eu acho que foi uma mudança positiva. As pessoas revelaram-se –  e essas pessoas mais negativas eu não quero ao meu pé. Aliás, quando sinto que uma pessoa é diferente de mim, não sei se será negativa ou não, mas se sinto algo estranho, eu tento nem estar muito tempo por perto. Eu saio e vou fazer outra coisa. Eu sou uma criativa, não posso ter nada disso em meu redor.

E consegue distinguir bem essas pessoas e energias?

Consigo distinguir bem, sim. Normalmente vê-se. A pessoa já tem aquele peso em cima.

Esta sua sensibilidade está ligada à ilha? De conseguir identificar as pessoas?

Não sei se tem a ver com a ilha ou com o meu papel no Mundo, se tem a ver com as influências que tive. Eu estive muito tempo na Ásia e acho que sou europeia por fora e asiática por dentro. Lá existe muito a questão das energias, da luz, do próprio silêncio. É tão bonito o silêncio. Eu tinha um arquiteto japonês que trabalhou connosco durante dez anos e, quando ele se foi embora, o que me fez mais falta foi o silêncio dele, porque esse silêncio, ocupava espaço. É incrível como isso pode acontecer e é um escudo que podemos ter. O silêncio tem tanto para dizer e posso citar um amigo meu, madeirense, que escreveu um poema onde se encontra: “silêncio, silêncio, silêncio, porque gritas tanto dentro de mim” – é de João Carlos Abreu e é um poema lindíssimo e faz tanto sentido.

Tenho felizmente me organizado de forma a ser rodeada (e conhecer pessoas felizes) e faço os possíveis por isso. Se alguém se aproxima com algo para me contar, o que peço é: se eu não conseguir ajudar, se não for para eu ajudar, então eu nem quero me contem. Só saber por saber, não vale a pena. Até mesmo aqui no atelier o lema é “não existem problemas, apenas soluções”. Se temos algo para resolver dizemos que precisamos de uma grande solução e não que temos um grande problema. Tento que haja sempre alegria à nossa volta porque há já tanto que é tão difícil, que temos de tentar tirar o melhor do pior, que foi algo que aprendi desde criança.

É essa também a base do seu ativismo social?

Sim, é! Tentar ajudar ao máximo as pessoas que precisam.

A criação do “Garouta do Calhau” está muito associada a essa questão de ajuda…

Sim, está certamente. É uma associação sem fins lucrativos, uma associação onde o meu irmão é o Presidente e que tem muitas pessoas a trabalhar também em prol do projeto. Eu sou a imagem do Garouta do Calhau e ajudo quando posso. Aqui na Madeira fazem um trabalho incrível. É um projeto muito bonito porque antigamente a palavra “garouta” do calhau tinha um sentido muito diferente do atual, pelo que as pessoas já nem sabem o que era. Naquela época não havia condições, mas sempre foram meninos e meninas bonitas – felizmente a Madeira mudou muito, não tendo comparação com o que era há 50 anos. Felizmente sempre fomos muito abertos ao que vinha de fora, ao turismo.

Acha que a Madeira deveria ter mais desenvolvimento para além do turismo?

Sim, mas isso é algo que o Governo (regional) está a fazer agora mesmo. Vemos que o turismo é muito importante claro, mas temos de ter outras atividades paralelas, como antigamente tínhamos o bordado, o vinho, o vime, que, entretanto, decaíram um pouco (em termos de comercialização e produção). Então agora estão a olhar para o design. Já tivemos algumas reuniões para começar a criar indústria na Madeira. Pela minha parte, eu quero criar massa cinzenta, então o objetivo é abrir uma escola internacional de Design, porque penso que é algo fácil de exportar.

É uma forma de agarrar também a geração mais jovem madeirense na Madeira…

E trazer pessoas de fora, para acabar aqui mestrados, ou outros. Estou, por isso, a desenvolver e a dedicar-me a esse projeto e estamos também a criar – cada vez mais com maior força – a marca Nini Andrade Silva, a partir da qual fazemos peças para outras marcas com as quais colaboramos e para as quais desenhamos. Basicamente, o que se passa é que temos aqui a mão de obra trabalhadora, desenhamos, pagamos os nossos impostos na ilha, e as coisas são fabricadas fora, vendidas lá fora, mas sai de um centro de cá e é um ponto de rendimento na ilha.

É um “feito em Portugal” com qualidade e torna-se, como a Vista Alegre que falámos há pouco, numa marca de luxo.

Sim, a Vista Alegre é um espaço extraordinário. Eu já desenhava para eles, mas nunca tinha conhecido a fábrica. Aquilo é uma vila inteira – é muito mais do que loiça, é incrível o que se passa por detrás da marca, do nome. E sim, falta muito esse conhecimento. Eu então senti-me completamente ignorante quando lá cheguei.

Não basta sermos reconhecidos lá fora, é termos essa noção de conhecimento cá dentro.

E temos tanta coisa boa, temos de nos dar a conhecer. Eu fiz Portugal do Algarve até ao Norte (nota de autora: Nini tinha regressado de Portugal Continental no dia anterior à entrevista), então ia parando sempre e, de facto, temos um país incrível com pessoas incríveis e temos de nos fazer valer.

Fotos de Família da Nini Andrade Silva

Os seus pais eram professores. Acha que isso a influencia para que seja igualmente uma professora?

Talvez, sim. Os pais são sempre professores e orientam sempre os filhos, principalmente os meus, que eram muito presentes. Mais do que presentes, eles davam-nos responsabilidade – nem era a liberdade que falei -, mas sim a responsabilidade. Eles diziam: “Eu acho que deve ser feito assim, mas agora a Nini veja como acha que deve ser feito. Se as coisas correrem mal, para nós será triste, mas o verdadeiro problema será para a Nini”. Os meus pais e avós, principalmente a minha avó, tiveram um papel muito importante na minha vida. Quando temos alguém atrás a dizer que o que fazemos é maravilhoso, é muito bom. Existem muitos pais que fazem a comparação ou que dizem aos filhos simplesmente que não está bem feito, mas na minha casa aprendíamos sempre a fazer bem feito, até porque fomos ensinados que as pessoas que pensavam diferente de nós, também poderiam estar certas e que tínhamos de estar apenas atentos para aprender.

Tal como aqui no atelier, às vezes apresentam-me coisas que eu preciso de tempo para interiorizar e absorver, não basta fazer porque é bonito – tem de haver também um contexto. Por outro lado, algo que eu acho muito importante é a educação de cada indivíduo. Posso estar cheia de trabalho, mas quando sou convidada para palestras, para ir às universidades, eu vou. Nem que seja apenas para uma pessoa ouvir, porque se conseguir mudar uma pessoa já o mundo se torna melhor. Não que eu esteja errada ou certa, mas conseguimos ter a ideia de compreensão e respeito pela opinião alheia.

Nini, como vê o futuro?

Eu sou uma workaholic, por isso, não me vejo a parar. Contudo, estou a preparar estes jovens todos para continuarem a marca, porque uma marca não deve parar só porque uma pessoa ou um nome param. As marcas continuam com outras pessoas e eu tenho equipas muito bem preparadas cá dentro. Tenho também a minha família a trabalhar comigo e são jovens, por isso, será uma continuação. Algo que eu iniciei e que eles terão de continuar, portanto, daqui a mais uns anos, penso que serei uma pessoa que faz uns trabalhos que me deem mais prazer em fazer e a minha equipa de certeza que vai conseguir continuar sem mim. A ideia é essa.

Por exemplo, agora surgiram projetos para uns hotéis incríveis, no Douro e na Comporta, que são muito ligados à natureza, com a terra e isso é algo que me está a dar muito prazer em fazer. É uma coisa que faz muito sentido e é muito importante para mim nesta altura da minha vida, independentemente da criatividade – até porque tenho pessoas muito capazes. Eu oriento-os e é como um pai que orienta um filho. Tenho arquitetos e designers fantásticos e que podem fazer a caminhada.

Partilhar Artigo: