Revista Rua

2020-03-25T15:05:50+00:00 Negócios

O apoio da indústria da moda no combate à atual pandemia

Marcas como Yves Saint Lauren e Balenciaga comprometeram-se a fabricar máscaras para proteção contra o novo coronavírus, dada a escassez do produto em França, assim como a Louis Vuitton irá fabricar gel desinfetante.
Fotografia ©D.R.
Redação
Redação25 Março, 2020
O apoio da indústria da moda no combate à atual pandemia
Marcas como Yves Saint Lauren e Balenciaga comprometeram-se a fabricar máscaras para proteção contra o novo coronavírus, dada a escassez do produto em França, assim como a Louis Vuitton irá fabricar gel desinfetante.

A indústria da moda, nomeadamente o sector de luxo, tem procurado soluções no âmbito do combate à atual pandemia causada pela propagação do vírus do Covid-19. Marcas como Yves Saint Lauren e Balenciaga comprometeram-se a fabricar máscaras para proteção contra o novo coronavírus, dada a escassez do produto em França, assim como a Louis Vuitton irá fabricar gel desinfetante ou a Prada que se responsabilizou para comprar e doar equipamentos de reanimação. Estes são apenas alguns dos demais exemplos, mas há muitos outros contributos relevantes espalhados um pouco por todo o mundo.

Ontem, o grupo italiano Calzedonia anunciou que iria produzir e doar cerca de dez mil máscaras e batas por dia. O grupo revelou uma ação concreta e imediata face à necessidade atual destes materiais por parte das instituições de saúde, colocando à disposição as fábricas e os recursos da empresa, que foram adaptados à produção das quantidades anunciadas. Desta forma, as fábricas de Avio e Gissi, localizadas no norte de Itália, e também as da Croácia foram adaptadas para assegurar esta produção diária. O procedimento foi possível graças à aquisição de maquinaria específica para a criação de uma linha semiautomática, sendo que se prevê um aumento das quantidades produzidas durante as próximas semanas. A entrega das máscaras já começou, com a primeira doação ao hospital de Verona, cidade onde se encontra a sede do grupo.

Também marcas de luxo francesas, como a Yves Saint Laurent e a Balenciaga, anunciaram que iriam fabricar máscaras de proteção. O grupo Kering, que detém estas duas marcas, entre outras, anunciou, num comunicado citado pela agência Efe, que já estaria tudo preparado para o arranque da produção, estando apenas a aguardar que os procedimentos e materiais sejam homologados pelas autoridades competentes. O grupo não expôs a quantidade de materiais que serão produzidos na totalidade, sabe-se apenas que irá entregar nos próximos dias cerca de três milhões de máscaras cirúrgicas, importadas da China, às autoridades de saúde francesas.

Este anúncio surge dias depois de um outro forte grupo de moda francês anunciar também o seu apoio. É o caso do grupo LVMH, que detém marcas como a Louis Vuitton, a Dior e a Givenchy, entre outras, que se propôs a fabricar álcool gel desinfetante em enormes quantidades, tendo ainda oferecido cerca de dez milhões de máscaras ao governo de França. “A LVMH utilizará as linhas de produção das suas marcas de perfumes e cosméticos para produzir grandes quantidades de gel hidroalcoólico”, anunciou a empresa em comunicado.

Já a Prada anunciou a compra de inúmeros equipamentos de reanimação que foram entregues a vários hospitais italianos, enquanto que Donatella Versace doou duzentos mil euros para a unidade de cuidados intensivos de um hospital em Milão. “Em momentos como este é importante estarmos unidos e apoiar, da maneira que pudermos, todos os que estão na primeira linha, lutando diariamente para salvar vidas”, partilhou a icónica designer. Também a Versace, enquanto empresa, doou um milhão de yuanes (cerca de 127.400€) à Cruz Vermelha chinesa. Já Giorgio Armani entregou mais de um milhão de euros a hospitais italianos e a marca Dolce & Gabbana comprometeu-se ainda a apoiar o financiamento das investigações para o tratamento da doença.

O grupo suíço que detém marcas de luxo como Cartier, Chloé e Van Cleef & Arpels assumiu doar mais de um milhão de euros para combater a propagação do vírus, assim como a Hermès se comprometeu a doar cerca de seiscentos mil euros à Fundação Soon China Ling, que apoia neste momento os vários profissionais de saúde que atuam diretamente no tratamento do vírus na China. Também a Bulgari afirmou que doou uma quantia ao departamento de investigação de um reconhecido instituto em Itália, para a aquisição de material. Já Silvia Venturini Fendi, a herdeira e diretora criativa que assumiu o lugar depois da morte do icónico designer da marca, Karl Lagerfeld, partilhou no Instagram: “A Fundação Carla Fendi oferece cem mil euros para a aquisição de ventiladores para a Unidade de Saúde de Columbis da Policlínica Gemelli de Roma”.

Em Portugal, também são já várias as empresas, distribuídas pelos diversos sectores, que se comprometeram a auxiliar no apoio ao combate face a esta pandemia. Importa ainda realçar que o governo chinês irá doar material de apoio a Portugal. Numa nota enviada à Lusa, a embaixada chinesa mostrou-se grata às autoridades portuguesas pela “solidariedade” prestada durante a crise provocada pelo novo coronavírus.

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