Revista Rua

2021-05-22T16:31:12+01:00 Cinema, Cultura, Radar

O festival Curtas de Vila do Conde regressa em julho com formato misto: entre a sala e o online

A programação desta que é a 29.ª edição do festival vai ser revelada nos próximos meses, mas no primeiro anúncio já foram destacados quatro realizados cujo trabalho revela “uma abordagem contemporânea e vanguardista".
Farnoosh Samadi
Redação22 Maio, 2021
O festival Curtas de Vila do Conde regressa em julho com formato misto: entre a sala e o online
A programação desta que é a 29.ª edição do festival vai ser revelada nos próximos meses, mas no primeiro anúncio já foram destacados quatro realizados cujo trabalho revela “uma abordagem contemporânea e vanguardista".

As datas estão marcadas: entre 16 e 25 de julho, o festival internacional português dedicado à curta metragem – o Curtas de Vila do Conde – está de regresso num formato misto, tal como em 2020. O programa apresenta-se entre a sala e o online, pretendendo “criar novas formas de relação com o cinema contemporâneo, as referências incontornáveis e o desvendar de novos caminhos para a sétima arte”.

A programação desta que é a 29.ª edição do festival vai ser revelada nos próximos meses, mas no primeiro anúncio já foram destacados quatro realizados cujo trabalho revela “uma abordagem contemporânea e vanguardista, pontualmente disruptiva, que atravessa as fronteiras dos géneros e ousa experimentar os limites da linguagem cinematográfica”. Falamos então de uma seleção de obras da dupla iraniana Ali Asgari e Farnoosh Samadi, da grega Jacqueline Lentzou e do português Jorge Jácome, que integrarão as secções não competitivas do festival, abrindo “uma porta de entrada para o pensamento contemporâneo de uma nova geração de cineastas que, a par da relevância estética, levantam novas leituras para problemáticas políticas dos nossos dias”, afirma a organização.

Jorge Jácome

Ali Asgari e Farnoosh Samadi revelam trabalhos em formato de curta ou longa-metragem que têm sido exibidos e premiados em alguns dos mais prestigiados festivais de cinema europeus, como Locarno, Cannes, Veneza, entre outros. Resultados desta parceria, tanto The Silence (2016) como Pilgrims (2020) colocam em evidência a problemática da identidade e da sua busca constante, em que o sentimento de pertença (ou de ausência) afetiva e territorial surge em grande plano. Asgari e Samadi exploram sobretudo a dramaturgia dos corpos e o dramatismo dos diálogos, numa câmara que se rende permanentemente ao rosto, humano por excelência.

Já a obra de Jacqueline Lentzou, a jovem cineasta grega, remete-nos para o conflito geracional entre pais e filhos, talvez uma das principais singularidades do seu trabalho, numa tentativa de “tomar a posição do jovem, sem moralizar ou julgar, nem infantilizar”.

O realizador português Jorge Jácome é destacado também nesta edição. Tendo exposto em vários espaços dedicados à arte contemporânea e colaborado em projetos no âmbito das artes performativas, o trabalho cinematográfico de Jácome é marcadamente interdisciplinar e um dos filmes, Past Perfect (2019) resulta inclusivamente da adaptação da peça de teatro Antes, concebida por Pedro Penim. Da arqueologia de antigas discotecas devolutas em Fiesta Forever (2017) ao apocalipse botânico de Flores (2017), a obra de Jácome assenta numa metodologia fortemente sensorial e impressionista, fazendo uso de todo o artifício que a técnica lhe pode oferecer – colorizações, sobreposições, entre outros efeitos: o cinema como lugar de fantasia, de hipnose, construído a partir de derivas narrativas, relações improváveis e de encontros inusitados.

O 29.º Curtas Vila do Conde tem o apoio do programa MEDIA/Europa Criativa, da Câmara Municipal de Vila do Conde, do Ministério da Cultura, do Instituto do Cinema e Audiovisual e de vários parceiros imprescindíveis à realização do festival.

Partilhar Artigo: