Revista Rua

2020-04-21T16:17:09+00:00 Opinião

O mundo continua a girar

Sociedade
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
21 Abril, 2020
O mundo continua a girar

O mundo continua a girar, a Terra tem uma velocidade de rotação de 465 metros por segundo, no Equador, e demora 24 horas a percorrer uma volta completa à volta do Sol. E a isto se chama vida.

Quem ligar as TV´s, neste momento, não vê vida, vê COVID. É notícia, opinião, gráfico sobre COVID, em cima de notícia, opinião, gráfico. O problema é pandémico e global; merece todo o cuidado e atenção porque, além de milhares de mortes, poderá matar a economia e, mais grave ainda, a democracia.

E é sobre isso que não se fala.

Há tempos escrevi que o pior do vírus é ficar-se a conhecer os seus portadores.

Quando as televisões dão duas horas de noticiário sobre o mesmo tema, escapa-lhes tudo o resto, que também coexiste com o COVID:

Consultas e tratamentos do foro oncológico são adiadas, terapias que são dadas por telefone e com auxilio à medicação e a equipamentos para “depois vê-se”. Bem sei que é preciso distância social e, aqui, já escrevi para as pessoas ficarem em casa; mas também sei que se sabe quem é de um grupo de risco, que se se testar sabe-se quem está infectado ou quem poderá estar imune. Porque a vida tem que continuar.

Sei de um caso, em primeira mão, de uma morte ocorrida em Março num hospital central. A família demorou dias para levantar o corpo e, até hoje, não sabe de que é que a pessoa morreu, a hora da morte, quem foi o médico que assinou o óbito; além de todos os pertences que desapareceram. Mesmo em estado de calamidade, há um lado humano que é preciso preservar, é preciso cuidar de quem vai e de quem fica a sarar as mágoas.

Há quem diga que estamos a viver uma guerra. Mas as guerras fazem-se para que se possa preservar o nível de vida dos “atacados”, da mesma forma que “a arte existe para que a realidade não nos destrua”.

Bem sei que a Lei n.º 1-A/2020 prevê que “até dia 30 de junho de 2020, podem ser realizadas por videoconferência, ou outro meio digital, as reuniões dos órgãos deliberativos e executivos das autarquias locais e das entidades intermunicipais, desde que haja condições técnicas para o efeito”, e que “aprovação de contas dependa de deliberação de um órgão colegial, podem remetê-las ao Tribunal de Contas até 30 de junho de 2020”. Mas a questão é: quem é que está a fazer isto e de que maneira? De que forma são tomados em conta os projectos das oposições ou é tudo auto-estrada para quem está no poder? Quantas Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia já se deixaram de realizar?

Isto é um pequeno exemplo. O grande exemplo vem de Bruxelas: Viktor Orban está a governar a Hungria por decreto e, apesar do Conselho da Europa e da ONU já terem alertado para o perigo das medidas tomadas pelo governo ultranacionalista, não se vê nada de concreto para os próximos tempos.

13 líderes do PPE pediram a expulsão do Fidesz (pena tenho que Rui Rio não o tenha feito e, desta vez, as suas justificações não me convencem. Já o CDS e Nuno Melo não me surpreendem, dado que o eurodeputado defendeu, até, a entrada do VOX no PPE). Mas a questão tem que ter mais alcance e avaliar a capacidade de países como a Hungria ou a Roménia de estarem num projecto agregador como é o Projecto Europeu.

Tudo isto passa na TV?

Da mesma forma que foi preciso vir o COVID para alguns se aperceberem do que é capaz Trump e Bolsonaro. Mas não dava na TV ou estes andavam distraídos com outra coisa qualquer?

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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