Revista Rua

2018-07-02T08:24:40+00:00 Opinião

O que a primeira metade de 2018 já me fez ouvir

MÚSICA
José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
2 Julho, 2018
O que a primeira metade de 2018 já me fez ouvir

Chegamos a julho: verão, férias, concertos, descanso, tudo a que temos direito. Parece que ainda foi ontem que fizemos o countdown de 2017 para 2018 e o ano já vai a meio. Como vai, para já, o ano no que diz respeito aos lançamentos musicais?

Algo que acontece muito é ainda estarmos a descobrir coisas que foram saindo no final de 2017. É normalíssimo isso acontecer, sobretudo para quem ocupa grande parte do seu dia a dia no trabalho. O tempo passa e nunca há – lá está – tempo para tudo. Ainda assim, nestes seis primeiros meses de 2018 já consegui ouvir e descobrir algumas coisas de enorme valor e que certamente ficarão marcadas, para mim, como referência quando daqui a uns anos olhar para trás e pensar o que andei a ouvir neste ano.

O primeiro disco que me recordo de ouvir logo no início de 2018 e que me deixou boquiaberto foi de U.S. Girls com o último trabalho In a Poem Unlimited. Este conjunto feminino de Chicago conseguiu, a meu ver, lançar um disco tremendo, onde transfiguram a pop alternativa e que resulta num dos discos que, de certeza, marcarão não só este 2018, mas também a própria discografia da banda. Seguiu-se uma descoberta: os texanos Khruangbin (eu sei, nome nada fácil de decorar) com o trabalho Con Todo El Mundo. Não era grande conhecer deste grupo, confesso, e, do nada, vi-me perdido com um disco que varia entre funk, psicadelismo e baladas carregadas de mel.

Parece que ainda foi ontem que fizemos o countdown de 2017 para 2018 e o ano já vai a meio. Como vai, para já, o ano no que diz respeito aos lançamentos musicais?

Depois, e para grande surpresa minha – confesso! – veio o novo disco de Linda Martini. Este último trabalho consegue revitalizar a fórmula de rock pujante que lhes é característico com novos elementos, sem perderem a identidade. Nota máxima para este regresso, sem dúvida! Ainda no plano nacional, é de salientar o regresso incrível de X-Wife, com o disco homónimo. O indie rock do trio portuense está de volta e melhor do que nunca, após um hiato de oito anos. A qualidade deste trabalho valeu-lhes a chamada ao festival de verão Vodafone Paredes de Coura, entre outros. Até ver, são estes os dois trabalhos nacionais que maior relevo dou.

Descobri também a pop catchy de Superorganism (que concertão no NOS Primavera Sound!), a nova r&b de Kali Uchis e o rock saído dos 90’s de Soccer Mommy. Este é aliás um dos discos, se não o disco que mais ouvi, neste ano. Com traços de Alanis Morrisette ou Jay Som, é uma obra que se ouve de início ao fim e sentimos que passou num instante. A música eletrónica que tanto está em voga fez-me descobrir Peggy Gou e deliciar-me com o incrível novo trabalho de Jon Hopkins, intitulado Singularity, e de Nills Frahm com o disco All Melody.

Por último, destaco outros regressos: Amen Dunes com fabuloso Freedom; Arctic Monkeys e o seu maduríssimo Tranquility Base Hotel & Casino; Unknown Mortal Orchestra com Sex & Food e Beach House com o brilhante 7. Deixo ainda menção honrosa para A Beacon School com o trabalho Cola; Young Fathers com Cocoa Sugar e Crânio do DJ Nigga Fox.

São todos trabalhos que fui ouvindo desde janeiro até agora e tenho a certeza que ainda não explorei muita coisa. O ano de 2018 começou bem, muito bem, e promete terminar ainda melhor com já inúmeros trabalhos anunciados para o pós-verão. Mas… para já, venham daí essas pérolas de verão!

Sobre o Autor:

Signo escorpião, sei informática na ótica do utilizador, programador do espaço cultural Banhos Velhos e sou um eterno amante de música, do cinema e do Sozinho em casa.

Partilhar Artigo:
Fechar