Revista Rua

2019-08-20T15:03:12+01:00 Histórias

O que é que Braga tem?

A cidade minhota é apontada como uma cidade jovem, empreendedora e segura, parâmetros que lhe valem a atenção crescente de migrantes.
Avenida Central, em Braga ©D.R.
Redação20 Agosto, 2019
O que é que Braga tem?
A cidade minhota é apontada como uma cidade jovem, empreendedora e segura, parâmetros que lhe valem a atenção crescente de migrantes.

Ao longo dos últimos anos, a cidade de Braga tem assistido a um crescimento do seu potencial de atração turístico e, consequentemente, de fixação de migrantes. A população brasileira é a que mais se tem estabelecido na cidade, fazendo com que, em dez anos, os números aumentassem 137,6% – de 2596 para 6168 residentes de cidadania brasileira. Inclusive, nos últimos 18 meses, a Associação Comercial de Braga registou a inscrição de 11 negócios geridos por empreendedores brasileiros na cidade, algo que tem impulsionado a autarquia a criar incentivos fiscais que podem chegar à isenção total tendo em conta o volume de investimento e a quantidade de emprego que é gerado.

O custo de vida mais barato do que o Porto ou Lisboa, os bons serviços públicos, o estímulo ao empreendedorismo e o clima de segurança são os principais motivos que levam à fixação de migrantes em Braga. A RUA foi à procura de alguns exemplos, de estudantes a empreendedores, de polacos a brasileiros, que encontraram em Braga um segunda casa cheia de oportunidades.

Bohdan Dohlyad, 52 anos, Ternopil (Ucrânia)

Bohdan Dohlyad, Ucrânia | Fotografia ©Alicja Trojnar

Conhecemos Bohdan numa loja russa chamada Troika. Há muito tempo em Portugal, Bohdan fala ucraniano, russo e português. Quando chegou a Portugal, vindo da Ucrânia, começou por trabalhar na área da construção civil, mas hoje é motorista numa empresa de distribuição. A cidade de Braga tornou-se a sua casa, dando-lhe oportunidade de trabalho e tranquilidade para viver a sua vida.

Anna Dobiech, 39 anos, Polónia

Anna chegou a Braga para dar vida ao Collector’s Hostel, um projeto que criou com a sua amiga Joana, cuja avó era proprietária de uma casa num edifício no centro da cidade. Anna e Joana conheceram-se em França, mas as visitas a Portugal nas férias fizeram com que Anna se apaixonasse pelo país. Começou por fazer uma road trip desde Lisboa e, à medida que a viagem decorria, Anna ganhava a certeza de que não queria viver mais em Paris. Nessa altura, Joana convidou-a para conhecer Braga e foi aí que a aventura do Collector’s Hostel, de facto, se iniciou. As duas decidiram então renovar a casa antiga e abrir o seu próprio negócio. Preservando vários elementos da propriedade original, o Collector’s Hostel é um espaço de sentimentos, com uma decoração bem cuidada. O terceiro piso oferece aos hóspedes um terraço com vista panorâmica sobre a pitoresca cidade de Braga e convida-os a apreciar um bom copo de vinho.

Ray Singh, 31 anos, e Dajti Singh, 38 anos, Índia

Ray Singh e Dajti, Índia | Fotografia ©Gosia Jasińska

Ray é o proprietário do restaurante Benamor 1930, localizado no centro histórico de Braga. Com um respeito enorme pela História, o restaurante não alterou os aspetos da sua decoração interior desde 1930. Ray chegou a Portugal em 2008. No início, a adaptação não foi nada fácil para Ray, mas com muito trabalho, dedicação e poupança finalmente chegou a bom porto. Depois de seis meses de muita preparação, Ray abriu o seu próprio restaurante em Braga. Mas porquê Braga? Ray diz-nos que escolheu esta cidade para viver e trabalhar pela tranquilidade que não encontrou em Lisboa. Adora o povo bracarense, o ambiente vivido na cidade e o clima. “É muito mais fácil viver aqui do que na Índia. Estou muito contente por estar cá”, conta-nos, sorridente, Ray. Já Dajti Singh é cunhado de Ray Singh e é gerente do restaurante Benamor 1930. Com uma energia muito positiva, Dajti acrescenta que se sente orgulhoso pelo projeto que ajudou a criar.

Camila Pacheco, 43 anos, São Paulo (Brasil) e Reinaldo Pires de Campos, 56 anos, Milão (Itália)

São os proprietários do restaurante healthy food chamado Adamasttor Saúde & Sabor. O nome do espaço é inspirado na figura de Adamastor, d’Os Lusíadas. Escolheram Braga como local para viver devido ao ritmo jovem da cidade – especialmente graças à Universidade do Minho – e ao multiculturalismo existente. Tecendo comentários positivos à dinâmica do tecido empresarial bracarense, Camila e Reinaldo asseguram que Braga é um ótimo destino para a criação de um negócio próprio.

Guilherme Yamato Michishita, 34 anos, São Paulo (Brasil)

Guilherme Yamato Michishita, Brasil | Fotografia ©Alicja Trojnar

Guilherme nasceu no Brasil, mas tem raízes japonesas graças aos seus avós. É o chef e proprietário do restaurante Michizaki há três anos. Chegou a Portugal em 2006 para trabalhar como cozinheiro em Lisboa, mas depois de cinco anos decidiu mudar-se para Braga – pela calma e tranquilidade. Para ele, as pessoas de Braga são hospitaleiras e simpáticas, o que ajuda num processo de adaptação.

Lakkana Khotwongjan, 50 anos, Tailândia

É a proprietária do restaurante Rá-Chá-Kao (referência ao nome do rei da Tailândia). Chegou a Portugal por amor – o seu marido é português. Em 2010, abriu o primeiro restaurante de comida tailandesa em Braga. Para Lakkana, a quietude da cidade, o desenvolvimento turístico e a juventude são os principais pontos de atração da capital do Minho.

Lujain Hadba, 29 anos, Síria

Lujain Hadba, Síria | Fotografia ©Gosia Jasińska

Lujain chegou a Braga para estudar Arquitetura e Engenharia Urbana, no âmbito do programa Erasmus. Escolheu Braga devido à boa cotação da Universidade do Minho. Embora nos diga que daqui por uns anos tomará a decisão de se mudar para uma cidade maior, Lujain sente-se acarinhada na cidade, destacando a hospitalidade e simpatia das pessoas.

Saidatina Khady Dias, 45 anos, Senegal

Vive em Braga há 20 anos, desde que se casou com um português. Juntos, escolheram a cidade como casa e ficaram bastante satisfeitos com o trabalho do poder local na ajuda aos imigrantes. No início, Saidatina trabalhou como educadora de infância e professora numa escola primária. No entanto, desde 2014, Saidatina desenvolve um importante trabalho como Presidente da L’ association des Immigres Senegalais au Portugal, ajudando imigrantes a começarem a sua vida em Braga.  Organizando eventos para promover a comunicação entre a comunidade africana presente em Braga e a sociedade ou poder local, Saidatina sente-se orgulhosa do seu trabalho como mediadora cultural, por assim dizer. “A minha história é uma história de sucesso”, conta-nos Saidatina, destacando como se sente feliz com a sua boa posição social, com a sua família e com o seu nível de educação. Na sua opinião, as pessoas de Braga são atenciosas e nunca lhe colocaram barreiras – ou a fizeram sentir desrespeitada.

Firmino Alvarenga, 31 anos, Assomada (Cabo Verde)

Firmino Alvarenga, Cabo Verde

Firmino trabalha no departamento de logística da Braga Mob, uma organização responsável pelo intercâmbio de estudantes. Aliás, a formação académica foi o motivo que trouxe Firmino a Portugal, embora não tenha vivido em Braga desde o início da sua estadia no nosso país. No entanto, desde o momento que se mudou para a cidade, sentiu que tinha feito uma boa escolha. O espírito hospitaleiro das pessoas e as boas condições da cidade são os destaques de Firmino.

Gözde Yıldırım, 23 anos, Turquia

Gözde Yıldırım, Turquia | Fotografia ©Alicja Trojnar

Gözde está em Braga de passagem por intermédio da Braga Mob, onde assume as funções de tradutora para ajudar os estudantes turcos na sua chegada a Braga. Para Gözde, Braga é uma cidade que a envolve em muitos aspetos: quando chegou, ficou admirada com o charme arquitetónico, com o ar fresco, com a felicidade das pessoas. A cada dia que passa, Gözde sente-se mais integrada em Braga: “É um dos poucos sítios onde os estrangeiros não se sentem como estranhos”.

Vanessa Oliveira, 36 anos e Thiago Motta, 32 anos, Rio de Janeiro (Brasil)

Vanessa Oliveira e Thiago Motta, Brasil | Fotografia ©Alicja Trojnar

Vanessa e Thiago são casados. Vanessa é a dona de uma pastelaria chamada Soul, um local com sugestões saudáveis e saborosas em Braga: produtos sem glúten, lactose ou conservantes. Vanessa acredita que os seus doces são feitos com amor e, graças a isso, o amor chega às pessoas: “Acredito que o bem que fazemos retorna para nós em forma de felicidade e sentimentos positivos”, diz-nos. Já Thiago é fotógrafo, especializado em sessões fotográficas de família, grávidas e crianças. Interessado também em fotografia de produto, vai ajudando Vanessa a tratar da imagem da Soul. O motivo por terem escolhido Braga para viver? “É um ótimo local para abrir uma pequena empresa como a Soul. Não existem ainda muitos restaurantes ou pastelarias dedicadas a comida saudável ou vegan. Mas, acima de tudo, é uma cidade pacífica. Aqui não existe violência. Nós, que somos do Rio de Janeiro, valorizamos imenso esta tranquilidade”, assumem.

Valentino Perrara, 41 anos, Milão (Itália)

Valentino Perrara, Itália | Fotografia ©Gosia Jasińska

Valentino é designer de moda e divide-se entre Itália e Braga – meio ano lá, meio ano cá. Recentemente, Valentino tornou-se dono do Estepilha da Poncha, situado numa das principais artérias de Braga, o Largo do Paço. Servindo iguarias da ilha da Madeira, principalmente a famosa Poncha, Valentino mostra-nos uma atitude positiva perante a vida. Quanto à escolha da cidade de Braga como lar, o motivo é evidente: “É uma cidade simpática e calma. Consigo viver cá num ritmo muito menos acelerado”.

Recolha de testemunhos e fotografias por Alicja Trojnar e Gosia Jasińska

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