Revista Rua

2019-09-30T14:15:29+01:00 Cultura, Pintura, Radar

O “Sentido Figurado” nas obras de Carlos Farinha

A partir de 3 de outubro, o Museu do Oriente, em Lisboa, vai inaugurar a exposição Sentido Figurado, de Carlos Farinha.
Carlos Farinha
Redação30 Setembro, 2019
O “Sentido Figurado” nas obras de Carlos Farinha
A partir de 3 de outubro, o Museu do Oriente, em Lisboa, vai inaugurar a exposição Sentido Figurado, de Carlos Farinha.

Texto: Inês Rodrigues

Da autoria de Carlos Farinha, o Museu do Oriente vai inaugurar a exposição Sentido Figurado a 3 de outubro, com telas de grande dimensão que refletem questões de ordem social e política, numa dimensão de códigos e simbolismo de teor cartoonista.

Carlos Farinha propõe uma viagem ao reino das recordações, sob a visão de um tímido expressionismo, onde podemos observar nos dois núcleos desta exposição, Os Mapas e A Ásia, um conjunto de cenas que se unificam numa só paisagem. Nas dezasseis telas em acrílico, organizadas pela sala de exposição, compreende-se a presença de uma certa nostalgia e sentimentalismo que traçam o mapa personalizado da sua existência.

No primeiro núcleo, Os Mapas, somos surpreendidos pelas telas de grandes dimensões criadas a partir do ano de 2008, tais como: Proença-A-Nova, a vila portuguesa da qual os seus pais são originários; 31 de Juillet, representação da viagem de carro que todos os anos fazia de França para Portugal, enquanto parte integrante de uma família de emigrantes; Grande Alface, a cidade de Lisboa na qual vive e trabalha; Porto Sentido, uma metrópole pela qual sente muito carinho, tendo sido produzida a partir de um desafio colocado por um amigo; My Mapa Mundi, o mundo visto sob o ponto de vista de um português globalizado e contemporâneo.

Na segunda parte, A Ásia, são retratadas através de obras como Gourmet Tour, que corresponde à memória que detém da sua primeira visita a Pequim; A Cápsula do Tempo, uma alegoria imagética ao momento em que Portugal foi forçado a renunciar à ocupação perpétua em Macau; e Macau, um quadro elaborado num jogo animado sobre o mapeamento desta região autónoma na Ásia.

Nas palavras do escritor Richard Zimler, as pinturas de Carlos Farinha não retratam o que existe fisicamente, “mas sim, aquilo que vislumbra na sua mente quando fecha os olhos e regressa àqueles lugares, algures no passado. Ao expô-las publicamente, está a convidar-nos a entrar no seu imaginário”.

Carlos Farinha, artista natural de Santarém, cresceu na França, mas atualmente vive e trabalha em Lisboa, onde frequentou a Escola António Arroio e se licenciou em Escultura, pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Expõe desde 1990, tendo como principal foco as questões políticas e sociais, refletindo isso em teor quase cartoonista. Quem se detém sobre o seu trabalho consegue compreender que ali reside uma força vívida de pensamentos, interligados pela sua necessidade de expressar o presente com base no passado.

A inauguração do Sentido Figurado será no dia 3 outubro pelas 18h30, e estará disponível ao público até 10 de novembro. O preço é 6€ por visita. O horário é de terça-feira a domingo, das 10h às 18h. À sexta-feira o horário prolonga-se até às 22h, com entrada gratuita a partir das 18h.

Para quem aprecia uma visita guiada, existe a opção nos dias 11, 18, 25 de outubro e 8 de novembro pelas 18h30. De inscrição obrigatória, mas totalmente gratuito.

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