Revista Rua

2019-11-04T12:10:38+00:00 Cultura, Teatro

O teatro de absurdo e a decadência humana em “As Cadeiras”, de Eugène Ionescu

Considerada a melhor peça escrita por Eugène Ionescu, "As Cadeiras" estará em cena até 10 de novembro no Teatro do Bairro, em Lisboa.
©Miguel Bartolomeu
Cláudia Paiva Silva4 Novembro, 2019
O teatro de absurdo e a decadência humana em “As Cadeiras”, de Eugène Ionescu
Considerada a melhor peça escrita por Eugène Ionescu, "As Cadeiras" estará em cena até 10 de novembro no Teatro do Bairro, em Lisboa.

Um salão com duas janelas, rodeado por água, numa alusão à “ilha batida por vagas” do texto original, onde habitam duas personagens, O Velho e A Velha e onde, todas as noites, ambos recontam à exaustão um passado em Paris, uma viagem que fizeram, mas cuja distância temporal é nebulosa.

Ainda assim, numa dessas noites, a Velha convence o companheiro a contar a sua epopeia a um público, contratando-se para tal um Orador. À medida que os convidados vão chegando, a sala enche-se de cadeiras, mas nesse momento impera a questão ao espectador: quem são e onde estão esses convidados, esse maravilhoso público, em forma de Humanidade que os irá escutar? E é nesse súbito instante que percebemos não haver qualquer público, qualquer Orador – subentende-se a sua “existência” pela variação dos diálogos, pela entoação das vozes, que de início se mostram fortes e confiantes, como se de um verdadeiro discurso se tratasse, passando a quase sussurros de “um” Velho, contando num registo íntimo e pessoal a sua vida. É também neste quadro, onde aqui e ali vão pautando momentos mais cómicos, que se percebe a farsa trágica que nos é apresentada: dois idosos, ambos acima dos 90 anos, sós, possivelmente esquecidos, possivelmente sem família, que são obrigados a viver entre o sonho e o alheamento, a sua própria condição – essa sim, estando consciente para ambos: a Solidão.

©Miguel Bartolomeu

Ficha Técnica

Texto: Eugène Ionesco;
Tradução: Fátima Ferreira e Luís Lima Barreto;
Encenação: António Pires;
Interpretação: Carmen Santos, Luís Lima Barreto, Rafael Fonseca;
Música: Miguel Sá Pessoa;
Cenografia: Alexandre Oliveira;
Figurinos: Luís Mesquita;
Desenho de Luz: Rui Seabra;
Desenho de Som: Paulo Abelho e Miguel Sá Pessoa;
Movimento: Paula Careto;
Caracterização: Ivan Coletti;
Construção Cenário: Fábio Paulo;
Costureira: Rosário Balbi;
Operador de luz: José Camacho;
Operador de som: Diogo Neto;
Ilustração: Joana Villaverde;
Fotografia de Cena: Miguel Bartolomeu;
Vídeos de Cena António Pinhão Botelho;
Direção de cena: Hugo Mestre Amaro;
Frente de Sala e Bilheteira: Sofia Estriga;
Produção executiva: Ivan Coletti;
Administração de produção: Ana Bordalo;
Comunicação: Maria João Moura;
Produtor: Alexandre Oliveira;
Produção: Ar de Filmes / Teatro do Bairro

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