Revista Rua

2018-07-02T08:07:23+00:00 Opinião

Ode estival

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João Lobo Monteiro
João Lobo Monteiro
2 Julho, 2018
Ode estival

Tenho de começar esta crónica sendo sincero, que é um costume na minha pessoa, até porque não vejo esta nossa relação duradoura de leitor e… o que quer que eu seja para vocês, a continuar a sê-lo de outra maneira que não com sinceridade: quando me disseram que, na edição deste mês, era para escrever sobre o verão, achei um bocado precipitado, porque olhava para a janela e via chuva a cair, sentindo o frio do sexto mês de janeiro seguido neste ano.

Continuo a achar que é imprudente falar sobre isso, mas pronto, eu sou bem mandadinho. E, novidade, vou falar de algo que conheço. Não que isso vá mudar muito em relação à fiabilidade do que escrevo, mas pronto, é o que temos.

A bela zona costeira minhota que podem ver nas páginas anteriores é por mim conhecida desde 1998, altura em que comecei a passar férias em Moledo. É, estamos em pleno cumprimento de 20 anos desta efeméride balnear e, tal como então, eu prefiro ficar em casa a ver um México-Coreia do Sul do que ir para a praia. Julguem-me.

O espaço que aqui tenho para perorar não chega para tudo o que tenho contra as praias em geral, mas acho que o facto de terem areia e mar resume bem as contrariedades que me causam. Até porque, por mais que tente, não ganho cor, portanto os esforços que faço não valem a pena. Outra razão é o facto de reclamarem comigo, ora se eu não vou para a praia, ora se estou quieto, deitado na toalha, porque “não entendo como aguentas o calor aí deitado, sem ires sequer molhar os pés”, ignorando o facto de que o mar, não só em Moledo, mas nesta zona da costa, é um icebergue derretido.

Outro grande atrativo que Moledo passou a ter nos últimos anos foi o Sonic Blast, um festival de, vá, música, que junta bastante gente, barulho na madrugada e garrafas de cerveja nos passeios.

A particularidade de haver muita nortada, que, como já aqui disse, se deve à quantidade de emigrantes de França que vêm bufar, pfff, para cá, também desfavorece. Depois, se não está nortada, está mau tempo. Portanto, tenho de confessar aos meus tios que eu e os meus primos, há uns anos, nos entretínhamos a jogar à bola no jardim. Os buracos que existiam na relva não eram de toupeiras nem de outros tratamentos, éramos mesmo de nós sermos agressivos na disputa da bola. E correr na praia cansa muito e não há espaço para jogar. Pronto, desculpem.

Outro grande atrativo que Moledo passou a ter nos últimos anos foi o Sonic Blast, um festival de, vá, música, que junta bastante gente, barulho na madrugada e garrafas de cerveja nos passeios. É muito agradável, sobretudo por se realizar junto a um parque infantil onde, em tempos idos, encontrava o maestro Vitorino d’Almeida, que tinha casa lá perto. Viram, fui do metal à música clássica em poucas linhas.

Recomendo vivamente que, neste verão, compareçam nesta zona. Correm o risco de me encontrar, é chato, mas de resto é muito agradável. Come-se bastante bem e há um contacto próximo com a natureza. Podem ter a sorte, como aconteceu comigo e alguns familiares, de vos aparecerem cabras à porta – das que fazem ‘mééé’, se bem que com as outras costuma ser tranquilo – e terem de as guiar novamente até ao pasto. Grandes histórias. Tal como a vida, Moledo é bué cenas.

Sobre o autor:
Tenho dois apelidos como os pivôs de telejornal, mas sou o comunicador menos comunicativo que há. Bom moço, sobretudo.

Ilustração por:
Isaac Barbosa

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