Revista Rua

2021-07-01T18:40:43+01:00 Histórias

Oficina da Formiga, a arte da faiança

A Oficina da Formiga é um ecoar de tradição, em pleno século XXI.
Fotografia ©Ana João Araújo
Andreia Filipa Ferreira1 Julho, 2021
Oficina da Formiga, a arte da faiança
A Oficina da Formiga é um ecoar de tradição, em pleno século XXI.

Foi em Ílhavo, por obra do destino, que o nosso caminho se cruzou com a porta da Oficina da Formiga, uma moradia aparentemente normal, não fosse a pequena indicação denunciar um segredo em forma de arte tradicional lá dentro. Com Jorge Saraiva e a esposa, descobrimos um dos encantos da cerâmica portuguesa que a nossa memória cultural eterniza.

Fotografia ©Ana João Araújo

Se fizermos uma busca no nosso portefólio de memórias, percebemos facilmente que em vários momentos da nossa vida fomos surpreendidos pela beleza das peças de cerâmica branca com pinturas feitas à mão: nas loiças requintadamente posicionadas na vitrina do armário da casa da avó, no serviço de excelência de restaurantes cinco estrelas, nas lojas de produtos portugueses… A estas peças de cerâmica branca chamamos faiança e a sua pintura é uma arte muito tradicional nas zonas de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Sacavém, Caldas da Rainha e até Gaia. São peças carregadas de simbolismo, com pedacinhos da história popular cuidadosamente ornamentados através de desenhos com motivos naturais, como peixes, aves, flores ou referências ao folclore português. Depois de pintada, a faiança é “vidrada”, num processo manual que respeita a mesma técnica desde o século XIX, seguindo depois para o forno para o processo de cozedura que pode demorar dois dias. É um processo minucioso, mas que coloca em evidência todo o esplendor da tradição cerâmica portuguesa.

Fotografia ©Ana João Araújo

É neste universo, entre cerâmicas por pintar e peças acabadas de sair do forno, que encontramos Jorge Saraiva, um homem que toda a sua vida esteve envolvido nesta arte: os seus pais e até o marido da sua ama eram trabalhadores deste ofício. Em 1992, fundou a Oficina da Formiga, em Ílhavo, e ao longo do tempo foi carimbando uma posição de excelência – há quem venha de propósito da Ásia para conhecer o seu trabalho e o seu método. Procurando influências nos seus mestres, experimentando os seus dotes artesanais, Jorge dá continuidade a uma arte que reproduz motivos e cores que estão marcados na nossa memória coletiva, mas que há muito que os ambientes familiares deixaram de valorizar, dando primazia a peças mais vanguardista e de design contemporâneo.

Com reproduções fiéis dos formatos e motivos de louça utilitária fabricada na segunda metade do século XIX e na primeira do século XX, este atelier – que em cada peça coloca um pequeno símbolo da formiga para garantir a autenticidade – é especialista na produção de pratos, travessas, bilhas, tigelas, loiças de casa de banho e outros produtos feitos com técnica de azulejo e de mão livre que chegam à nossa casa. À nossa e à de muitas pessoas em todo o mundo! Japão, Rússia, França, EUA, Holanda, Canadá ou Austrália são alguns dos países para onde a Oficina da Formiga exporta as suas peças.

Com parcerias importantes com restaurantes e até hotéis, como o exemplo do Six Senses Douro Valley que tem disponíveis loiças de casa de banho exclusivas produzidas pelo atelier, a Oficina da Formiga é um ecoar de tradição, em pleno século XXI.

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