Revista Rua

2019-09-19T12:19:37+01:00 Opinião

Os 15 anos do melhor Funeral de sempre

Música
José Manuel Gomes
19 Setembro, 2019
Os 15 anos do melhor Funeral de sempre
Fotografia ©Nuno Sampaio

14 de setembro de 2004 não foi um dia normal. Não foi um típico dia de meio do mês que dita o fim do verão, não foi um dia em que ninguém mais se lembraria, não foram apenas mais 24h perdidas da nossa existência. Neste dia, o mundo da música e das artes recebeu um daqueles marcos pródigos que viria a tornar-se – na minha opinião – no melhor disco lançado desde o início deste século; ainda assim o é até aos dias de hoje. Foi um nascimento e um Funeral ao mesmo tempo.

Poupemo-nos aos dados biográficos desnecessários e olhemos para o que se passou há 15 anos e o impacto que isto teve. Arcade Fire, uma banda do Canadá, aparece do nada, de rompante, com uma pedra enorme e atira-a para o charco. A cena musical parou e abanou com esta autêntica pedrada no charco que foi o aparecimento do seu disco de estreia, o tal que para mim é o melhor desde o início deste século, Funeral.

O tempo tem esse condão de definir – lá está, a seu tempo – o que é ou não um clássico, tal como já escrevi noutro artigo e este foi um clássico instantâneo. Do primeiro ao último tema, nuns perfeitos 48 minutos de música, não há nota ou música que não se queira passar à frente; ainda nos dias de hoje é assim. 2004 foi, sem dúvida, um ano de eleição nos lançamentos discográficos, mas esta foi a masterpiece duma geração que nos inícios dos ’00 até, de certa forma, aos dias de hoje, veio transformar e trazer algo de novo para o chamado público da música alternativa. Deste disco saíram temas como Neighborhood #3 (power out), Haiti, Rebellion (lies) ou Wake Up que ainda hoje se mantêm nas playlist dos concertos mais recentes do grupo.

“Passaram-se 15 anos e o Funeral ainda é dos discos mais ouvidos diariamente nas plataformas de streaming. Foi um disco que mudou tudo e é um clássico moderno, que elevou Arcade Fire a um patamar que lhes permitiu chegar ao topo da hierarquia mundial e que, hoje em dia, são cabeças de cartaz em todo e qualquer festival que toquem”

Pessoalmente falando, descobri o grupo com o primeiro tema escolhido para single, precisamente o Neighborhood #3 (power out), mas não foi algo que me chamasse verdadeiramente à atenção. O dia em que tudo isso viria a mudar e em que nunca mais larguei Arcade Fire foi naquele mítico final de tarde, no Festival Paredes de Coura, em 2005, quando vi um grupo de quem não esperava grande coisa dar um concerto absolutamente arrebatador e inesquecível. Ainda hoje esse concerto é recordado por milhares de pessoas. Daí para a frente nunca mais os perdi do ouvido.

Recordo-me de já ter o disco e de o ouvir todas as noites antes de adormecer e desligar quase sempre na mesma música, a Neighborhood #2 (laika) e ouvir “Alexander, our older brother set out for a great adventure. He tore our images out of his pictures he scratched our names out of all his letters. Our mother shoulda just named you Laika!”. Era um disco de sonho, de facto. Foi também um dos melhores discos de estreia da história e isso só dá mais mérito à obra que saiu posteriormente de Arcade Fire. Apesar de com o último disco, editado em 2017, ter havido algumas críticas más, o facto é que a discografia da banda é praticamente imaculada, onde o pior disco é equivalente ao melhor trabalho de uma outra banda qualquer do género.

Passaram-se 15 anos e o Funeral ainda é dos discos mais ouvidos diariamente nas plataformas de streaming. Foi um disco que mudou tudo e é um clássico moderno, que elevou Arcade Fire a um patamar que lhes permitiu chegar ao topo da hierarquia mundial e que, hoje em dia, são cabeças de cartaz em todo e qualquer festival que toquem e esgotam arenas em qualquer lado do mundo. Sem grandes floreados e mega produções fizeram o simples soar a genial. De Bowie, passando por Kate Bush e mesmo Springsteen, está tudo lá.

Daqui a 15 anos celebremos os 30 anos de Funeral.

Sobre o Autor:
Signo escorpião, sei informática na ótica do utilizador, programador do espaço cultural Banhos Velhos e sou um eterno amante de música, do cinema e do Sozinho em casa.

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