Revista Rua

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Os 30 melhores livros de sempre

Esta é a seleção da RUA. Há tantos mais!
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira9 Agosto, 2019
Os 30 melhores livros de sempre
Esta é a seleção da RUA. Há tantos mais!

Hoje comemora-se o Dia dos Amantes dos Livros e, por isso, decidimos fazer uma lista dos melhores livros de sempre. Já leu algum destes? Que livros juntaria a esta seleção da RUA?

O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas (1844)

É um dos romances mais afamados da literatura francesa e foi escrito por Alexandre Dumas em colaboração com Auguste Maquet. É considerado, a par de Os Três Mosqueteiros, uma das mais populares obras de Dumas e é muitas vezes indicado nas listas de “melhores livros de todos os tempos”. O nome do romance surgiu quando Dumas a caminho da Ilha Monte-Cristo, com o sobrinho de Napoleão, disse que usaria a ilha como cenário de um romance. O Conde de Monte Cristo traz uma história de amor, vingança e traição. Edmond Dantès perde tudo quando é traído por um companheiro invejoso, mas depois, com nova identidade, ele busca vingança.

Dom Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes (1605)

É um livro escrito pelo romancista, dramaturgo e poeta espanhol Miguel de Cervantes Saavedra e a sua primeira edição foi publicada em Madrid no ano de 1605. Com 126 capítulos, divididos em duas partes, este livro surgiu num período de grande inovação e diversidade por parte dos escritores ficcionistas espanhóis. Este romance é uma sátira que conta a história de um cavaleiro que, na companhia do seu fiel escudeiro Sancho Pança, decide partir para viver uma aventura na região de La Mancha, no centro de Espanha. Por montes e vales, o cavaleiro luta contra moinhos de vento e cavaleiros, fruto da sua imaginação, tudo em nome da justiça.

Odisseia, Homero (século VIII a.C.)

É um dos principais poemas épicos da Grécia Antiga e é uma sequência de Ilídia, também do mesmo autor. Historicamente, esta obra é considerada a segunda (já que a primeira é Ilídia) obra da literatura ocidental. A Odisseia é um poema elaborado ao longo de séculos de tradição oral, mas a sua forma escrita surge, provavelmente, no final do século VIII a.C. Com diferentes dialetos, inclusive reminiscências do grego antigo, Odisseia narra a história e as aventuras de Ulisses, o herói que, após a destruição da cidade de Tróia, procura regressar à sua ilha de Ítaca. No entanto, a vontade dos deuses levam-no a outros destinos.

Moby Dick, Herman Melville (1851)

Considerado um livro revolucionário para a época, Moby Dick foi escrito por Herman Melville e é inspirado no naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard, que ao perseguir um “grande animal marinho de cor branca”, ou seja, uma baleia, afundou.  Com descrições imaginativas do personagem-narrador, com reflexões pessoais e grandes trechos de não-ficção sobre baleias, métodos de caças ou detalhes sobre as embarcações, este livro conta a história pelas palavras do marinheiro Ishmael que, com o Capitão Ahab e o primeiro imediato Starbuck, viaja a bordo do baleeiro Pequod.

Guerra e paz, Leo Tolstói (1865)

É um romance histórico escrito pelo russo Liev Tolstói e é uma das obras mais volumosas da história da literatura universal. Considerado um dos melhores livros de sempre, esta obra fala das guerras travadas por Napoleão contra as monarquias da Europa e é uma reflexão sobre as origens e consequências dos conflitos. Guerra e Paz criou um novo género de ficção e, apesar de atualmente ser considerada um romance, esta obra quebrou tantos códigos dos romances da época que diversos críticos não a consideraram como tal. Nesta obra, Tolstói convida à reflexão sobre o sentido da vida, alimentando questões filosóficas enquanto denuncia o preconceito e a hipocrisia da nobreza.

A Divina Comédia, Dante Alighieri (1304-1321)

Com a sua data de escrita envolvida em suposições, A Divina Comédia, escrita pelo italiano Dante Alighieri, é um dos maiores clássicos poemas de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial. Ultrapassando gerações, esta obra está dividida em três partes, três reinos do além-túmulo: Inferno, Purgatório e Paraíso. A maior riqueza desta obra está nas alegorias, que tornam o relato de Dante atemporal.

Hamlet, William Shakespeare (1599-1601)

A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, geralmente abreviada como Hamlet, é uma tragédia do poeta, dramaturgo e ator inglês William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. Esta peça, situada na Dinamarca, traz a história de Príncipe Hamlet e como ele tenta vinga a morte de seu pai, o rei, que teria sido envenenado por Cláudio, o seu próprio irmão. Traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade são as principais temáticas que marcam a história.

Cem anos de solidão, Gabriel García Márquez (1967)

Escrita pelo colombiano Gabriel García Márquez, agraciado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982, a obra Cem anos de solidão é uma das mais importantes da literatura latino-americana. É, aliás, a obra mais lida e traduzida em todo o mundo. Já foi, inclusive, considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de Dom Quixote de la Mancha. A história do livro conta as peripécias da família Buendía-Iguarán, uma história repleta de milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias e condenações, utilizando o estilo conhecido como realismo mágico e do romance histórico.

Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813)

É um romance já adaptado ao cinema, escrito pela britânica Jane Austen. Publicado pela primeira vez em 1813, esta história conta a maneira como Elizabeth Bennet, a segunda de cinco filhas de um proprietário rural da cidade fictícia de Meryton, em Hertfordshire, lida com problemas relacionados com educação, cultural, moral e casamento na sociedade do século XIX, em Inglaterra. De todas as filhas, a quem os pais procuram um marido, Elizabeth destaca-se pela rebeldia, inteligência e persistência às regras sociais.

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald (1925)

É um romance escrito pelo americano F. Scott Fitzgerald e foi publicado pela primeira vez a 10 de abril de 1925. A história relata o caos da Primeira Guerra Mundial e a forma como a sociedade americana vive na década de 1920. Esta obra é uma crítica ao “sonho americano” e está classificada em segundo lugar na lista dos 100 melhores romances do século XX, pela editora Modern Library. Neste romance, Jaz Gatsby é um oficial da marinha que, depois da sua amada Daisy se ter casado com um homem extremamente rico, decide enriquecer a todo o custo para reconquistá-la. O Grande Gatsby é um retrato de um mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente.

Lolita, Vladimir Nabokov (1955)

Escrito pelo romancista russo-americano Vladimir Nabokov, Lolita é uma obra de 1955 considerado um dos romances mais célebres de sempre. É um relato apaixonado, refinado, irreverente e sensual que espelha o modo de vida americano. A história apresenta um homem mais velho e uma rapariga que, apesar dos seus 12 anos, é tudo menos ingénua. O livro conta a obsessão do homem e a perversidade da miúda. Lolita está incluído na lista dos 100 melhores romances em língua inglesa da revista Time publicados entre 1923 até 2005 e é também quarto na lista de 1998 da Modern Library dos 100 melhores romances do século XX.

Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll (1865)

As Aventuras de Alice no País das Maravilhas é o nome completo da obra infantil mais conhecida de Charles Lutwidge Dodgson, reconhecido sob pseudónimo Lewis Carroll. O livro conta a história de uma menina chamada Alice que cai numa toca de coelho que a leva para um mundo fantástico habitado por criaturas peculiares, numa lógica de absurdo – característica dos sonhos. É uma obra repleta de sátiras dirigidas a amigos e inimigos do autor, paródias sobre poemas populares infantis ingleses do século XIX e também enigmas (uma das razões do sucesso da obra). É considerada uma obra de difícil interpretação pois contém dois livros num só texto: um para crianças e outro para adultos.

1984, George Orwell (1949)

Nineteen Eighty-Four ou apenas 1984 é um romance distópico do autor inglês George Orwell. Nesta obra, o autor mostra de que maneira uma sociedade oligárquica consegue reprimir qualquer indivíduo que se opuser a ela. A obra popularizou o adjetivo orwelliano, que descreve o engano oficial, a vigilância secreta e a manipulação da história registrada por um Estado totalitário ou autoritário. Em 2005, o romance foi escolhido pela revista Time como um dos 100 melhores romances da língua inglesa de 1923 a 2005.

O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry (1943)

Escrito pelo escritor, ilustrador e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho é uma obra publicada em 1943 nos EUA. Conta-se que esta obra é inspirada nas experiências de Saint-Exupéry como aviador no Deserto do Saara, como uma espécie de livro de memórias. É um conto que fala de solidão, amizade, amor e perda, na figura de um jovem príncipe que vivia num pequeno planeta onde cuidava de uma rosa, tendo decidido depois conhecer novos lugares. É uma das obras mais traduzidas do mundo, tendo sido publicada em mais de 220 idiomas e dialetos. As ilustrações presentes no livro são originalmente feitas pelo autor.

O Processo, Franz Kafka (1925)

Der Prozess, em original alemão, é um romance do escritor checo Franz Kafka que, nesta crítica à burocracia, conta a história de Josef K. que numa certa manhã é processado e sujeito a um longo processo por um crime que desconhece. Como ninguém lhe fala sobre o crime, Josef K. não consegue defender-se, entrando numa jornada impossível de resolver. Esta obra foi editada após a morte do autor, que tinha entregue os seus manuscritos a um amigo pessoal chamado Max Brod, que o editou e publicou em 1925.

A Montanha Mágica, Thomas Mann (1924)

Considerado um dos romances mais influentes da literatura mundial do século XX, A Montanha Mágica é um livro escrito pelo alemão Thomas Mann, escritor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1929. É uma narrativa sobre o tempo ou viagem interior de um jovem alemão honrado e ávido de experiências. Entre sátira, seriedade, humor, ironia, luz e niilismo, este romance é uma das obras a ler uma vez na vida.

Um Estudo em Vermelho, Arthur Conan Doyle (1888)

É a primeira história do célebre detetive Sherlock Holmes, sempre acompanhado pelo seu fiel amigo John Watson. Um Estudo em Vermelho é um romance policial escrito por Sir Arthur Conan Doyle, publicado originalmente pela revista Beeton’s Christmas Annual em novembro de 1887 – apesar de o livro só ser lançado oficialmente em julho de 1888. A história apresenta o enigma de um crime, que leva a polícia a recorrer à perícia de Sherlock Holmes. Um homem é encontrado morte, sem ferimentos e cercado de manchas de sangue. No seu rosto, há uma expressão de pavor. A busca do assassino é orientada pelas pertinentes deduções do detetive.

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago (1995)

É um romance do escritor português José Saramago, publicado em 1995 e traduzido em diversas línguas. É um dos mais conhecidos romances do autor que foi agraciado com o Prémio Nobel da Literatura em 1998. Memorial do Convento, O Evangelho segundo Jesus Cristo e A Jangada de Pedra são também títulos inconfundíveis do escritor português falecido em 2010. Ensaio sobre a Cegueira conta a história da epidemia de cegueira branca que se espalha por uma cidade, causando um grande colapso na vida das pessoas e das estruturas sociais.

As Aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain (1884)

É a obra-prima de Mark Twain, um escritor norte-americano que foi reconhecido por Hemingway como “uma inovação, uma nova descoberta da língua inglesa”. As Aventuras de Huckleberry Finn apresenta a história de um rapaz chamado Huckleberry (amigo de Tom Sawyer) e das suas aventuras no rio Mississippi numa balsa. Com comédia e ironia, contam-se as viagens, os azares e as perseguições vividas por Huckleberry Finn, acompanhado pelo escravo Jim. É um livro que atualmente pode ser lido como referência ao racismo, violência e liberdade.

Grandes esperanças, Charles Dickens (1861)

Contando a história de Philip Pirrip, este livro de Charles Dickens é dividido em três volumes e foi adaptado para o cinema e televisão várias vezes. O jovem órfão Philip Pirrip – mais conhecido por Pip – foi criado pela sua irmã, que mora com o ferreiro Joe numa pequena aldeia de Kent, e é convidado, um dia, pela Miss Havisham, uma senhora misteriosa muito rica, para ser companheiro de Estella, a jovem protegida da misteriosa mulher. No entanto, há um plano maléfico. Grandes Esperanças é a obra literária de maior sucesso de Dickens e um dos melhores livros de sempre.

Ficções, Jorge Luís Borges (1944)

É uma coleção de contos do escritor argentino Jorge Luis Borges, considerado pela crítica uma das obras-primas da literatura latino-americano do século XX. Dividida em duas partes, esta obra alcançou o Prémio Internacional de Literatura atribuído por editores de diversos países, como França, EUA, Inglaterra, Alemanha, Itália e Espanha, em 1961.

Homem Invisível, Ralph Ellison (1952)

Escrito por Ralph Ellison e publicado em 1952, Invisible Man ou Homem Invisível em português é a história sobre um afro-americano cuja cor lhe dava invisibilidade. É um livro que aborda vários temas sociais, sobretudo os problemas que a comunidade negra nos EUA enfrentava no início do século XX. Racismo, nacionalismo negro, identidade negro, marxismo, políticas reformistas sociais e individualismo são temas aqui desenvolvidos. Este livro venceu o prémio prêmio National Book Award for Fiction em 1953 e está na lista dos 100 melhores romances em língua inglesa do século XX, pela editora Modern Library.

À espera de Godot, Samuel Beckett (1952)

En attendant Godot ou À espera de Godot é uma peça de teatro escrita originalmente em francês pelo dramaturgo irlandês Samuel Beckett. Apenas em 1955 Beckett recriou a sua obra em língua inglesa. É considerado um dos principais textos do teatro do absurdo e a principal obra de Samuel Beckett. A história traz à cena Estragon e Vladimir, que aparentemente aguardam por um indivíduo chamado Godot. Mas nada é esclarecido a respeito da identidade de Godot – nem o que desejam dele.

A Sibila, Agustina Bessa-Luís (1954)

É um romance da portuguesa Agustina Bessa-Luís publicado em 1954 cujo título remete para as figuras clássicas das sibilas, como a Delfos. A protagonista deste romance é Quina e a história revela a grande mudança operada na jovem Quina, quando ela, mercê de dotes que entretanto se revelam, se descobre capaz de domínio sobre os que o rodeiam. Este romance venceu o Prémio Eça de Queiroz e é um dos melhores livros da literatura portuguesa.

Rumo ao Farol, Virginia Woolf (1927)

Publicado a 5 de maio de 1927, To the Lighthouse ou Rumo ao Farol é um romance da escritora, ensaísta e editora britânica Virginia Woolf, reconhecida como uma das mais importantes figuras do modernismo. Este livro conta a história dos Ramsays e das suas visitas à Ilha de Skye, na Escócia, entre 1910 e 1920. Em 1998, a Modern Library colocou este romance no 15.º lugar da sua lista de 100 melhores romances escritos em inglês do século XX.

Livro do Desassossego, Fernando Pessoa (1982)

É uma das maiores obras do português Fernando Pessoa e é assinado pelo seu semi-heterónimo Bernardo Soares. Sujeito a várias interpretações sobre o modo de o ler ou de o organizar, este Livro do Desassossego já foi traduzido para diversas línguas, como espanhol, alemão, italiano, inglês, francês, grego, chinês, japonês, búgaro, holandês ou húngaro.

Os Cus de Judas, António Lobo Antunes (1979)

É o segundo livro do português António Lobo Antunes, editado pela primeira vez em 1979. Os Cus de Judas é um relato doloroso das vivências de Lobo Antunes em Angola, no qual o narrador deixa transparecer feridas ainda bem abertas. Traz a voz do autor para contar a sua versão dos factos sobre a guerra que não passou de um “gigantesco” e “inacreditável” absurdo.

Anna Karenina, Liev Tolstói (1877)

É um romance do escritor russo Liev Tolstói, o mesmo que escreveu Guerra e Paz, já referido nesta listagem. Anna é jovem nobre, condenada pelo seu próprio destino que a levou a casar com um homem que não amava. Conformada, Anna vive os seus dias até que é surpreendida por uma paixão que não consegue controlar. No entanto, este romance de Tolstói não é apenas uma bela história de amor. As questões morais são o principal destaque da obra considerada já muitas vezes como “o melhor romance já escrito”.

Húmus, Raul Brandão (1917)

Publicado no ano da revolução soviética, Húmus é a obra-prima do português Raul Brandão, ocupando um lugar de destaque na história da ficção portuguesa do século XX. Com um toque de socialismo cristão, o livro começa e acaba fazendo referências à morte, tal como remete o título – húmus significa “camada superior do solo, composta em especial de matéria orgânica, decomposta ou em decomposição”.

O Remorso de Baltazar Serapião, Valter Hugo Mãe (2006)

Do escritor português Valter Hugo Mãe, publicado pela primeira vez em 2006, O Remorso de Baltazar Serapião é um romance divertido e cruel que assenta na forma como as mulheres assistem ao mundo como presas dos homens. Com prefácio de José Saramago, este livro é um marco na literatura portuguesa contemporâneo, tendo sido agraciado com o Prémio Literário José Saramago em 2007.

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