Revista Rua

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Os filmes portugueses que tem mesmo de ver… pelo menos uma vez na vida!

A lista é variada, mas há tantos outros que ficaram de fora... Que outras sugestões acrescentaria?
Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
Andreia Filipa Ferreira16 Agosto, 2019
Os filmes portugueses que tem mesmo de ver… pelo menos uma vez na vida!
A lista é variada, mas há tantos outros que ficaram de fora... Que outras sugestões acrescentaria?

Numa altura em que o cinema português desperta o interesse nacional e internacional, depois do sucesso de Variações (de João Maia) e de A Herdade (de Tiago Guedes), achamos que devíamos partir à descoberta do cinema português. Ao longo dos anos, foram muitos os filmes que nos surpreenderam e mostraram o talento português no grande ecrã. Lembra-se destes?

O Pátio das Cantigas, de Francisco Ribeiro (1942)

Por altura das festas dos Santos Populares num típico bairro lisboeta, um grupo de pessoas vive o seu quotidiano, entre amores e desamores, paixões e ciúmes. A rivalidade entre Narciso e Evaristo é um dos destaques desta comédia, que conta com o ator Vasco Santana no papel de Narciso. É um filme que traz um jogo de equívocos e duplos sentidos, numa comédia que marcou gerações – e mereceu um remake em 2015.

Aniki-Bóbó, de Manoel de Oliveira (1942)

É um filme imprescindível no panorama do cinema português e um dos principais quando pensamos na carreira do inconfundível Manoel de Oliveira, o cineasta português falecido em 2015. Aniki-Bóbó foi a primeira longa-metragem de ficção de Manoel de Oliveira, embora com certos traços realistas. Baseado no conto de João Rodrigues de Freitas, Os Meninos Milionários, este filme estreou em 1942 e ilustra as aventuras e os amores de rapazes de baixa condição social, na cidade do Porto. A história recua à década de 40, ao auge do regime fascista de Oliveira Salazar. Teresinha, Carlitos e Eduardo são os personagens principais, um autêntico triângulo amoroso.

Os Verdes Anos, de Paulo Rocha (1963)

Realizado pelo cineasta português Paulo Rocha, falecido em 2012, Os Verdes Anos é um filme que estreou a 29 de novembro de 1963 e inaugurou o chamado Novo Cinema Português – destaque também para o filme Dom Roberto (1962), de José Ernesto de Sousa neste leque de Novo Cinema Português. Este filme, para além de mostrar influências do cinema francês da altura, corta radicalmente com os mandamentos cinematográficos do salazarismo, criando um retrato da sociedade lisboeta – realçando principalmente o mal-estar e a sensação de isolamento cultural dos jovens, assim como a transformação de Lisboa para um contexto mais urbano, mais próximo das capitais europeias, apesar do ambiente provinciano. A história apresenta Júlio, de 19 anos, que tenta a sua sorte em Lisboa, com o ofício de sapateiro. No entanto, a cidade inquieta Júlio, que se sente num ambiente estranho e hostil.

Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro (1976)

É um documentário ficcionado que nos apresenta o povo como protagonista. É uma etnoficção, ou seja, retrata personagens típicas da Terra Fria, o nordeste montanhoso do nosso país. É um trabalho que representa o Novo Cinema e ficou para a história do cinema português por ter sido uma das primeiras docuficções portuguesas. Os hábitos, o ambiente rural, a dureza da vida, as relações das pessoas entre si e com o meio são alguns dos destaques desta história.

Silvestre, de João César Monteiro (1981)

Falecido em 2003, João César Monteiro foi o cineasta responsável pela longa-metragem de ficção Silvestre, estreada a 6 de maio de 1982. O filme conta a história da filha de um nobre que dá abrigo a um estranho num momento em que o seu pai se encontra ausente em viagem para anunciar ao rei o casamento da rapariga. Com um olhar de fantasia e uma maneira lírica de filmar explorando a cor, João César Monteiro apresenta neste filme as consequências daquele momento, que envolve um cavaleiro e uma tentativa de resgate. Maria de Medeiros surge neste filme, apenas com 15 anos.

O Bobo, de José Álvaro Morais (1987)

É um trabalho do realizador José Álvaro Morais, natural de Coimbra e falecido em 2004. Bobo é um filme ímpar, com a transcendência dos sentimentos sobre a miséria moral generalizada e a futilidade artística da década de 1980 como pontos fundamentais. A produção de Bobo durou uma década, mas o resultado final coloca em evidência a arte da montagem e remontagem.

Tempos Difíceis, de João Botelho (1988)

Realizado e escrito por João Botelho, este filme a preto e branco é luso-britânico, baseado no romance Hard Times, de Charles Dickens. Com Henrique Viana, Julia Britton, Isabel de Castro, Isabel Ruth e Eunice Muñoz no elenco, este drama estreou em Portugal a 30 de setembro de 1988 e foi indicado para o Óscar de melhor filme estrangeiro, em 1989. Este trabalho posicionou João Botelho como cineasta em Portugal e no mundo. A história fala-nos de negócios e dos interesses de casamentos combinados.

Recordações da Casa Amarela, de João César Monteiro (1989)

Esta é a primeira obra de uma trilogia em que João César Monteiro se apresenta com o seu alter-ego, João de Deus. O filme traz-nos a história de um indivíduo de meia-idade que vive no quarto de uma pensão barata na zona velha e ribeirinha da cidade. Doente, o indivíduo é expulso da pensão depois de uma tentativa frustrada contra o pudor da filha da dona da pensão. É um dos filmes considerados mais “equilibrados e bem conseguidos” do cineasta. Aliás, Recordações da Casa Amarela foi até galardoado com o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1989. Em 1995, o mesmo realizador apresenta a segunda parte da trilogia de Deus, com o filme A Comédia de Deus.

Os Mutantes, de Teresa Villaverde (1998)

Os Mutantes é um filme de Teresa Villaverde que é contado através do ponto de vista de três adolescentes, um bando a viver a dura realidade da pobreza e da burocracia de um sistema que os devia apoiar. Esses são Os Mutantes. Gravidez na adolescência, racismo pós-colonial, crime, violência e exploração sexual são temas apresentados neste filme.

O Fantasma, de João Pedro Rodrigues (2000)

O Fantasma é o primeiro filme de João Pedro Rodrigues, uma produção independente realizada pela Rosa Filmes e estreada em 2000. No destaque desta história está a atração sexual de um jovem lixeiro de Lisboa, a sua relação obsessiva e a promiscuidade que liberta os seus fantasmas.

Alice, de Marco Martins (2005)

Realizado por Marco Martins, Alice é a sua primeira obra de ficção, com estreia a 6 de outubro de 2005. Com poucas palavras, despido de artifícios teatrais, explorando os estados de alma, Alice é um filme focado no misterioso desaparecimento de uma criança de três anos. Elogiado pela crítica e com uma presença distinta em vários festivais de cinema, Alice foi destacado com o prémio Regards Jeunes da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Nuno Lopes, Beatriz Batarda e Miguel Guilherme fazem parte do elenco.

Mal Nascida, de João Canijo (2007)

Protagonizado por Anabela Moreira, Mal Nascida é um filme de João Canijo que apresenta um enredo que parece uma tragédia grega numa aldeia na província. Enlouquecida, maltratada e humilhada, a personagem Lúcia sobrevive com a lembrança do crime e da traição da mãe, gritando a sua dor inconsolável após o assassinato do pai – lutando para o dia da vingança.

Filme do Desassossego, de João Botelho (2010)

Baseado no Livro do Desassossego do escritor português Fernando Pessoa, o Filme do Desassossego é realizado por João Botelho com Alexandra Lencastre, Catarina Wallenstein, Margarida Vila-Nova e Rita Blanco no elenco. É uma das mais estimulantes obras do cinema, transformando a poesia em cinema, tornando real o sonho. A ação decorre em três dias e três noites, num quarto de uma casa na Rua dos Douradores, em Lisboa. A história apresenta Bernardo Soares, um solitário ajudante de guarda-livros, que vai anotando os seus pensamentos e angústias num livro.

Mistérios de Lisboa, de Raoul Ruiz (2010)

Raúl Ruiz ou Raoul Ruiz foi um cineasta chileno radicado em França, falecido em 2011. No entanto, Mistérios de Lisboa é um filme português, baseado no livro homónimo de Camilo Castelo Branco. O filme conta a história de Pedro, um órfão de 14 anos que é a personagem que interliga as várias histórias, em Portugal, França, Itália e Brasil.

Sangue do Meu Sangue, de João Canijo (2011)

Escrito e realizado por João Canijo, o filme Sangue do Meu Sangue estreou em 2011 e foi o grande vencedor do Festival Caminhos do Cinema Português – venceu o Grande Prémio do Festival e o prémio de Melhor Argumento Original. Ainda nesse festival, João Canijo foi galardoado com o prémio de Melhor Realizador e Rita Blanco com o prémio de Melhor Atriz. Sangue do Meu Sangue venceu ainda o prémio de Melhor Filme no Festival International du Film de Pau, em França.  A história do filme apresenta o quotidiano da família Fialho, numa teia de intrigas e infidelidades.

Tabu, de Miguel Gomes (2012)

A preto e branco, o filme Tabu de Miguel Gomes é uma co-produção de Portugal, Alemanha, Brasil e França e foi condecorado no Festival Internacional de Cinema de Berlim. O filme conta a história de três mulheres que vivem no mesmo andar de um prédio. Quando uma delas morre, a história de amor e crime vem ao de cima. Amor perdido, nostalgia e aventura africana são aqui retratados.

Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa (2014)

É um documentário português escrito e realizado por Pedro Costa que estreou no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, onde Pedro Costa ganhou o prémio de Melhor Realizador. O filme apresenta o personagem Ventura, a 25 de abril de 1974. Trazendo o tempo da Revolução dos Cravos à grande tela, este filme revisita os fantasmas pessoas de Ventura e, ao mesmo tempo, os fantasmas de Portugal.

Cartas da Guerra, de Ivo M. Ferreira (2016)

Com argumento de Ivo M. Ferreira e Edgar Medina, o filme Cartas da Guerra tem como inspiração a obra de António Lobo Antunes, D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da guerra (cartas que António Lobo Antunes escreveu à sua mulher durante a Guerra Colonial). Protagonizado por Miguel Nunes e Margarida Vila-Nova, este filme foi escolhido pela Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas para representar Portugal no Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. A história passa-se em 1971, quando António vai para o Leste de Angola, servindo como médico para o exército português. Durante o seu tempo lá, escrevia cartas à sua mulher, Maria José. O amor, a paixão por África e as posições políticas são retratadas neste filme.

Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes (2008)

É uma docuficção de Miguel Gomes, numa co-produção portuguesa e francesa. Estreou a 21 de agosto de 2008 e o seu título é inspirado no título da canção “Meu Querido Mês de Agosto” do cantor popular português Dino Meira. É uma história sentimental entre pai, filha e sobrinho num mês de agosto marcado pelas festas, foguetes, música e muita animação. Nessa altura, uma equipa de filmagens procura atores para o seu filme de ficção.

Os Gatos Não Têm Vertigens, de António-Pedro Vasconcelos (2014)

Realizado por António-Pedro Vasconcelos e escrito por Tiago Santos, este filme conta a história de um rapaz de 18 anos desencantado com a vida e influenciado pelas más companhias do bairro. Proveniente de uma família disfuncional, Jó é expulso de casa no dia do seu aniversário pelo seu pai, toxicodependente e violento. É no terraço de Rosa, uma mulher de 73 anos que perdeu recentemente o marido que o rapaz procura guarida… e sua história começa a mudar. Com João Jesus e Maria do Céu Guerra, este filme venceu nove Prémios Sophia em 2015.

São Jorge, de Marco Martins (2016)

Com realização de Marco Martins e argumento de Ricardo Rodolfo, São Jorge é um fime luso-francês protagonizado pelo ator português Nuno Lopes. Com Mariana Nunes, David Semedo, Gonçalo Waddington, Beatriz Batarda, José Raposo e Jean-Pierre Martins no elenco, este filme galardoou Nuno Lopes com o prémio Orizzonti de Melhor Ator. A história retrata Jorge, um boxeur desempregado que corre o risco de perder o seu filho e a sua mulher quando esta decide regressar ao Brasil. Desesperado, Jorge arranja emprego numa empresa de cobranças, passando a intimidar aqueles que têm dívidas que não conseguem pagar.

A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho (2017)

Do género drama comédia, A Fábrica de Nada é um filme realizado e escrito por Pedro Pinho, Luísa Homem, Leonor Noivo e Tiago Hespanha, com base na ideia de Jorge Silva Melo em adaptar a peça de teatro De Nietsfabriek da escritora holandesa Judith Herzberg, fazendo um musical para crianças. O filme apresenta a história de um grupo de trabalhadores que tentam evitar o encerramento da fábrica onde trabalham, de forma a salvar os seus postos de trabalho, entrando numa “luta” com os seus patrões. Protagonizado por Carla Galvão, José Smith Vargas, Américo Silva e Dinis Gomes, este filme venceu o Prémio da Federação Internacional de Críticos de Cinema.

Fátima, de João Canijo (2017)

Com as atrizes Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Vera Barreto, Teresa Madruga, Ana Bustorff, Teresa Tavares, Alexandra Rosa, Íris Macedo, Sara Norte e Márcia Breia no elenco, Fátima conta a história de 11 mulheres que, no início de maio de 2016, parte de Vinhais (Trás-os-Montes) em peregrinação a Fátima. O filme acompanha os nove dias que as mulheres demoraram a percorrer 400 km, mostrando as dificuldades, a coragem e sobretudo a fé.

Soldado Milhões, de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa (2018)

Realizado por Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa e produzido por Pablo Iraola e Pandora da Cunha Telles, Soldado Milhões retrata a história de Aníbal Augusto Milhais que, durante a Primeira Guerra Mundial, salva os seus companheiros depois de contrariar ordens superiores, enfrentando sozinho algumas ofensivas alemãs. Com a ajuda de Luisinha (a sua metralhadora), Aníbal salva os seus parceiros de guerra. Inspirado em eventos reais, este filme tem João Arrais, Miguel Borges, Raimundo Cosme, Isac Graça, Tiago Teotónio Pereira e Ivo Canelas no elenco.

Terra Franca, de Leonor Teles (2019)

É um documentário realizado por Leonor Teles, a jovem portuguesa que deu nas vistas com Balada de Um Batráquio, filme com o qual ganhou um Urso de Ouro, em Berlim. Esta é a primeira longa documental realizada por Leonor Teles e traz a vida de Albertino Lobo, um pescador de Vila Franca de Xira, terra da própria realizadora.

Snu, de Patrícia Sequeira (2019)

A polémica história de Ebba Merete Seidenfaden, uma editora dinamarquesa que veio para Portugal e ficou conhecida como Snu Abecasssis é o destaque deste filme de Patrícia Sequeira com Inês Castel-Branco no papel principal. A fundação da Publicações Dom Quixote, as ideias contrárias às do regime de Estado Novo e o relacionamento com Francisco Sá Carneiro são destaques neste filme.

Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (2019)

É um filme luso-brasileiro-francês, uma comédia dramática protagonizada por Carloto Cotta. Diamantino é o melhor jogador de futebol do mundo, com um talento que ele próprio narra durante o filme. A dada altura, Diamantino é requisitado para uma espécie de ministério da propaganda para protagonizar uma campanha nacionalista, corporizando D. Afonso Henriques e expulsando árabes do país – uma referência à crise migratória na Europa.

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