Revista Rua

2020-12-18T11:59:04+00:00 Opinião

Os melhores deste pior 2020

Música
José Manuel Gomes
José Manuel Gomes
18 Dezembro, 2020
Os melhores deste pior 2020

E chegamos àquela altura do ano em que fazemos balanços, reflexões e promessas para o que há de vir. Pois é, estamos finalmente no mês de dezembro deste 2020 que toda a gente se quer ver livre, é aguentar mais uns dias, já não falta muito para vir 2021 e, com ele, esperamos, o início do fim de todo este pesadelo surreal sci-fi em que nos vemos desde março.

Um ano dificílimo a todos os níveis e que nos afetou a todos; de uma ou de outra forma e nas mais variadas áreas. Dentro daquilo que costumo escrever, que é mais focado na área cultural/musical, foi uma razia completa, sobre a qual passei grande parte deste ano, que está agora a terminar, a falar. Para o comum dos mortais, o que saltou mais à vista foi o decréscimo para valores praticamente residuais de espetáculos e atividades culturais. Apesar do segundo semestre do ano ter conseguido trazer de volta as atividades culturais, nunca deixaram de se fazer um pouco “a medo” ou com restrições rigorosas, que fazem com que não as desfrutemos da mesma forma. A natureza social, a comunhão e a partilha que estão adjacentes nestes eventos, fazem parte de toda uma experiência que mudou totalmente a sua natureza. 2020 foi também isso: um ano de adaptação.

Ora, tudo isto, todo este cancelamento em massa, todo este adiar de tudo trouxe também reflexos naquilo que foram as edições discográficas no ano. Contudo, há boas notícias: mesmo com alguns discos que acabaram, certamente, por não sair 2020 foi um ano fortíssimo no que diz respeito aos lançamentos musicais; diria mesmo que foi mais forte do que 2019. Foi um ano que teve de tudo: novas descobertas; regressos triunfantes; e, sobretudo, surpresas. Assim sendo, preparei uma lista dos discos que mais gostei de ouvir em 2020. Confesso que para mim é sempre um processo complicado filtrar e enumerar listas anuais. Acima de tudo, procuro não ver nenhuma das que vão saindo dos meios mais especializados, e tento ir apontando, durante o ano, os discos que mais me tocam. Dito isto, ficam aqui os 20 discos que mais gostei de 2020:

Sault – Untitled (Rise)

Fiona Apple – Fetch The Bolt Cutters

Moses Sumney – Grae

Phoebe Bridgers – Punisher

Yves Tumor – Heaven to a Tortured Mind

Run the Jewells – RTJ4

Waxahatchee – Saint Cloud

Jessie Ware – What’s Your Pleasure?

Destroyer – Have We Met

Tame Impala – The Slow Rush

Perfume Genius – Set My Heart On Fire Immediately

Lianne La Havas – Lianne La Havas

Tom Misch & Yussef Dayes – What Kinda Music

Caribou – Suddenly

Haim – Women in Music Pt. III

Róisín Murphy – Róisín Machine

Lomelda – Hannah

Bod Dylan – Rough and Rowdy Ways

Fleet Foxes – Shore

Deftones – Ohms

Claro que houve outros que gostei bastante, mas estes foram os que ouvi mais ou os que, pelo menos, me marcaram mais. Quero destacar sobretudo um disco que me deixou em modo êxtase absoluto, quando o ouvi pela primeira vez, o disco Untitled (Rise) dos Sault. Para quem não conhece este grupo, pesquisem, vão ver que valerá a pena. Além de serem um supergrupo quase anónimo, editaram só no ano passado – e neste 2020 – quatro trabalhos de originais! Destes quatro, destaco o último, (Rise), que me encheu completamente as medidas. Tem de tudo: world music, funk, soul, samba, enfim, toda uma mescla de elementos que fazem o disco parecer quase uma coletânea de vários grupos musicais distintos. Fez-me ouvir do início ao fim durante semanas a fio e é, para mim, o melhor trabalho discográfico deste ano, algo que eu pensava que não fosse possível acontecer, depois de ter ouvido outros trabalhos incríveis como o da Fiona Apple ou essa (outra) surpresa que foi o disco de Moses Sumney ou o da Phoebe Bridgers. Enfim, ano muito forte!

No plano nacional, apesar de saírem manifestamente menos discos, se compararmos com outros anos houve ainda assim lançamentos muito bons de onde destaco o Véspera dos Clã, Vias de Extinção do Benjamim, Rapazes e Raposas do B Fachada, Canções do Pós-Guerra do Samuel Úria, Room For All de Monday, e Uma Palavra Começada por N do Noiserv.

Listinhas e balanços feitos, resta-me despedir-me deste 2020 a desejar a todos os leitores da Revista RUA umas incríveis festas e um 2021 onde possamos todos começar a curar as batalhas de guerra deste 2020!

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