Revista Rua

2020-03-24T18:15:55+00:00 Negócios

Ourivesaria portuguesa em stand-by

As medidas do Estado de Emergência devido ao Covid-19 tem deixado o sector da ourivesaria portuguesa praticamente bloqueado.
Redação24 Março, 2020
Ourivesaria portuguesa em stand-by
As medidas do Estado de Emergência devido ao Covid-19 tem deixado o sector da ourivesaria portuguesa praticamente bloqueado.

Cientes de que o atual contexto provocado pela COVID-19 representa um travão às aspirações das empresas portuguesas do sector da ourivesaria, que prosperavam a nível de expansão internacional, a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) promoveu um inquérito para aferir as consequências previstas. O cenário, de acordo com a AORP, não é risonho. “Um sector praticamente bloqueado, devido ao encerramento das Contrastarias e dos estabelecimentos comerciais”, garante a associação.

Com base num inquérito realizado a 88 empresas, a AORP traça um perfil de sector “maioritariamente composto por pequenas e médias empresas (81% com menos de 10 trabalhadores), de cariz familiar, cujo agregado familiar depende em grande parte – se não na totalidade – do negócio”. Da amostra inquirida, 80% das empresas encerraram totalmente a sua atividade na sequência do estabelecimento do Estado de Emergência em Portugal, sendo que 65% revelam ser por tempo indeterminado.

A quebra no volume de vendas, o encerramento temporário das contrastarias – única entidade com competência legal para certificação dos produtos de joalharia, e o encerramento das instalações, assim como o encerramento das cadeias de distribuição a montante e a jusante são os principais motivos de preocupação das empresas, sendo que muitas consideram a implementação de medidas de lay-off, despedimentos e mesmo encerramento de atividade. De referir ainda que, dado o cancelamento de feiras internacionais, as empresas revelam preocupação na recuperação a médio prazo.

O setor da ourivesaria portuguesa é composto por 4.300 empresas, representando um volume de negócio anual de 1.000 milhões de euros, dos quais 10% correspondem a exportação.

“Obviamente entendemos a emergência do plano de combate à propagação do vírus Covid-19 e estamos alinhados com as instituições na salvaguarda da saúde pública, mas é também urgente prevenir danos económicos irreversíveis. Como prioridade, apontamos a reabertura das Contrastarias nacionais para viabilizar as transações por via de comércio eletrónio, bem como o necessário reforço das condições de lay-off, desonerando as empresas do custo do salário do trabalhador dispensado e permitindo a abrangência aos sócios-gerentes das empresas, dado que em muitas das pequenas e microempresas os sócio-gerentes são na prática os trabalhadores. Por outro lado, é imperativo garantir as melhores condições de acesso ao crédito a pequenas e microempresas, com pouca experiência e capacidade de negociação com a banca”, afirma o Presidente da AORP, Nuno Marinho. “A AORP está a monitorizar de perto todos os desenvolvimentos do contexto COVID-19, mantendo as empresas informadas e prestando consultoria jurídica e financeira. Além disso, estamos a desenhar soluções em conjunto com parceiros e com as empresas no sentido de criar plataformas digitais de promoção e negócio, encontrando oportunidades entre a grande ameaça que se prevê para a economia mundial. Mais do que nunca acreditamos que a solução está na força do coletivo e na capacidade das empresas se unirem.”, acrescenta o responsável.

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