Revista Rua

2019-06-05T11:09:42+00:00 Cultura, Música

Paião, um tributo ao cancioneiro de Carlos Paião

PAIÃO, a banda tributo a Carlos Paião, atua em Braga, no Theatro Circo, a 31 de maio.
Fotografia ©Rui Bandeira
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira27 Maio, 2019
Paião, um tributo ao cancioneiro de Carlos Paião
PAIÃO, a banda tributo a Carlos Paião, atua em Braga, no Theatro Circo, a 31 de maio.

É uma homenagem sentida a um dos maiores protagonistas da música em Portugal: Carlos Paião. Depois de 30 anos da sua morte, o cancioneiro de Carlos Paião continua a chegar aos portugueses de forma contemporânea, num trabalho de artistas que cresceram ao som de “Pó de Arroz” ou “Playback”. Estivemos à conversa com Nuno Figueiredo e João Pedro Coimbra, dois dos cinco elementos que compõem PAIÃO, a banda que atua no Theatro Circo a 31 de maio.

Fotografia ©Bruno Nacarato

Carlos Paião é um nome incontornável na história da música portuguesa e deixou-nos há 30 anos. O que significa para vocês este legado de Carlos Paião? Qual a principal razão para esta homenagem com um disco e uma digressão pelo país?

Nuno Figueiredo: O projeto PAIÃO nasce de um convite feito pela RTP a mim e ao João Pedro Coimbra para criarmos uma homenagem a Carlos Paião na edição de 2018 do Festival da Canção, ano em que se assinalaram os 30 anos da sua morte. A primeira aparição pública do projeto aconteceu nas semifinais do Festival e, meses depois, no Terreiro do Paço durante a Eurovisão. Posto isto, e porque as canções do Carlos Paião nos fisgaram desde o início, pareceu-nos que 3 aparições públicas era pouco para aquilo que queríamos fazer com este legado. E resolvemos trabalhar no sentido de montar uma digressão, e assim divulgar tanto quanto possível a obra riquíssima deste grande compositor.

“Ao vivo somos sete em palco: nós os dois (Nuno Figueiredo nas guitarras e João Pedro Coimbra nos sintetizadores e programações), o Jorge Benvinda, o Marlon e a Via nas vozes, o Bruno Vasconcelos no baixo e o Jorge Costa na bateria e programações”

João Pedro Coimbra (Mesa), Marlon (Os Azeitonas), Via, Jorge Benvinda (Virgem Suta) e Nuno Figueiredo (Virgem Suta, Ultraleve) são os membros integrantes desta banda PAIÃO. De que forma é que a diversidade das vossas influências musicais e dos vossos percursos vos junta num projeto como este?

Nuno Figueiredo: O processo de seleção foi muito natural e até divertido. Alguns membros já tinham trabalhado connosco, outros ainda não, mas há já algum tempo que desejávamos que isso acontecesse. E como admiramos o trabalho uns dos outros, acabámos por construir um grupo muito cúmplice. É certo que cada um de nós tem influências muito distintas, mas a verdade é que essas diferenças acabam por se revelar interessantes para o projeto. Dão-lhe uma riqueza e uma contemporaneidade interessante, que era algo que pretendíamos alcançar. Somos diferentes, mas existem pontos de ligação muito fortes: o gosto pela música portuguesa, cantada em português e, em particular, a admiração pelo repertório do Carlos Paião.

Ao vivo somos sete em palco: nós os dois (Nuno Figueiredo nas guitarras e João Pedro Coimbra nos sintetizadores e programações), o Jorge Benvinda, o Marlon e a Via nas vozes, o Bruno Vasconcelos no baixo e o Jorge Costa na bateria e programações.

Diriam que tem sido um desafio interessante nas vossas carreiras?

Nuno Figueiredo: Sem dúvida. E tem sido uma aprendizagem enorme. O primeiro grande desafio foi “mexer” em canções tão conhecidas, que fazem parte do imaginário de tanta gente, dar-lhes uma nova roupagem e garantir que se mantinham respeitadas. Depois, montar uma banda que tem elementos que vivem em pontos diferentes do país. Há pessoas que estão a norte, outras a sul… Tem sido um verdadeiro desafio, mas fazemos um balanço muito positivo desta experiência.

Fotografia ©Rui Bandeira

De que forma é que trabalharam este disco? A intenção foi dar uma diferente roupagem às canções de Carlos Paião, correto?

Nuno Figueiredo: Sim, como já referi, o nosso objetivo foi fazer uma reinterpretação, à nossa imagem, da obra de Carlos Paião, trazendo as canções para os dias de hoje. Se, por um lado, nas letras, essa contemporaneidade é evidente – é incrível como as letras continuam tão atuais, três décadas depois da sua morte –, no caso da música já se nota, em certos temas, marcas evidentes da época em que foram editados. O nosso maior desafio foi exatamente neste nível: arranjar soluções que respeitassem as canções, dando-lhe outra modernidade.

Consideram importante trazer à atualidade a mestria do cancioneiro de Carlos Paião? Quais foram as principais dificuldades, se existiram, neste processo de gravação?

Nuno Figueiredo: Achamos muito importante trazer à atualidade o cancioneiro de Paião, como de outros grandes artistas que já não estão entre nós. No caso do Carlos Paião, temos sentido através dos concertos que as canções estão “entranhadas” nas pessoas. E é muito bom recordar o que nos faz sentir bem, identificarmo-nos na sua “portugalidade”. É maravilhoso observar a alegria das pessoas quando ouvem e cantam as letras. Só isso já é motivo mais que suficiente para voltar a escutar Paião. Para além disso, enche-nos de orgulho saber que o público gosta do trabalho que fizemos com estes temas.

Relativamente às dificuldades, o mais difícil talvez tenha sido habituarmo-nos às constantes surpresas nas estruturas e letras das canções. O Carlos Paião era mestre na “arte da surpresa”.

“Os concertos têm sido vividos sempre em ambiente de festa. A receção do público tem sido incrível”

Pó de Arroz foi o primeiro single que apresentaram do álbum e é também uma canção que acompanha gerações. No vosso entender, há uma predisposição atual para ouvir Carlos Paião e estes novos arranjos? Que sensação vos chega em palco?

João Pedro Coimbra: Os concertos têm sido vividos sempre em ambiente de festa. A receção do público tem sido incrível. Quem já gostava da sua música tem agora a oportunidade de a redescobrir. Simultaneamente, quem só agora chega às canções, faz outro tipo de descoberta através desta sonoridade mais atual. O desafio foi também tentar sugerir o que seria a música do Carlos Paião em 2019 e, através desta proposta, criar os novos arranjos.

O álbum é composto por dez temas. Deram prioridade aos clássicos de Carlos Paião ou tentaram que esta homenagem fosse mais transversal?

João Pedro Coimbra: Os clássicos não poderiam faltar, mas a ideia foi também dar a conhecer outros temas do seu cancioneiro. Por exemplo, “Não há duas sem três”, ou “Zero a Zero”, que figuram ao lado do “Pó de Arroz”, “Cinderela”, “Playback”, “Canção do Beijinho”, entre outras.

A banda chega no final do mês a Braga, para um concerto no Theatro Circo. O que podemos esperar deste espetáculo?

João Pedro Coimbra: Para além das canções que referimos e que estão no disco, existem outras seis que tocamos, como “Versos de Amor”, “Trocas e Baldrocas”, “Discoteca”. É um espetáculo que tem tanto de festa como de emoção, uma grande viagem e uma homenagem sentida por um grupo de artistas que cresceu a ouvir a sua música.

Fotografia ©Rui Bandeira

Podem deixar um convite para os nossos leitores de Braga (e arredores) para assistirem a este concerto?  

João Pedro Coimbra: Venham redescobrir a obra de um nome incontornável da música portuguesa, com a certeza de que será uma hora e meia de muito boa disposição. Aproveitem também esta oportunidade para reunir a família, porque as canções atravessam gerações.

Se tiverem dúvidas, visitem a nossa página de Facebook  e vejam a festa que tem sido um pouco por todo país!

Neste momento, estamos ansiosos por tocar em Braga. O Theatro Circo é uma sala lindíssima e inspiradora. Antevemos um grande serão!

Para onde segue a banda PAIÃO nos próximos tempos e que expectativas têm para a continuidade desta homenagem?

João Pedro Coimbra: Vamos continuar a tournée de lançamento deste disco e desta homenagem, sendo que este é um projeto com características próprias, que terá sempre uma duração limitada no tempo. É aproveitar e ir ver!

Partilhar Artigo: