Revista Rua

2018-11-08T14:21:53+00:00 Cultura, Fotografia

Para além do mundo

Victor Fernandes (@victortfern) está na RUA
Nuno Sampaio3 Maio, 2018
Para além do mundo
Victor Fernandes (@victortfern) está na RUA

Viajar é sempre uma oportunidade para fugirmos de uma rotina; observamos mais porque tudo é novidade! Quando viajas fotografas com essa liberdade?

Sim, sem dúvida, sempre fui uma pessoa curiosa. E sempre que viajo gosto de alimentar essa liberdade/curiosidade principalmente através da fotografia.

Há um certo isolamento nas tuas paisagens; uma melancolia perene que nos aproxima ainda mais do teu mundo. Nas tuas fotografias onde é que se encontram os simbolismos com a tua realidade?

Desde muito jovem que sou fascinado pelo poder da natureza e pela sua beleza. Este meu fascínio levou-me a investir algum tempo em literatura e centenas de horas a ver documentários sobre a natureza. Até que um dia devorei o livro Onde os últimos pássaros cantaram, de Kate Wilhelm, e fiquei fascinado pela ideia de como seria o mundo sem a existência da humanidade. Desta forma, sempre que estou a fotografar paisagens tento ter essa variável em consideração. Sem dúvida que é uma ideia muito melancólica e triste, mas deixa-me sempre a pensar como a natureza conseguiria equilibrar as coisas e qual seria o impacto da nossa inexistência. Deste modo, não considero que sejam simbolismos da minha realidade, mas sim uma forma de alimentar uma questão que me fascina desde muito jovem e acho que sempre me irá fascinar.

A cor das tuas fotografias é uma linha definidora da tua personalidade fotográfica?

Claramente, na maior parte das minhas fotografias, opto por usar um certo tipo de cores para conseguir transmitir uma mensagem melancólica e intemporal. Por isso, sem dúvida que definem a minha personalidade fotográfica.

Uma cidade onde poderias encontrar-te, numa imagem que tenhas idealizado?

Não me revejo numa cidade, mas sim no meio da natureza. Se tivesse que me encontrar seria na Laguna de Los Tres na Patagónia, no início da manhã, para ter oportunidade de apanhar os primeiros raios de sol. Isto de forma a ser possível transmitir nessa fotografia a mensagem de calma e equilíbrio que nos dias de hoje é impossível de idealizar quando temos uma rotina ou fotografamos uma cidade.

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