Revista Rua

2019-03-01T15:42:30+00:00 Bússola, Viagens

Patrícia Carvalho e a arte subtil de mudar de vida

Patrícia Carvalho está neste momento em Myanmar, no Sudeste Asiático. De livro na mochila e poucas preocupações, esta jovem tem-se deixado envolver pelo mundo.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira1 Março, 2019
Patrícia Carvalho e a arte subtil de mudar de vida
Patrícia Carvalho está neste momento em Myanmar, no Sudeste Asiático. De livro na mochila e poucas preocupações, esta jovem tem-se deixado envolver pelo mundo.

“Desde sempre que sou apaixonada por ciência e desde muito nova que o meu objetivo de vida sempre foi ganhar o prémio nobel. Na universidade estudei bioquímica e fiz o curso com paixão à área, sempre com o objetivo final de um dia, quem sabe, ganhar o Prémio Nobel. A dada altura comecei também a interessar-me por viagens a solo, e, nos meus 21 anos, entre a licenciatura e o mestrado, fiz a minha primeira viagem sozinha na Tailândia, por três semanas”. É desta forma que apresentamos Patrícia Carvalho, uma jovem portuguesa de 25 anos que está há mais de quatro meses em viagem pelo Sudeste Asiático, em busca do mundo que a surpreende. Patrícia sempre foi a “menina bem-comportada” dos seus ciclos. Ambiciosa e determinada, queria ser a melhor na sua área académica, a melhor na sua profissão… até ao dia em que o mundo lhe deu a volta. “Volvida a viagem à Tailândia, veio o mestrado e no ano de tese trabalhei num instituto no Porto durante um ano e meio e a minha vida deu uma grande volta. Aquela volta que costuma aparecer por volta dos 30, em que questionamos tudo o que andamos aqui a fazer, veio um pouquinho mais cedo na minha vida. Havia posto tanta pressão, tantas expectativas e tanta exigência no meu trabalho que, durante esse ano, tudo foi por água a baixo. O meu sonho já não era mais ganhar o Prémio Nobel e nem sequer sabia se queria continuar na ciência, um misto de ‘tanto fiz que agora tanto faz’. Não demorei a decidir que queria parar e afastar-me de tudo isto que só me provocava pressão e cada vez mais stress, mesmo sabendo que eu tinha cota parte da culpa na pressão que colocava em mim”, conta-nos a jovem.

Decidiu então, terminando a tese de mestrado, em março de 2018, não procurar emprego. A melhor aluna do curso, que tinha terminado a sua tese com 20 valores, altera assim o seu rumo para cumprir um sonho antigo: viajar sozinha sem bilhete de volta. “De facto, as expectativas que todos tinham em mim eram o completo oposto daquelas que eu tinha. Não fui capaz de mentir a mim própria. No mesmo dia em que terminei o mestrado comprei o bilhete de avião mais barato que encontrei. Fiz uma viagem pela Europa Central com um budget total de 500€. Foi uma viagem mais introspetiva do que divertida. Foi o fechar de um ciclo, foi colocar para trás tudo aquilo que eu tinha até então ambicionado e foi hora de traçar uma nova rota, uma nova vida. Cheguei a Portugal revigorada e decidida a realizar um monte de sonhos, que na vida, por falta de tempo, vão ficando na gaveta. Comecei a fazer voluntariado em Portugal, criei um blog de viagens e comecei a preparar a viagem da minha vida. No dia 3 de Outubro entrei naquele avião com um bilhete de ida, carregando às costas o peso da liberdade, com a cabeça cheia de sonhos”, escreve-nos Patrícia, neste momento de passagem por Myanmar.

Sentindo-se livre e feliz, esta Girl From Nowhere (nome da sua página de Instagram e blog) sente-se a ver o mundo pela primeira vez. “Sei que poderei fazer muitas mais viagens como esta no futuro, mas creio que talvez nunca mais vá ter a oportunidade de viajar assim, de uma forma tão inocente, tão leve e descomprometida. Afinal, estou a ver o mundo com 25 anos onde tudo me surpreende, tudo me inquieta e tudo me inspira. E tudo me dá a volta à cabeça. Passamos a vida a dizer que queremos dar a volta ao mundo, mas o mundo é que nos dá a volta a nós”, assegura.

Sem saber ao certo se o seu caminho a vai levar de volta à ciência – e sem saber até se a Patrícia que regressará a Portugal será a mesma que partiu à aventura há 149 dias -, esta jovem continua a sua viagem, partilhando a sua experiência sem filtro. As pessoas, os lugares, a natureza enchem o seu feed de Instagram quase que a pedir para a acompanharmos – e lhe fazermos companhia nesta jornada a solo.

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