Revista Rua

2019-07-04T17:36:19+00:00 Negócios

Paulo Lobo, a beleza está no interior

Fotografia ©Nuno Sampaio
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira1 Julho, 2019
Paulo Lobo, a beleza está no interior

É numa manhã agitada na cidade do Porto, graças ao ritmo turístico, que nos deslocamos ao atelier de um dos nomes mais consagrados do design de interiores do nosso país: Paulo Lobo, o homem que viu o Porto transformar-se numa cidade artística e cosmopolita… e até contribuiu para isso!

Esta reportagem é parte integrante da Revista RUA#31, de janeiro de 2019. 

Paulo Lobo Fotografia ©Nuno Sampaio

É sob as arcadas, na Rua de Miragaia, que encontramos uma porta que é a entrada para um admirável mundo de técnica e bom gosto. Num atelier amplo e pautado por detalhes como espelhos e poltronas coloridas, Paulo Lobo refugia-se numa bolha de inspiração que tem nas pessoas do Norte a sua maior influência. Já lá vão os anos em que o universo dos tecidos se abria aos seus olhos, graças ao trabalho do pai; ou que a moda, na primeira loja que assinou para a sua namorada (atual esposa), o fazia receber inúmeros pedidos para projetos de interiores de showrooms. Hoje, os pedidos são outros… e não lhe dão descanso! Com projetos vários, principalmente na região portuense, Paulo Lobo é um dos talentos do Design de Interiores em Portugal e, mantendo uma relação umbilical aos artesãos que, como diz, foram uma peça fundamental para a sua formação prática, permitindo que conhecesse materiais e as suas aplicações, tem acumulado sucessos: do icónico Cafeína aos recentes projetos da Enoteca 17.56 (da Real Companhia Velha), do Grand Hotel Açores Atlântico, do Monverde Wine Experience Hotel, do Cella Bar ou do glamoroso Vogue Café. “De cinco em cinco anos, há sempre um projeto que me marca mais ou que as pessoas mais falam. O Cafeína é icónico no meu percurso, assim como o Boundi Café. Recentemente, a Enoteca 17.56, que abriu em setembro, tem tido um sucesso enorme; o restaurante Nogueira’s, na Rua de Ceuta, também tem tido uma adesão muito grande; o Oficina, embora já seja um projeto de 2016, também é destacado; e o Vogue Café, que, face às exigências da Vogue e da Condé Nast, está muito interessante – acho até que está muito longe daquilo que tem sido feito nos restantes Vogue Café do mundo”, descreve-nos Paulo Lobo. “Agora, os projetos que desenvolvo são maioritariamente no ramo do turismo e hotelaria. Também alguma habitação. Mas não há moda: zero lojas e showrooms. Passou de moda!”, acrescenta, sorridente, o designer.

Encarando os clientes como a peça fundamental no processo de criação de interiorismo, Paulo Lobo valoriza a confiança e a liberdade de pensamento. “Os bons clientes são aqueles que nos deixam fazer, que acreditam naquilo que propomos. Para mim, um cliente que entenda o que estou a dizer e confie em mim faz com que eu entenda que o projeto será vencedor”, destaca. Lamentando as tendências internacionais “copiadas e pouco consistentes” e referindo que os seus projetos tendem a ter um fio condutor único, Paulo Lobo vê com agrado a crescente notoriedade da importância do design de interiores. “Quando comecei, na década de 80, confundia-se muito aquilo que nós, interioristas, fazíamos. ‘Quem faz isso é o arquiteto’ era uma expressão frequente. A verdade é que a boa arquitetura conseguia perceber-nos, mas a má dizia que estávamos a mexer numa coisa que ela é que fazia. Hoje, realmente, já há muita arquitetura a perceber que nós fazemos algo diferente, trabalhamos outra área… e esse problema acabou. Mas, durante muitos anos, eu sentira esse mau estar”, relata.

Com uma equipa pequena, com quatro pessoas a auxiliar a sua linha de pensamento, Paulo Lobo mantém-se ativo e reconhecido. Hotéis, restaurantes, bares… qual é o limite para a criação de Paulo Lobo?

Partilhar Artigo: