Revista Rua

2019-08-16T17:42:14+01:00 Descobrir, Radar, Viagens

Pequenos paraísos portugueses – os destinos quase inexplorados de Portugal

São aldeias históricas ou refúgios longe da confusão. Neste verão, descubra Portugal!
Cais Palafítico da Carrasqueira ©D.R.
Andreia Filipa Ferreira31 Julho, 2019
Pequenos paraísos portugueses – os destinos quase inexplorados de Portugal
São aldeias históricas ou refúgios longe da confusão. Neste verão, descubra Portugal!

Verão é sinónimo de passeios em família e descoberta e, por isso, nada melhor do que transformar os dias mais quentes numa odisseia pelo melhor do nosso país. No entanto, se não gosta de confusões e “férias” para si significa tranquilidade num ambiente calmo e histórico, trazemos-lhe algumas sugestões. Já ouviu falar de Drave, Ponta da Piedade ou Caldeirão do Corvo? São apenas alguns destinos quase inexplorados em Portugal – alguns deles nem têm rede de telemóvel!

Montesinho ©D.R.

Montesinho, Bragança

A aldeia de Montesinho, inserida no Parque Natural com o mesmo nome, é uma das aldeias mais emblemáticas de Portugal. Localizada na Terra Fria Transmontana, a mais de mil metros de altitude, esta aldeia é habitada por uma pequena povoação que dinamiza os pequenos negócios locais, como o turismo rural, as lojas de artesanato ou de venda de produtos regionais. Aqui, as casas típicas em granito, com varandas ricamente ornamentadas por flores, são um dos destaques a contemplar. A beleza natural circundante é também um ponto a favor da visita: não deixe de fazer uma caminhada pelo Passeio Pedestre de Montesinho (dez quilómetros), por trilhos que passam pela aldeia de Montesinho, França e Portelo. Se tiver sorte, pode avistar uma águia-real, uma cegonha-negra, um lobo ibérico ou um veado!

Na parte gastronómica, não se despeça de Montesinho sem experimentar o famoso cabrito de Montesinho, o fumeiro transmontano ou os doces típicos como bolo de mel, rosquilhas ou súplicas. Ah, e o vinho e a aguardente!

Numa visita a Bragança e ao Parque Nacional de Montesinho sugerimos ainda a passagem por Rio de Onor, uma aldeia localizada mesmo na fronteira com Espanha. Rio de Onor é uma aldeia comunitária com casas em xisto, muito bem preservadas. A Ponte Romana, a Igreja Matriz, o forno ou os moinhos comunitários são pontos imperdíveis. Uma curiosidade: Rio de Onor tem um dialeto próprio, o rionorês, uma mistura de castelhano com português.

Pitões das Júnias ©D.R.

Pitões das Júnias, Montalegre

É uma das mais tradicionais e pitorescas aldeias transmontanas, localizada no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Com um aspeto medieval, graças às construções em pedra, Pitões das Júnias é uma das aldeias mais altas de Portugal, com 1100 metros de altitude. É uma aldeia isolada, rodeada por lameiros e escarpas, e numa visita deve mesmo descobrir a Cascata de Pitões, uma queda de água com mais de 30 metros de altura acessível via passadiços de madeira, e o Mosteiro – facto curioso: acredita-se que a origem do nome desta aldeia se deve ao Mosteiro de Santa Maria das Júnias, consagrado à Senhora das Unhas… que com o tempo acabou por se tornou “Senhora das Júnias”.

Cais Palafítico da Carrasqueira, Alcácer do Sal

Localizado muito perto da Comporta, concelho de Alcácer do Sal, o Cais Palafítico da Carrasqueira é uma autêntica “obra-prima da arquitetura popular”. Único na Europa, este local foi construído por pescadores nas décadas de 1950 e 1960, servindo de embarcadouro aos barcos de pesca. Feito em “estacas de madeira irregulares aparentemente frágeis”, este cais está integrado na Reserva Natural do Estuário do Sado, na aldeia ribeirinha da Carrasqueira. As pequenas casas em madeira que podem ser aqui vistas servem de arrecadações.

Ponta da Piedade ©D.R.

Ponta da Piedade, Lagos

É um dos locais onde se encontram as melhores grutas do Algarve. Com rochas esculpidas pelo vento e pelas marés a dar um cenário deslumbrante ao local, com grutas e túneis para descobrir, Ponta da Piedade beneficia das águas transparentes que, juntamente com as falésias, tornam a paisagem idílica. Numa visita, aguarde pelo por do sol, considerado um dos mais bonitos do mundo. O momento em que os raios de sol de final de tarde incidem nas águas e nas falésias é imperdível. Não perca também a oportunidade de fazer um passeio de barco, a partir da Marina de Lagos, que permite ver as formações rochosas mais de perto, ou então de fazer um passeio a pé, caminhando desde o centro de Lagos. São cerca de 2,5 km e o percurso inclui a passagem pela Praia da Batata, Praia Dona Ana e Praia do Camilo.

Numa passagem pela Ponta da Piedade, não deixe de descobrir o Farol da Ponta da Piedade.

Sortelha ©D.R.

Sortelha, Sabugal

É mais uma aldeia histórica portuguesa que merece ser visitada. Numa autêntica viagem ao passado, Sortelha é uma aldeia bem preservada, com ruelas que permitem vislumbrar o casario antigo e o castelo, do século XIII, considerado Monumento Nacional desde 1910. Com as muralhas a conduzir esta viagem ao passado, não deixe de descobrir as Portas da Muralha, a Torre Sineira (cujo sino só toca para avisar a população em caso de incêndio), a Torre do Facho (ponto mais alto da muralha) ou a Cabeça da Velha (nome de uma rocha que se assemelha a um rosto envelhecido). As Fontes de Sortelha e a Igreja Matriz são também pontos de interesse.

Uma curiosidade: em Sortelha é possível ver as Pedras do Beijo Eterno, junto à muralha. São basicamente duas pedras que se tocam levemente, como se se beijassem. Reza a lenda que o alcaide da fortaleza de Sortelha tinha uma filha muito bonita que se apaixonou, na altura da invasão dos mouros, por um dos cavaleiros invasores que faziam cerco à muralha. A mãe da rapariga era feiticeira e, desaprovando a relação, preferiu transformar em pedra o casal de apaixonados. Ainda hoje as pedras se tocam, num Beijo Eterno!

Linhares da Beira ©D.R.

Linhares da Beira, Celorico da Beira

É considerada um museu ao ar livre. A aldeia histórica de Linhares da Beira, situada na vertente ocidental da Serra da Estrela tem uma fundação medieval. Aliás, acredita-se que a aldeia terá tido origem num castro lusitano, uma vez que as pastagens, a abundância de água e o enquadramento protetor da montanha (Montes Hermínios era o nome lusitano da Serra da Estrela) dariam aconchego a essa tribo ibérica, de quem somos descendentes. Já o nome “Linhares” deve-se ao próprio linho, uma das principais culturas da região. Numa visita à aldeia, não deixe de descobrir: o castelo, a Igreja Matriz, a Casa do Judeu e as fontes. Ah, e se é adepto de parapente, Linhares é o local perfeito para si!

Uma curiosidade: a sua localização estratégica fazia de Linhares da Beira um território importante. Pertenceu a Visigodos, a Muçulmanos e só mais tarde, em 1169, é que passou a ser uma aldeia portuguesa, graças ao foral de D.Afonso Henriques. No entanto, numa noite de lua nova em 1189, tropas de Leão e Castela invadiram a região, preparando-se para assaltar o Castelo de Celorico. Linhares acorreu em defesa e o exército inimigo fugiu. Ainda hoje, num passeio pela aldeia, podem encontrar-se gravadas nas armas da povoação um crescente e cinco estrelas, para lembrar essa noite de lua nova.

Piódão, Arganil

A aldeia histórica de Piódão é apelidada como “aldeia presépio” graças à disposição das casas na encosta e ao ambiente que, quando a noite cai, a aldeia apresenta. As casas, que devido à falta de espaço eram erigidas em altura, são em xisto e lousa e são o maior ponto de atração na aldeia. Numa visita, não se espante com as janelas e portas pintadas de azul e não deixe de conhecer a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (Igreja Matriz), o Núcleo Museológico do Piódão, a Capela de São Pedro ou os percursos pedestres.

Curiosidade: um dos maiores segredos de Piódão é uma praia fluvial deslumbrante, localizada em Foz d’Égua, o ponto de encontro da ribeira de Piódão com a ribeira de Chãs. Tanto a aldeia de Chãs d’Égua com a de Foz d’Égua são caracterizadas pelo seu aspeto rural serrano, com típicas casas de xisto e lousa, rodeadas por uma natureza pitoresca.

Monsaraz ©Evgeni Fabisuk

Monsaraz, Reguengos de Monsaraz

É a “pérola do Alentejo nas margens do Alqueva”. A vila de Monsaraz é considerada uma das mais bonitas de Portugal graças às suas casas caiadas de branco, às suas ruas de xisto, às suas muralhas e, claro, ao seu castelo. De Monsaraz é possível vislumbrar as planícies alentejanas, agora cobertas por água por causa da Barragem do Alqueva – que deu origem a um dos maiores lagos da Europa. Numa visita a Monsaraz, não deixe de conhecer o Cromeleque do Xerez, um conjunto megalítico na zona do Convento da Orada. O Cromeleque data do período entre o início de 4000 a.C. e meados de 3000 a.C..

Pateira de Fermentelos, Águeda

A Pateira de Fermentelos é a maior lagoa natural da Península Ibérica. É o habitat de espécies e ecossistemas com estatutos de proteção nacional e internacional. O visitante pode percorrer as margens da lagoa, contemplando a paisagem natural, ou fazer um passeio de barco.

Mira de Aire ©D.R.

Mira de Aire, Porto de Mós

Em Mira de Aire, a 15 km de Fátima, o destaque são as grutas, com onze quilómetros de extensão total conhecida. Descobertas em 1947 por habitantes locais, as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas de Portugal. Numa visita, não se esqueça de levar calçado confortável e seguro.

Cacela Velha ©D.R.

Cacela Velha, Vila Real de Santo António

Mesmo em frente à Ria Formosa e ao mar, Cacela Velha é uma das mais belas aldeias do sotavento algarvio. De ambiente pacato e tranquilo, Cacela Velha é reconhecida pelas casinhas térreas, caiadas a branco, e pelos vestígios arquitetónicos deixados pelos romanos fenícios e árabes. Numa visita, não deixe de descobrir a Ria Formosa e a sua fauna, as praias (principalmente a Praia da Fabrica, considerada no top das 15 melhores praias do mundo pela revista espanhola Condé Nast Traveler) e as salinas típicas.

Vilarinho de Negrões ©D.R.

Vilarinho de Negrões, Montalegre

É uma aldeia pitoresca localizada na margem sul da Albufeira do Alto Rabagão, uma barragem concluída em 1964. Sossegada, esta aldeia encantadora fica junto à freguesia de Negrões, cujo destaque é um forno em granito que merece ser visitado. Vilarinho de Negrões é, nas palavras populares, um “pedacinho de terra poupado à subida das águas”.

Penedo ©D.R.

Penedo, Sintra

Localizada em plena Serra de Sintra, a aldeia de Penedo tem um traçado tradicional, mas desconhecem-se as suas origens. Há autores que apontam referências à aldeia já no século XIII. Situada no alto de uma encosta, esta aldeia tem vários pontos de interesse, como: a Igreja de Santo António, orago da aldeia, a Azenha do Corvo, o Moinho Alto do Penedo, o Cerrado dos Moinhos, o Cruzeiro do Penedo, os chafarizes do Largo e do Valerinho e o Coreto do Penedo. É também aqui que se celebram as tradicionais festas do “Império” ou do “Espírito Santo”, festas que continuam a existir nos Açores, mas que no continente português são únicas em Penedo.

Pia do Urso, Batalha

Situada a poucos minutos da Batalha e Fátima, a aldeia de Pia do Urso é um espaço calmo reconhecido pelo parque temático e sensorial (adaptado a invisuais), o Eco-Parque Sensorial da Pia do Urso. Com um percurso pedestre convidativo, esta aldeia apresenta diversas formações geológicas apelidadas de “pias” onde antigamente os ursos bebiam água.

Curiosidade: este espaço fica situado numa encruzilhada de vias romanas das quais se salienta a via que conduzia a Olissipo (Lisboa) e Collipo (Batalha/Leiria). Em 1385, os exércitos chefiados por Nuno Álvares Pereira, provenientes de Ourém a caminho de Aljubarrota, passavam por estes caminhos e, quinhentos anos depois, também as tropas invasoras de Napoleão Bonaparte, que deixaram um rasto de destruição.

Parque Florestal das Queimadas ©D.R.

Parque Florestal de Queimadas, Madeira

Situado no concelho de Santana, o Parque Florestal das Queimadas fica a 900 metros de altitude e é um ponto de referência para a observação da Floresta Laurissilva, dominada por várias espécies arbóreas oriundas das regiões temperadas da Europa, Ásia e América. Num passeio por este parque, é possível ver construções destinadas aos guardas florestais que mantêm as características originais das casas de Santana. Numa visita, é imprescindível fazer um percurso pedestre pelas levadas e trilhos que conduzem a diferentes locais da ilha – como a Levada do Caldeirão Verde e o Pico das Pedras.

Sistelo ©D.R.

Sistelo, Arcos de Valdevez

No coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a aldeia de Sistelo destaca-se pelos seus incríveis socalcos, um ícone na paisagem que apelida a aldeia de “Tibete Português”. Com as casas típicas de granito, os espigueiros e os lavadouros públicos como destaque da aldeia, Sistelo é reconhecido também pelo seu Castelo: um palácio de finais do século XIX onde viveu o Visconde de Sistelo. Numa visita, é imprescindível fazer uma caminhada pelo Trilho das Brandas de Sistelo (10 km), que tem início na aldeia.

Para descobrir melhor esta aldeia, clique aqui.

Trancoso ©D.R.

Trancoso, Guarda

É com um cenário medieval que a vila de Trancoso dá as boas-vindas aos visitantes. Num ambiente único, graças ao estado de conservação da aldeia, Trancoso cerca-se de muralhas e tem como ex-libris as Portas d’El Rei. Numa visita, vai poder ver a antiga Judiaria, os Paços do Concelho, as igrejas, incluindo a Igreja de S. Pedro, onde está sepultado o poeta-profeta Bandarra. O Castelo Medieval é de visita imperdível.

Caldeirão do Corvo ©D.R.

Caldeirão do Corvo, Açores

A ilha do Corvo é a mais pequena ilha do arquipélago dos Açores. Com apenas 6,2 quilómetros de comprimento e 3,9 de largura, a ilha é ocupada pelo vulcão (já extinto) e pelo seu caldeirão, que marca a paisagem. O reconhecido Caldeirão do Corvo é uma lagoa formada no interior da cratera do vulcão, apresentando 3400 metros de perímetro. A lagoa encontra-se a 300 metros de profundidade. No seu interior é possível observar vários cones, que os populares identificam como representação de cada uma das nove ilhas dos Açores. Os salpicos de lava também podem ser vistos. Numa visita, não se vá embora sem assistir ao por do sol do topo da cratera. É um autêntico espetáculo natural.

Quintandona ©D.R.

Quintandona, Penafiel

Localizada na freguesia de Lagares, no concelho de Penafiel, a apenas uma hora do Porto, a aldeia de Quintandona é um local que tenta preservar a tradição de outros tempos. Com as casas em granito, xisto e lousa, Quintandona é marcada por uma paisagem rural. Numa visita, não descure de um passeio pedestre entre a aldeia e o Monte da Pegadinha. A paisagem é deslumbrante e vai poder encontrar pelo caminho os lavadouros tradicionais e a capela com mais de 200 anos.

Estorãos ©D.R.

Estorãos, Ponte de Lima

É uma pequena aldeia do Minho, localizada a cerca de seis quilómetros de Ponte de Lima, onde corre a ribeira que lhe dá o nome, com águas vindas da Serra de Arga. Numa visita, procure o Moinho de Estorãos, rodeado de natureza, junto à ponte romana. É um local idílico, calmo e romântico.

Drave, Arouca

É considerada a “aldeia mágica da Serra da Freita” e fica situada na freguesia de Covelo de Paivô, no concelho de Arouca. Numa paisagem deslumbrante, esta aldeia fica “perdida” numa cova entre a Serra da Freita e a Serra de S. Macário. Visitar Drave é voltar atrás no tempo e, por isso, não estranhe não obter rede de telemóvel. Com uma arquitetura marcada pelas típicas casas em xisto e em lousinha, esta aldeia está incluída no percurso do Geoparque de Arouca. A sugestão é que percorra os quatro quilómetros que dividem a aldeia de Regoufe e Drave, entre curvas e contracurvas. Pelo caminho vai cruzar-se com ribeiras e piscinas naturais fantásticas!

Santa Susana ©D.R.

Santa Susana, Alcácer do Sal

É considerada a “aldeia mais bonita do Alentejo”. Santa Susana apresenta uma arquitetura tipicamente alentejana, com casinhas térreas caiadas de branco com a típica barra azul e grandes chaminés. Tem cerca de 200 habitantes apenas. A aldeia de Santa Susana fica localizada entre duas ribeiras, perto da ribeira de Alcáçovas e da Barragem do Pego do Altar. É uma aldeia tão pequena que só tem seis ruas e nenhum tipo de comércio.

Curiosidade: na década de 50, os trabalhadores agrícolas chegavam a esta localidade para trabalhar e foram alojados na propriedade dos primos Henrique Fernandes e Manuel Louro. Anos mais tarde, os trabalhadores trouxeram as famílias para viver na aldeia, nascendo assim a aldeia Santa Susana. Ainda hoje, em algumas casas, se podem ver as iniciais dos primos Henrique e Manuel nas portas de entrada.

Outras atrações portuguesas a visitar:

– Cascatas da Peneda-Gerês
– Castro Laboreiro, Melgaço
– Berlengas, Peniche
– Benagil, Lagoa, Algarve
– Ria Formosa, Algarve
– Curral das Freiras, Câmara e Lobos, na Madeira
– Caldeira Velha, Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores
– Lagoa do Fogo, na ilha de São Miguel, nos Açores
– Miradouro Vista do Rei, ilha de São Miguel, nos Açores
– Ponta do Sossego, ilha de São Miguel, nos Açores

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