Revista Rua

2021-01-18T16:10:53+00:00 Património

Porto acolhe o primeiro Museu do Holocausto da Península Ibérica

Tutelado por membros da comunidade judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas de um dos períodos mais negros da História, o primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica será inaugurado no final de janeiro.
Fotografia ©João Bizarro
Redação
Redação18 Janeiro, 2021
Porto acolhe o primeiro Museu do Holocausto da Península Ibérica
Tutelado por membros da comunidade judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas de um dos períodos mais negros da História, o primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica será inaugurado no final de janeiro.

Por Sofia Rodrigues

O Museu do Holocausto do Porto foi criado pela Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP) e retrata a vida judaica antes do Holocausto, o Nazismo, a expansão nazi na Europa, os Guetos, os refugiados, os campos de Concentração, de Trabalho e de Extermínio, a Solução Final, as Marchas da Morte, a Libertação, a População Judaica no Pós-Guerra, a Fundação do Estado de Israel, Vencer ou morrer de fome, Os Justos entre as Nações.

Neste novo Museu os visitantes terão oportunidade de visitar a reprodução dos dormitórios de Auschwitz, assim como uma sala de nomes, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa e, à imagem do Museu de Washington, fotografias e ecrãs exibindo filmes reais sobre o antes, o durante e o depois da tragédia.

Tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto cujos pais, avós e familiares foram vítimas do Holocausto, o Museu do Holocausto no Porto desenvolverá parcerias de cooperação com museus do Holocausto em Moscovo, Hong Kong, Estados Unidos e Europa, contribuindo para uma memória que não pode ser apagada.

Charles Kaufman, Presidente da organização de direitos humanos B’nai B’rith International, sublinha o importante papel do novo Museu: “Este impressionante Museu do Holocausto é um testemunho da herança e resiliência judaicas. Que ele sirva de farol para Portugal e para o resto da Europa”.

O curador do Museu do Holocausto do Porto, o museólogo Hugo Vaz, afirma que “São esperados cerca de 10 mil alunos por ano, o mesmo número que, antes da pandemia, costumava visitar a Sinagoga”.

Através do Museu, o membro da comunidade Jonathan Lackman deseja seguir, no Porto, o papel que os avós tiveram nos EUA para a preservação da memória do Holocausto: “O meu avô fugiu de Treblinka e a minha avó foi resgatada com tifo do campo de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha, onde faleceu Anne Frank. Contarei sempre a história deles”.

Fotografia ©João Bizarro

“A construção do Museu do Holocausto no Porto contou com um donativo substancial de uma família sefardita portuguesa do Sudeste da Ásia que foi vítima de um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial”, revela o tesoureiro da CIP/CJP.

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense. Estes arquivos, agora regressados à cidade Invicta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais.

Antevendo regras legais mais apertadas em termos de saúde pública, a CIP/CJP já requereu autorização à Direção Geral de Saúde para a realização deste evento, em ambiente controlado, com um total de trinta pessoas, tendo em conta a relevância política do mesmo e a sua curta duração (50 minutos) num espaço de 500 m2 que possui plano de contingência para o Covid-19.

Porquê um Museu do Holocausto no Porto?

– O projeto governamental “Nunca Esquecer” em torno da memória do Holocausto, conta com contributos da sociedade civil, e muitos membros da comunidade judaica do Porto são vítimas do Holocausto, dado que o foram diretamente os seus pais, avós e familiares.

– Importa honrar a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto de que Portugal é membro e partilhar com a sociedade em geral os documentos e os objetos deixados pelos refugiados na sinagoga do Porto, durante a Segunda Guerra mundial.

– O Conselho da Europa exortou os países-membros a combater o antissemitismo, e o novo Museu vai integrar-se na estratégia da CIP/CJP, que todos os anos promove cursos para professores no Museu Judaico do Porto e visitas para escolas na sinagoga Kadoorie e que realizou já quatro filmes de história no âmbito de um projeto inter-religioso com a Diocese do Porto.

Fotografia ©João Bizarro

Sobre a Comunidade Judaica do Porto

A Sinagoga Kadoorie Mekor Haim é a maior da Península Ibérica e a Comunidade Judaica do Porto tem cerca de 500 membros, de mais de 30 países. Possui o Museu do Holocausto e o Museu Judaico, um cinema e parcerias de cooperação com o Estado Português, a Embaixada de Israel em Portugal, a B´nai B´rith International, a Anti Difamation League, a Keren Hayesod, a Chabad Lubavitch, bem como com a Diocese do Porto e a Centro Cultural Islâmico do Porto.

Saiba mais sobre a comunidade judaica do Porto aqui.

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