Revista Rua

2020-02-24T14:44:20+00:00 Opinião

Pronto para a aventura?

Desporto Motorizado
João Rebelo Martins
João Rebelo Martins
24 Fevereiro, 2020
Pronto para a aventura?

Quem é que já olhou as imagens de Auriol, Neveu, Meoni, Peterhansel, Kinigadner, Roma, Depres, Sainct, Price, Gonçalves, Faria, Rodrigues, no Dakar, e nunca desejou fazer aquilo? Impossível!

Quem é que viu as séries do Ewan McGregor e do Charley Boorman, ou lê as aventuras do Francisco Sande e Castro ou viu o Lawrence da Arábia e nunca desejou partir à aventura?

São essas imagens que nos fazem sonhar e nos levam a querer imitar os nossos ídolos e partir de moto por aí. Podemos ir ao fim do mundo em duas rodas; mas podemos – e devemos! – começar pelo nosso quintal.

Ainda antes de colocar a moto a trabalhar há alguns pormenores a ter em conta e uma pergunta vem desde logo à cabeça: será que me safo sozinho?! Tenho uns pneus 50/50 (pelo menos) ou levo os de ir à missa? Kit tapa furos? Óleo de corrente? Sei esticá-la? Ferramenta da moto? Capacete, goggles, casaco, luvas, calças, botas? Camel back? GPS… ai e tal, nós descobrimos o mundo sozinhos numa casca de noz sem motor e sem ajudas electrónicas!

“Eu tenho um motão, com um depósito que dá para ir do Cabo ao Cairo, mas não gosto de sujar a senhora”. Não faz mal, tudo se aprende e há quem esteja disposto a fazê-lo.

Está tudo pronto ou esquecemo-nos de alguma coisa? Falta definir a rota.

Pode-se fazer pelo método antigo de arranjar uma carta militar da zona de onde queremos começar e onde queremos terminar e começar a traçar azimutes. Ou então, sentarmo-nos em frente ao PC, ir ao Google, e começar a explorar e a colocar a imaginação a funcionar. Lembre-se: 200 km poderão levar uma eternidade a cumprir.

No Maps, versão satélite ou mapa, todos os caminhos de cabras portugueses estão assinalados e conseguimos com alguma facilidade traçar um percurso. Nunca se esqueça que vai andar num caminho público e, por isso, há outros motociclistas, caminheiros, ciclistas, animais. Há zonas em que houve alguém antes de nós que abusou e fecharam caminhos a cadeado. Se tiverem aloquete, não pode passar. Se for só uma cancela, não se esqueça de a fechar depois de passar; é a garantia que pode voltar ao local.

Como adoro ralis, fiz o CNTT e tenho uma big trail, normalmente escolho ir para Fafe, Vieira do Minho; Aboboreira; Góis, Arganil; Idanha, Penacova; Portalegre, Gavião, Abrantes. São sítios onde os acessos são bons para não queimar os pneus ou levar um atrelado e as estradas de terra estão bem conservadas. As “cabras do monte” também se dão bem por aqui.

Depois é sentir a adrenalina, é levantar o rabo do assento e guiar de pé, para ver os perigos na estrada, travar com o pé e sentir a moto a deslizar de traseira, voltar a acelerar, usar a embraiagem para sacar cavalo e evitar valas e pedras. Subir e descer a serra como se fosse um carrocel!

Pare, tire fotos, aprecie a paisagem, o momento, verifique a moto. Recomece.

O segredo para a aventura? Ter prazer, fazer tudo com um sorriso, desde preparar a moto até ao momento que nos sentimos no topo de uma duna prestes a ganhar uma etapa do Dakar. Isso é uma mentalidade de motociclista, é mentalidade de campeão.

Nota: Este artigo não foi escrito segundo o novo acordo ortográfico.

Sobre o autor:
Consultor de marketing e comunicação, piloto de automóveis, aventureiro, rendido à vida. Pode encontrar-me no mundo, ou no rebelomartinsaventura.blogspot.com ou ainda em instagram.com/rebelomartins. Seja bem-vindo!

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