Revista Rua

2020-01-18T22:31:41+00:00 Opinião

Quem a viu e quem a vê

Política
Ana Marques
Ana Marques
18 Janeiro, 2020
Quem a viu e quem a vê
©D.R.

Acho que ainda ninguém percebeu as polémicas todas que estão a envolver Joacine Katar e o seu partido – O Livre – mas para isso é que eu aqui estou, não é verdade, para vos elucidar sobre esta e tantas outras coisas mais.

Vamos lá aqui ver uma coisa. Andamos todos revoltados com as declarações de Joacine, como se ela não estivesse a fazer aquilo que prometera.

“É mentira!”

Vejamos: no dia 4 de outubro, a Renascença publicou um artigo que, visto aos olhos de hoje, é bastante interessante.

Antes de ser eleita, Joacine, que aparece numa foto com Rui Tavares, o seu mandatário nacional, afirmou que queria ver no parlamento, e passo a citar: “(…) uma mudança que nos desconforte. Se não houver desconforto não há mudança e eu sou esse desconforto.” Irónico, não é? Ou não. A verdade, à luz destas palavras joacinadas, é que a senhora está, neste momento, a fazer jus àquilo que dissera há uns meses. Poucos são os políticos que, ao entrarem para a Assembleia, ou quando estão a concorrer para as diversas eleições, consigam cumprir com os objetivos que divulgam, as promessas idílicas que espelham para um zé-povinho alarvado. E como ousamos nós, o partido dela, agora, desvalorizar tais ações? Pois claro que ela só poderia ter feito um discurso num tom nada amistoso, meus caros.

Nas palavras de Katar: “Como é que é possível? Como é que ousam fazer isto? Como é que ousam afirmar que eu não ouvi as pessoas, que eu não fui leal ao partido?” Ora, muito bem, decidam-se. Ou querem um desconforto, ou não querem. Mas decidam-se. Além disso, acham que Joacine não se esforçou? Caramba, ela esforçou-se por nem sequer votar contra ou a favor do OE de 2020 e, ainda assim, continuam a ir contra ela. Não percebo, não percebo nem eles percebem da “missa à metade!”

Eu ficaria revoltada, Joacine. Ficaria mesmo. Fui procurar que signo és – e eu não percebendo nada do assunto – reparei que és leão. Cada um interprete como queira.

Nunca entendi tão bem um discurso como este. Sinceramente, a minha utopia de a ver no Parlamento a discursar enquanto canta deixou de fazer sentido na minha cabeça, uma vez que eu agora prefiro vê-la nestes modos. Ao menos, ninguém fica adormecido e perde o fio à meada.

Sobre o autor:

Estudo Ciências da Comunicação. Sou uma espécie de Camilo Castelo Branco: escrevo coisas aborrecidas e poucos reconhecem o meu talento. Há quem diga que tenho algum humor, eu digo que emano comédia.

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