Revista Rua

2021-11-25T16:48:19+00:00 Cinema, Cultura, Personalidades

Quem é Miguel Nunes, o protagonista da série Glória?

"Glória" descreve uma história de espionagem, passada no final dos anos 60, num thriller de ação que nos transporta para os últimos anos da ditadura do Estado Novo (no auge da Guerra Fria).
©D.R.
Maria Inês Neto5 Novembro, 2021
Quem é Miguel Nunes, o protagonista da série Glória?
"Glória" descreve uma história de espionagem, passada no final dos anos 60, num thriller de ação que nos transporta para os últimos anos da ditadura do Estado Novo (no auge da Guerra Fria).

Miguel Nunes é o protagonista de Glória, a primeira série portuguesa que estreia hoje na Netflix. Nasceu em Lisboa e aos 33 anos embarca numa cápsula do tempo que nos leva até ao auge da Guerra Fria, num contexto histórico e real de um país aprisionado pelo medo e a opressão. Com um elenco forte, Glória determina um marco importante para a ficção audiovisual nacional, ao conquistar a plataforma mundial de streaming líder no mercado.

Glória descreve uma história de espionagem, passada no final dos anos 60, num thriller de ação que nos transporta para os últimos anos da ditadura do Estado Novo (no auge da Guerra Fria) com base num contexto real, em pleno Ribatejo. Realizada por Tiago Guedes e com argumento de Pedro Lopes, a série criada pela produtora SPi e coproduzida pela RTP apresenta-se sob um elenco de renome, destacando: Miguel Nunes, Victoria Guerra, Joana Ribeiro, Victoria Guerra, Albano Jerónimo, Inês Castel-Branco e Afonso Pimentel, entre tantos outros.

É no papel de protagonista que Miguel Nunes dá vida a João Vidal, um engenheiro – filho de um diretor da PIDE – recrutado pelo KGB, a polícia secreta de Moscovo. A ação decorre na vila de Glória do Ribatejo, em Savaterra de Magos, por ter sido ali construída numa propriedade isolada a Rádio Europa Livre, que funcionava como um centro de transmissões controlado pelos Estados Unidos, numa área de duzentos hectares, onde trabalhavam centenas de pessoas. Através da RARET era emitida propaganda ocidental para o bloco de leste, numa realidade ocultada e desconhecida durante anos. Segundo o argumentista, a existência deste sistema de comunicação “mostra bem a importância que a rádio teve numa guerra que não tinha uma frente concreta, mas que se fazia através da informação e da contrainformação”. É num cenário que deambula entre um “Portugal rural”, o da Glória do Ribatejo, e um Portugal cosmopolita com Lisboa a centrar o poder que esta história nacional fervilha com espionagens, mortes, mentiras e segredos.

Depois de se estrear na realização, Miguel Nunes abraça um novo desafio que acredita ser “uma oportunidade única de levar um projeto português a tantos países”, considerando “um momento muito importante para a cultura cinematográfica nacional”, na esperança de que este marco venha a abrir portas a mais investimentos. Ao percorrermos a vida profissional do ator até aqui, vemos um caminho que tocou à porta de vários projetos nacionais e internacionais que retratam também a ascensão do panorama audiovisual português.

Sabemos que iniciou a sua carreira aos 18 anos – depois de passar por Querido Professor, uma série de ficção nacional que estreou em 2000, na SIC – naquele que foi um dos fenómenos na televisão portuguesa: Morangos Com Açúcar. Interpretava Duarte Marquês, em 2006, na 4ª. temporada da famosa série juvenil. Garante ter sido um ano desafiante, mas estava certo de que não queria ficar “à mercê” de uma só área no mundo da representação, lançando-se à descoberta de tantas outras possibilidades complementares ao seu trabalho enquanto jovem ator. Estudou em algumas escolas profissionais de teatro, entrou para o Conservatório e, em 2010, participou no seu primeiro filme, E o Tempo Passa, dirigido por Alberto Seixas Santos. Segue-se O que Há de Novo no Amor, no ano seguinte, e abrem-se as portas para uma nova estrutura: o cinema. É em Cisne, um filme de Teresa Villaverde, no qual interpretava Pablo ao lado de Beatriz Batardas, que Miguel Nunes descobre uma nova paixão que o viria a lançar também para a realização. “Foi um filme que me impactou bastante e que me fez continuar a querer fazer mais cinema. Aliás, acho que foi o filme que, de alguma forma, me fez querer experimentar realizar e dirigir atores”, afirma em entrevista à SOL.

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Interpretou diferentes personagens, mas estreia-se no papel de realizador, em 2018, com a curta-metragem Anjo (You see the moon) – na qual é também o protagonista. Neste projeto, trazia a cena um Miguel profundamente abatido, flutuando por entre festas lisboetas, amizades e paixões antigas que se avivam quando uma festa improvisada irrompe pelo seu apartamento. Anjo foi apresentada na 15ª. edição do IndieLisboa que visava defender o cinema nacional livre e independente, concorrendo numa lista de 16 filmes portugueses, na competição de curtas. “Quis fazer este filme, que começou no momento em que comecei a olhar para uns cadernos que tinha. Tinha hábito de escrever algumas coisas e fui-me apercebendo que tinha reunido algumas memórias que me transportavam para um certo imaginário”, partilhou aquando da estreia. O filme percorreu desde então vários festivais internacionais, destacando a mais recente exibição no Brussels Short Filme Festival, na Bélgica. Nesta breve sinopse que reflete um percurso de duas décadas de sucesso, importa ainda salientar a participação de Miguel Nunes como protagonista em Cartas de Guerra, um drama cinematográfico realizado por Ivo Ferreira, baseado na obra de António Lobo Antunes, Cartas da Guerra: D’este viver aqui neste papel descripto (2005). O filme estreou há cinco anos e representou o cinema nacional na 89ª. edição dos Óscares da Academia Americana de Cinema, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Num ano desafiante para o setor audiovisual em Portugal, mas simultaneamente forte para o mundo do streaming, Miguel Nunes vê em Glória uma oportunidade para “atrair mais investimentos” necessários à produção artística.

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