Revista Rua

2019-08-07T17:04:16+00:00 Descobrir, Radar, Viagens

Quer motivos para visitar Belmonte este verão?

Belmonte é uma das aldeias históricas portuguesas e um destino em destaque neste verão.
Castelo de Belmonte ©D.R.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira7 Agosto, 2019
Quer motivos para visitar Belmonte este verão?
Belmonte é uma das aldeias históricas portuguesas e um destino em destaque neste verão.

Na tranquilidade da Beira Baixa, Belmonte é uma vila portuguesa que pertence ao distrito de Castelo Branco. É terra de boa comida, paisagens imensas e sobretudo muita história: sabia que foi aqui que nasceu Pedro Álvares Cabral, responsável pela descoberta do Brasil?

Situada em plena Cova da Beira, a vila de Belmonte cumprimenta os visitantes com uma vista deslumbrante sobre a encosta oriental da Serra da Estrela. Aliás, esta localização está na base de algumas teorias sobre a origem do seu nome: há quem diga que Belmonte provém do lugar onde a vila se encontra, num monte belo ou belo monte; e há quem garanta que o nome vem de “belli monte” ou “monte de guerra”. Dúvidas à parte, Belmonte é terra de sol e, por isso, um local de visita imperdível nesta temporada.

Estátua de Pedro Álvares Cabral ©D.R.

Pedro Álvares Cabral e os antepassados de Belmonte

Bom filho da terra, o navegador Pedro Álvares Cabral, que em 1500 comandou a segunda armada à Índia e, acidentalmente, descobriu oficialmente o Brasil, é o maior destaque histórico de Belmonte. Na verdade, a história de Belmonte em muito se associa à família dos “Cabrais”. Embora pertencendo à Coroa, o Castelo de Belmonte era administrado por um alcaide local e já desde 1398 que este cargo estava ligado aos Cabrais. O primeiro alcaide foi Luís Alvares Cabral. Fernão Cabral, pai de Pedro Alvares Cabral, foi o primeiro alcaide-mor. Com ele se iniciou, no século XV, a época de maior destaque do Castelo e de Belmonte. Mas, voltemos ao início: a Anta de Caria, os Castros de Caria e da Chandeirinha certificam a longevidade desta localidade na pré e proto-história. Também a presença romana é evidente pela existência da Torre Centum Cellas ou da Villa da Quinta da Fórnea, pontos de passagem da via que ligava Mérida à Guarda. Na Idade Média, o nome Belmonte surge pela primeira vez ligado à história do concelho da vizinha Covilhã, precisamente no foral concedido em 1186 por D.Sancho I. Mas, em 1199, de acordo com a sua política de povoamento e reforço da defesa fronteiriça, o mesmo rei concedeu foral a Belmonte, tendo a vila ficado até 1385 sob jurisdição da Covilhã. Em 1510, D. Manuel I concedeu a Belmonte nova carta de foral. Belmonte era, nesses tempos, reconhecido pela sua comunidade essencialmente rural, com a pecuária e a agricultura como maior fonte de rendimento da povoação. No entanto, a vila começava a ganhar algum comércio graças à fixação de Judeus. Aliás, no século XIII, Belmonte já tinha duas Igrejas (de São Tiago e de Santa Maria, junto ao Castelo) e uma Sinagoga, colocando em evidência o desenvolvimento da vila e a afluência de pessoas.

Museu Judaico ©D.R.

A presença judaica

Ao longo da História de Belmonte, é possível perceber que a vila se transformou num ponto importante para a comunidade judaica, sobretudo a partir do século XV, quando os reis católicos de Espanha publicaram o Édito de expulsão dos judeus em 1492 – seguidos pelo rei de Portugal, mais tarde. Muitos judeus vindos de Espanha estabeleceram-se nas localidades próximas à fronteira, tal como Belmonte. Foram construindo as suas casas fora da muralha do Castelo, como era regra, no chamado Bairro de Marrocos, onde ainda hoje se conseguem ver símbolos das profissões exercidas pelos membros da comunidade judaica, gravados na pedra. Por exemplo, o símbolo da tesoura identificava o alfaiate. Atualmente, Belmonte mantém vivas estas raízes judaicas, recordando tradições e costumes do culto.

Ruas de Belmonte ©D.R.

O que visitar?

O Castelo

Situado no topo da colina, o Castelo de Belmonte foi construído no século XII e foi declarado Monumento Nacional em 1927. Foi a residência da família Cabral, mas foi abandonado no final do século XVII devido a um incêndio no interior. Desde 1992 que aqui existe um anfiteatro equipado para receber espetáculos variados. Já a antiga Torre de Menagem é usada para expor permanentemente diversos itens encontrados em escavações no local.

O Museu dos Descobrimentos

Localizado no logradouro do Solar dos Cabrais, a antiga residência da família Cabral, este museu é um convite a viajar, de forma interativa, pelos 500 anos da descoberta do Brasil, ao longo de 16 salas diferentes. Objetos e episódios históricos são apresentados na visita, assim como vários pormenores da cultura brasileira, como música e literatura.

Centum Cellas ©D.R.

Centum Cellas

A cerca de cinco quilómetros do centro de Belmonte, em Colmeal da Torre, localiza-se a vila romana: Centum Cellas. Acredita-se que tenha origem no século I d.C., mas a sua funcionalidade exata é um mistério. Há vozes que dizem que possa ter sido um templo, uma prisão ou até uma albergaria para viajantes.

Sinagoga Bet Eliahu

Sabia que, apesar das perseguições, a comunidade judaica de Belmonte conseguiu preservar as suas tradições e rituais em segredo? Em homenagem à resiliência da comunidade, foi inaugurada em 1996 a Sinagoga Bet Eliahu, na altura em que se assinalavam os 500 anos do Édito de D. Manuel que ordenava a expulsões de judeus e muçulmanos do território português.

Museu Judaico

Está recheado de peças históricas e objetos utilizados em segredo pela comunidade judaica em Belmonte. É mais um ponto de homenagem a todos os judeus que durante séculos resistiram a perseguições.

Estátua de Pedro Álvares Cabral

Como não poderia faltar, o navegador que descobriu o Brasil, natural de Belmonte, tem em sua homenagem uma estátua, inaugurada em 1961.

Solar dos Cabrais

É a antiga residência da família de Pedro Álvares Cabral e é atualmente a Biblioteca e o Arquivo Municipal de Belmonte. No seu logradouro encontra-se o Museu dos Descobrimentos.

Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais

A Igreja de Santiago é Monumento Nacional e a sua origem remonta a 1240. Localizada num dos caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela, esta igreja tem como atração principal os vestígios de frescos no seu teto e paredes e uma Pietá (escultura de Nossa Senhora da Piedade) com cerca de 1,5m de altura, datada do século XIV. Nas imediações, encontra-se ainda o Panteão dos Cabrais, local onde se encontram guardadas as cinzas de Pedro Álvares Cabral e outros familiares.

Ecomuseu do Zêzere

Com funções didáticas e pedagógicas, o Ecomuseu do Zêzere está instalado na antiga Tulha dos Cabrais e, acompanhando o percurso do rio Zêzere, desde a sua nascente até à foz, permite conhecer os elementos da fauna e flora da região.

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