Revista Rua

2019-04-16T18:13:48+00:00 Sabores, Vinhos

Quinta de Covela, a metamorfose de uma história quase cinematográfica

Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira16 Abril, 2019
Quinta de Covela, a metamorfose de uma história quase cinematográfica

É ao abrigo das encostas do Douro, com vista panorâmica sobre o rio, que a Quinta de Covela descansa os seus 49 hectares (18 deles plantados com vinha) entre as freguesias de São Tomé de Covelas e Santa Cruz do Douro. Na fronteira entre a zona granítica da Região dos Vinhos Verdes e a região de xisto dos Vinhos do Porto, a Quinta de Covela preserva a sua história, iniciada no século XVI, associada a vinhos de excelência (com as castas Avesso e Touriga Nacional a servir de traves-mestra). Numa paisagem icónica que testemunha a produção multissecular de vinho, a quinta guarda a antiga Casa de Covela, formada pelas ruínas do solar renascentista, os lagares e a capela. Manoel de Oliveira, o mais consagrado cineasta português e um vulto do cinema europeu foi um dos proprietários da Covela, transformando a quinta graças à construção de aquedutos, muros maciços, casas de pedra e eiras de granito. Mas foi com Nuno Araújo, no final dos anos 80, que a marca Covela ganha vida, depois de um investimento nas vinhas e consequente projeção dos vinhos ali produzidos. Este desenvolvimento culminou com a conquista do estatuto de produtor biodinâmico, em 2007, facto que coloca a Quinta de Covela na vanguarda vinhateira do país. No entanto, seguiram-se anos de impasse e, em 2011, a quinta voltou aos seus tempos áureos graças ao investimento dos novos proprietários (Tony Smith e Marcelo Lima, grupo Lima & Smith), que mantiveram a aposta em Rui Cunha, enólogo envolvido no projeto desde 1992 e responsável pela criação dos vinhos Covela desde 1998.

Covela Avesso ©Luís Silva Campos

A localização privilegiada da quinta, na margem direita do Baixo Douro, a sua forma topográfica em anfiteatro exposto a sul, o seu microclima quase mediterrânico, os seus solos graníticos e pobres que obrigam as raízes das vinhas a procurar água e minerais nas profundezas das terras são os principais motivos que garantem a produção de vinhos únicos e carimbam um carácter distintivo à Quinta de Covela, que recentemente tem vindo a explorar o potencial de castas, na sua maioria portuguesas, menos conhecidas internacionalmente. Estaremos num momento de novo ponto de viragem da Quinta de Covela?

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