Revista Rua

2020-10-06T17:10:34+00:00 Sabores, Vinhos

Quinta Vale D. Maria: o surpreendente lançamento da gama Douro Superior

©D.R.
Maria Inês Neto
Maria Inês Neto6 Outubro, 2020
Quinta Vale D. Maria: o surpreendente lançamento da gama Douro Superior

Com os olhos postos num horizonte vinhateiro e abraçados pela enorme encosta do Vale do Rio do Sabor, fomos recebidos na Quinta do Vale do Sabor, em pleno coração do Douro Superior, para uma experiência sensorial – intimista e surpreendente – pelo admirável mundo da produção vinícola. Adquirida em 2016 pela Aveleda, a Quinta do Vale do Sabor descreveu o cenário perfeito para conhecermos na íntegra o mais recente projeto da marca: o lançamento da gama Douro Superior da Quinta Vale D. Maria.

©Nuno Sampaio

“A Quinta Vale D. Maria é um projeto que nasce no Cima Corgo e, por isso, este trajeto para o Douro Superior é algo surpreendente para nós, mas que começa em 2016, quando a Aveleda faz a aquisição da Quinta do Vale do Sabor – que na altura se chamava Seis Quintas – para criar um projeto que se focou muito em três castas: Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz”, introduz-nos a responsável pelas Relações Públicas, Francisca Van Zeller.

Em 2017, aquando a aquisição da Quinta Vale D. Maria, a Aveleda aproveitou o momento para revisitar o seu vasto portefólio, concluindo que faria sentido preservar uma aposta na gama do Douro Superior, que tem vindo a afirmar cada vez mais notoriedade. “Aproveitamos a alavanca que o Douro Superior estaria a ganhar e a procura que existem destes vinhos, que são muito mais frutados e mais minerais. A par destes, tínhamos os de Cima Corgo, que representam a complexidade e diversidade de castas e de vinhas velhas. Portanto, temos aqui dois perfis um pouco distintos”, conta-nos Francisca Van Zeller. Também Manuel Soares, diretor de enologia da Aveleda, concorda: “A integração de duas propriedades no Douro – uma no Douro Superior e outra no Cima Corgo – veio permitir à Aveleda alargar os seus horizontes, o seu espectro da ação e colocar-nos novos desafios e ambições”, acrescentando: “Do ponto de vista enológico, aprendemos muito com o Douro”.

Associada à Quinta Vale D. Maria, na propriedade de Douro Superior, encontramos a Quinta Vale do Sabor, uma vasta propriedade marcada por um legado histórico e raízes vincadas num futuro que se avizinhava promissor. À chegada à quinta, fomos recebidos pelo diretor de viticultura da Aveleda, Pedro Barbosa, que nos conduziu numa maravilhosa visita pelas vinhas até chegarmos à adega, permitindo traçar o ciclo de vida de produção de um vinho – da casta à garrafa. Ainda que não seja uma quinta com muitos anos de cultura vinícola, a sua história é particularmente curiosa: os antigos proprietários, de nacionalidade espanhola, dataram-na com o nome de Seis Quintas, uma vez que a propriedade agregava, num total de 43 hectares, seis pequenas quintas, mas, por questões de falta de investimento, o projeto viria a ficar entregue ao abandono. “Em 2016, a Aveleda comprou esta quinta, mas encontrámo-la num estado de semiabandono e as vinhas caminhavam para um triste fim. Curiosamente, aos poucos, percebemos que tudo aqui foi perfeitamente bem feito, principalmente a adega e o sistema de rega”, afirma Pedro Barbosa.

Neste tesouro escondido no coração do Douro Superior, a Quinta do Vale do Sabor revela propriedades admiráveis, não só relacionadas com a elevada qualidade de fertilização dos solos, como também uma logística de produção que assenta no reaproveitamento da água da chuva para posterior utilização. Como é que isto acontece?  Todos os patamares descrevem uma inclinação constante e as estradas de cada patamar asseguram uma recuperação de água, pelo que toda a água que é recuperada, quer nos patamares quer nas estradas, é canalizada para os fundos dos vales. Na união dos vales, encontramos uma charca, o local onde é recuperada a água da chuva – que representa cerca de 90% da água utilizada na quinta. “Temos duas charcas e conseguimos passar a água de uma para outra, uma vez que apenas uma das charcas está impermeabilizada. Nos vértices dos vales temos tanques, nos quais bombeamos água proveniente das charcas e regamos por gravidade”, explica-nos o diretor de viticultura. Este processo de reaproveitamento vai muito ao encontro da missão assumida pela Quinta Vale D. Maria, no processo de adoção de medidas que visam a constante sustentabilidade da produção vinícola.

Vinhas traçadas, entramos na adega e deixámo-nos surpreender por uma estrutura – relativamente recente – que se divide em áreas distintas, nas quais tudo acontece em simultâneo. Uma brisa fresca acompanhou-nos numa maravilhosa experiência sensorial, proposta por Francisca Van Zeller, que nos viria a apresentar as novidades da marca: o lançamento da gama Douro Superior. À reconhecida família de vinhos, chegam agora dois novos nomes que não querem ser esquecidos: Vale D. Maria Douro Superior e Vale D. Maria Vinhas do Sabor. Passando para as apresentações, temos, respetivamente, um vinho produzido a partir de castas Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz, entre outras provenientes das encostas do Vale do Rio Sabor e do Rio Douro, e um vinho produzido a partir de uvas encontradas na Quinta Vale do Sabor – num dos mais especiais vales da região. Numa zona onde o vale se revela mais apertado, a Aveleda plantou diversas castas, as quais formulam o Vale D. Maria Vinhas do Sabor, mais concretamente: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alicante Boushet e Baga. Dada a sinuosidade do rio Sabor, este segundo vinho apresenta apenas castas provenientes da Quinta do Vale do Sabor. Em termos de harmonização, ambos os vinhos acompanham na perfeição pratos de carne.

Os três novos vinhos da gama Douro Superior de Quinta Vale D. Maria já se encontram disponíveis para venda nos locais habituais.

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