Revista Rua

2021-03-05T12:42:49+00:00 Histórias

Retrospetiva de um ano pandémico

A 5 de março de 2021, existem 1708 casos internados e 399 casos internados nas unidades de cuidados intensivos. Existem ainda 63.945 casos ativos e um total de 727.053 doentes recuperados.
Redação5 Março, 2021
Retrospetiva de um ano pandémico
A 5 de março de 2021, existem 1708 casos internados e 399 casos internados nas unidades de cuidados intensivos. Existem ainda 63.945 casos ativos e um total de 727.053 doentes recuperados.

17 novembro de 2019: o dia em que é conhecido o primeiro caso em Wuhan. Dia 31 de dezembro de 2019: Organização Mundial da Saúde toma conhecimento de mais de duas dezenas de casos do SARS- Cov-2. 2 de março 2020: os dois primeiros casos positivos em Portugal. Assim começou um cenário pandémico, nunca pensado.

A 15 de janeiro de 2020, a diretora da DGS, Graça Freitas, faz a primeira declaração ao país sobre a Covid-19, informando que o vírus estava controlado. No fim do mês de fevereiro, dado o contexto de Itália, o Presidente da República considera que o vírus será um problema europeu. Ao longo dos dias, o número de casos no continente e na restante Europa aumenta de forma galopante.

A primeira morte por Covid-19 em Portugal ocorreu no dia 17 de março. Dois dias depois é decretado estado de emergência. Em democracia, o país apenas tinha vivido neste registo com a tentativa do golpe militar de novembro de 1975. A partir deste dia, todos os portugueses foram obrigados ao recolher domiciliário, o país adaptou-se à nova realidade, com teletrabalho, aulas online, encerramento de centros comerciais, restaurantes e estabelecimentos de comércio.

Um dos grandes problemas sentidos pela obrigatoriedade do confinamento foi a alteração da saúde mental dos portugueses. Passaram a estar disponíveis serviços de apoio psicológico, para a população geral, como a linha SOS Voz Amiga, apoio por parte do Governo e Ordem dos Psicólogos, Linha Conversa Amiga, Sociedade Portuguesa de Psicanálise. Outra das iniciativas importantes foi, num tom humorístico, os diretos realizados no Instagram por Bruno Nogueira, que ajudaram milhares de portugueses a passarem os serões com um sentimento de comunidade.

Depois de renovações do estado de emergência, no dia 1 de maio o país passa a estado de calamidade pública, mas com contínuos casos de infetados. O mês de maio foi marcado pelo cancelamento dos festivais de verão e uma polémica com a Festa do Avante, que aconteceu em setembro. Durante o verão, existiu o fim do dever cívico de recolhimento e o Governo aprovou o Programa de Estabilização Económica e Social até ao fim do ano. O mês de agosto é assinalado pelo surto no lar de Reguengos de Monsaraz e começou a sentir-se o aumento de óbitos no país.

Em outubro, a situação pandémica voltou a piorar, começando uma segunda vaga, na altura, marcada por um dos maiores picos de infetados no dia 10 de outubro com 1646 infetados. Ao longo dos dias, a situação agravou e foram definidas distintas medidas para os concelhos, de acordo com o número de infetados por cada 100 mil habitantes.

Depois de quase dez meses de pandemia, a esperança estava e está no sucesso das vacinas contra a Covid-19. A primeira vacinação em Portugal ocorreu dia 27 de dezembro ao infeciologista do Hospital de S. João do Porto, António Sarmento. Até hoje já foram administradas mais de 929.133 vacinas (655.719 de primeira dose e 273 414 de segunda dose).

A vacinação está dividida em três fases. Primeiramente, o foco foi vacinar os profissionais de saúde e os residentes em lares. A partir de fevereiro, foram vacinadas as pessoas com mais de 50 anos com alguma patologia, que em caso de infeção há um risco de internamento ou desfecho fatal. E ainda, pessoas com mais de 80 anos, com ou sem patologias. Existiam mil vacinas direcionadas para pessoas com órgãos de soberania e cargos essenciais. Na segunda fase, a partir de abril, a vacinação será direcionada a todas as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e entre os 50 e 64 anos com patologias de risco. A terceira fase não tem data definida, mas será destinada à restante população. Recentemente, foi criada uma petição pública para a inclusão dos estudantes de enfermagem nos grupos prioritários do plano de vacinação, devido à exposição ao vírus e o constante contacto com surtos de Covid-19. O objetivo delineado pela Comissão Europeia é ter 80% dos idosos com mais de 80 anos e 80% os profissionais de saúde vacinados até março de 2021.

Portugal e o resto do mundo sofreu um grande abalo económico, com uma paragem forçada de todo o serviço, comércio, hotelaria e cultura. Em Portugal, apesar de todos os concertos e eventos online, a cultura teve uma quebra superior a 70% em comparação com o ano de 2019. Na terceira vaga, foi criado um apoio a todos os profissionais do setor de 438,81€ por trabalhador, a criação do Programa Garantir Cultura que inclui 42 milhões de euros e um aumento da quota da música portuguesa na rádio para 30%. Foram criados movimentos como #ACulturaÉSegura, com o intuito de incentivar a população a frequentar os espetáculos. Contudo, as dificuldades são indescritíveis, existem dezenas de postos de trabalho a passarem graves dificuldades, foram criados grupos para ajuda alimentar aos profissionais, como o NOS SOS, e da União Audiovisual. A restauração foi outro setor que sofreu e sofre muitas dificuldades, desde a redução da capacidade dos espaços, obrigação de higienização de todos os espaços e obrigatoriedade do takeaway. Os apoios oferecidos passam pelo Programa Apoiar, acesso ao lay off simplificado, a linha de crédito Covid-19 e o apoio a rendas. Após algumas manifestações com intuito de os apoios serem melhorados, o grupo Sobreviver a Pão e Água fez uma greve de fome, em frente à Assembleia da República, de dia 27 de novembro a 3 de dezembro, que terminou após recolherem mais de 75 mil assinaturas e serem ouvidos pelo Presidente da Câmara de Lisboa. O movimento continua a oferecer ajuda a famílias carenciadas, através da entrega de cabazes alimentares. A pandemia agravou o défice de 2020 para 9704 milhões de euros.

A terceira vaga começou em janeiro, muitos especialistas culpam o Governo por não ter existido limitações durante a época do Natal e de Ano Novo. No dia 8 de janeiro existiram mais de 10 mil infetados e com mais de uma centena de mortes. Depois deste dia assistiu-se a um aumento diário do número de mortes e de novos infetados. Apenas vinte dias depois, confirma-se um aumento drástico, com 16.432 infetados e 303 mortes. Até dia 29 de janeiro, morreram quase 12 mil pessoas vítimas de Covid-19.

Depois de longos meses de luta, o SNS esteve em rutura, desde profissionais até às infraestruturas dos hospitais. Os profissionais de saúde lidaram com uma medicina de catástrofe, desde falta de camas, de ventiladores e a serem obrigados a escolher os doentes a quem prestar auxílio. Apesar das estruturas de retaguarda criadas, os hospitais estiveram sob pressão. O caso do Hospital Santa Maria foi um destaque, com o fenómeno das filas de ambulâncias para entrar no hospital. Em comunicado o hospital refere que apenas 15% dos doentes transportados em ambulância justificavam urgência hospitalar. Contudo, após a falha de oxigénio no Hospital Amadora-Sintra foram transferidos 48 doentes Covid e 20 encaminhados para o Hospital de Santa Maria. O caos hospitalar e a rutura dos profissionais de saúde foi visível por todo o país. Foi criada a associação Cama Solidária, com o objetivo de oferecer um lugar de descanso aos profissionais de saúde.

O número de mortes e infetados aumentou, de dia para dia. Entre janeiro e fevereiro de 2021, as recomendações de confinamento, a obrigatoriedade de teletrabalho e os impedimentos de circulação fizeram os números iniciarem uma descida. A 5 de março de 2021, existem 1708 casos internados e 399 casos internados nas unidades de cuidados intensivos. Existem ainda 63.945 casos ativos e um total de 727.053 doentes recuperados. O número de mortos aponta já para um total de 16.458 óbitos por Covid-19 em Portugal desde 2020.

 

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