Revista Rua

2019-08-12T12:53:02+01:00 Cultura, Outras Artes

RHI – Revolution_Hope_Imagination: artes e negócios em diálogo, de Norte a Sul

O RHI – Revolution_Hope_Imagination é um evento que acontece de 14 a 21 de setembro, em várias cidades do país. Ana Ventura Miranda, diretora do Arte Institute, diz-nos: “A ideia é que o RHI seja uma mentalidade, uma rede que promove o diálogo”.
Ana Ventura Miranda ©Clara Pereira
Andreia Filipa Ferreira12 Agosto, 2019
RHI – Revolution_Hope_Imagination: artes e negócios em diálogo, de Norte a Sul
O RHI – Revolution_Hope_Imagination é um evento que acontece de 14 a 21 de setembro, em várias cidades do país. Ana Ventura Miranda, diretora do Arte Institute, diz-nos: “A ideia é que o RHI seja uma mentalidade, uma rede que promove o diálogo”.

Com a intenção de colocar as Artes e os Negócios, a Cultura e o Turismo em diálogo, Ana Ventura Miranda é a impulsionadora do RHI – Revolution_Hope_Imagination, uma iniciativa que reúne em várias cidades portuguesas, de Norte a Sul, uma série de curadores, programadores culturais e artistas de várias partes do mundo. O evento, organizado pelo Arte Institute do qual Ana Ventura Miranda é diretora, acontece de 14 a 21 de setembro em locais culturalmente emblemáticos de Lisboa, Torres Vedras, Caldas da Rainha, Óbidos, Guimarães, Leiria, Alcobaça, Évora, Vidigueira, Loulé, Funchal e Faro. São espetáculos, talks e workshops nas áreas da Música, Arquitetura, Design, Teatro, Cinema, Audiovisual, Dança, Literatura, Educação e Cidadania, contando com a presença de ilustres profissionais, como Jill Sternheimer, do Lincoln Center; Jason Fine, editor da Rolling Stone; o ator português Joaquim de Almeida; o realizador Pedro Varela; os escritores José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares e Ondjaki; entre muitos outros. Com ajuda de Ivo Canelas e Paula Abreu na curadoria, Ana Ventura Miranda explicou-nos, em entrevista, os propósitos principais deste grande evento que pretende levar, cada vez mais, Portugal para o mundo. Os bilhetes para o evento já estão à venda na Ticketline.

RHI - Revolution_Hope_Imagination, cartaz promocional

Em primeiro lugar, gostaríamos de conhecer melhor o percurso da Ana. Pode contar-nos o que tem feito em termos de carreira profissional?

Iniciei a minha carreira como atriz e produtora. Ao mudar-me para Nova Iorque em 2006, trabalhei como jornalista para a televisão portuguesa e para a Rádio ONU, trabalhei na Missão Permanente de Portugal junto das Nações Unidas e na emblemática Sonnabend Gallery. Em 2011, fundei o Arte Institute, um instituto independente, sem fins lucrativos, para a internacionalização da arte e cultura contemporânea portuguesa. Tenho sido responsável pela organização de diversos eventos culturais em todo o mundo, incluindo o NY Portuguese Short Film Festival, a Semana José Saramago em NY, Pessoa in New York, Arte Institute Contemporary Dance at Alvin Ailey, Gaiola Dourada no MoMA, Portugal in Soho, Programa do Arte Institute no Iberian Suite Festival do Kennedy Center, Concertos SummerStage no Central Park, entre vários outros. Em 2015 recebi o Prémio D. Antónia Ferreira e em 2017 o Prémio da PALCUS na categoria de Leadership for the Arts.

Sou alguém que acredita muito no valor de Portugal, dos seus cidadãos, da sua arte e cultura. Alguém que acredita também que os dez milhões e meio de portugueses têm de fazer a sua parte para construir o país que querem.

É diretora do Arte Institute. O que devemos mesmo saber sobre esta organização?

Fundado a 11 de abril de 2011, o Arte Institute é uma organização pioneira, independente e sem fins lucrativos, sediada em Nova Iorque, que dinamiza a produção e difusão de artistas e projetos de arte contemporânea portuguesa, através de eventos que produz em todos os continentes. Em oito anos já promoveu quase 900 artistas e esteve presente em 36 países e 85 cidades. É o único projeto português no mundo que, de forma sustentada, tem conseguido promover a cultura contemporânea e a marca “Portugal”, transversalmente em todas as áreas artísticas.

O propósito maior do Arte Institute é promover a cultura contemporânea portuguesa no mundo. De que forma é que esse objetivo tem sido cumprido? Que tipo de iniciativas têm sido desenvolvidas?

O Arte Institute promove cerca de 125 eventos por ano em 36 países no mundo na área do cinema, música, dança, teatro, performance e literatura. Em Nova Iorque temos pelo menos um evento por mês e temos integrado a programação de programas emblemáticos na cidade como o SummerStage no Central Park (Mariza, Noiserv, the Gift, Selma Uamusse, Dead Combo). Temos sustentadamente mantido eventos como o NY Portuguese Short Film Festival e o Summer Nights Series at Union Square Park que vão na IX Edição, o Portugal no Soho, que vai na IV Edição e onde fechamos uma rua principal do Soho para celebrar a herança portuguesa neste bairro, para além de termos já trazido ao MoMA filmes como o Filme do Desassossego, A Gaiola Dourada, Amadeo de Souza Cardoso, entre outros.

O facto de estarmos a fazer sustentadamente este trabalho e há oito anos, bem como o crescimento anual, mostra que em todo alcançamos a nossa missão e que a arte, cultura e os artistas portugueses têm qualidade e espaço no mundo.

A curadoria desta edição ficou a cargo de Ana Ventura Miranda, Ivo Canelas e Paula Abreu. Já a programação foi responsabilidade de Afonso Cruz, José Luís Peixoto, Marta de Menezes, Pedro Varela, Christophe Fonseca, Nuno Bernardo e John Gonçalves.

No âmbito das iniciativas desenvolvidas, temos obviamente que nos focar no RHI – Revolution_Hope_Imagination. É uma ação que promove um diálogo mundial e que terá lugar entre 14 e 21 de setembro. Qual foi o ponto de partida desta ideia? E de que forma é que este evento a desafia?

O ponto de partida foi o know how que ganhei com o Arte Institute. Criámos as redes mundiais que temos hoje para poder chegar a estes programadores e curadores, as redes de escolas e organizações mundiais para criar o programa educacional, a rede para depois internacionalizar os projetos do Call for Artists. (O Call for Artists foi o desafio que lançámos aos artistas em abril para se candidatarem com os seus projetos. Os projetos/espetáculos selecionados vão ser agora integrados nos eventos RHI e depois de setembro passam a estar disponíveis e a poderem ser vistos na parte da plataforma RHI – www.rhi-think.com. A partir daí, qualquer produtor de qualquer parte do Mundo passa a ter acesso a estes espetáculos podendo assim conhecer o trabalho dos nossos artistas nacionais).

No fundo, o que estamos a fazer, é a criar um modelo Arte Institute dentro do país que possa ser mais um recurso para os artistas e que estimule as redes entre produtores, cidades e artistas.

Esta iniciativa, desafia-me por ser sempre mais difícil ser um português a tentar fazer um projeto desta dimensão dentro do país, mas acima de tudo tenho a certeza de que a sociedade civil pode e deve ter uma voz na construção do país e mais uma vez vamos provar isso.

Será uma semana de espetáculos, apresentações e workshops numa lógica de envolvimento entre pessoas, correto? Explique-nos melhor o que acontecerá nesta iniciativa.

O RHI é uma iniciativa que pretende criar um novo diálogo entre a Arte & Business, a Cultura e o Turismo e trazer essa discussão para Portugal através de uma semana de talks, workshops e espetáculos por todo o país, com curadores, programadores e artistas vindos de várias partes do mundo. A iniciativa continuará através de uma plataforma online que garantirá a sustentabilidade dos objetivos da iniciativa, criando redes nacionais e ao mesmo tempo abrindo portas para a internacionalização dos artistas portugueses.  Através da plataforma, será possível, depois de setembro, fazer o booking de espetáculos portugueses e também permitirá que agentes turísticos possam fazer o mesmo para os seus clientes que venham a Portugal. A iniciativa tem lugar de 14 a 22 de setembro e tem 12 cidades de Norte a Sul associadas ao evento. Haverá talks e workshops específicos para profissionais das artes e cultura, mas também workshops e shows para o público em geral. Os bilhetes para todas estas propostas já estão à venda e podem ser adquiridos na  ticketline. Para além dos bilhetes, é possível também aderir ao Membership Anual do RHI que garante descontos – a público e profissionais – nos eventos da iniciativa durante 12 meses. As informações relativas a esta oferta encontram-se no separador Membership do site. 

A intenção é que o evento passe por várias cidades portuguesas. Que áreas principais serão focadas e de que forma é que o evento muda conforme a cidade?

A música, dança e teatro/cinema acabaram por ter um destaque pelos speakers e programadores que ficarão uma semana em Portugal, que conhecerão os artistas locais de cada cidade porque estamos a organizar showcases para a promoção desses artistas. Para além de que, consoante o interesse das cidades, adequamos as palestras e workshops. E a descentralização é isto mesmo que estamos a fazer, levando de Norte a Sul do país o acesso e a promoção artística dos locais envolvidos.

Que tipo de artistas e curadores internacionais são esperados, no total?

A maior parte dos espetáculos foram selecionados através do referido Call for Artists lançado em abril e que num mês teve mais de 200 candidaturas de 29 países. Os curadores vêm da América do Norte e Sul, Europa, Países CPLP e também da Ásia. Acho que a comitiva que virá dos EUA, quase 20 speakers, terá uma importância fundamental para a internacionalização de alguns projetos num futuro próximo e também estão a trazer várias ferramentas para a compreensão deste mercado. Informações sobre vistos e autorizações necessárias para atuar nos EUA; como fazer uma proposta de negócio para apresentar a uma empresa para conseguir uma parceria ou um financiamento e as sessões de Q&A com programadores americanos, são apenas alguns exemplos destas ferramentas.

“Queixarmo-nos no Facebook não faz o país avançar, a oportunidade está aqui e espero que os artistas e o país saibam tirar o máximo partido deste momento em que tentamos dar o salto para que Portugal também passe a ser visto como um destino cultural.”

Sabemos que o programa é vastíssimo. Quer destacar-nos alguns momentos? O que devemos aguardar com maior entusiasmo?

É difícil destacar porque todos os programas nas diferentes áreas têm interesse para quem está nessa área e discute ou apresenta novas formas de resolver desafios. No entanto, como referi, acho que a música este ano acabou por reunir um conjunto muitíssimo interessante, com muitas expectativas. Haverá também um show com Ondjaki, António Jorge Gonçalves, Filipe Raposo com convidados especiais como Afonso Cruz, no dia 14 setembro na Culturgest que será imperdível.

Tendo em conta que o objetivo principal do RHI é dialogar sobre arte, negócios, cultura e turismo, gostaríamos de perguntar à Ana a sua visão sobre estas áreas no nosso país. Considera que há uma lacuna em termos de ligação entre estas áreas? De que forma podemos promover essa ligação?

Em relação à Arte e Negócio ainda há muito por fazer e há ligações e parcerias que em muito podem ser exploradas e que o Arte Institute tem conseguido pôr em prática nestes oito anos, por isso mesmo queremos partilhar o nosso método e experiência. Em relação à cultura e turismo acho que há uma verdadeira lacuna enquanto houver operadores turísticos a dizerem-me que fazem um day trip para uma cidade e que não ficam lá de noite porque não há nada para fazer à noite com os visitantes. Por isso mesmo, na plataforma do RHI, temos uma secção chamada “reservations” que liga agentes turísticos com programas culturais que ajudaremos a criar, para fomentar esta conexão entre turismo e artistas. Nesse mesmo “reservations”, os programadores poderão também requisitar espetáculos para as suas programações.

Ana Ventura Miranda

Considerando o desafio e aguardando ótimos resultados, a Ana antecipa um balanço positivo para esta primeira edição do RHI? Há intenções que isto se torne um evento anual com ambições crescentes?

A ideia é que mais do que uma iniciativa anual com um evento anual, o RHI seja uma mentalidade e uma rede, que através da plataforma rhi-think.com promove este diálogo o ano inteiro, com mais talks, workshops e rodando os shows que foram selecionados. O resultado será sempre positivo!  Já é uma vitória a concretização de uma iniciativa da sociedade civil, que corre o país de Norte a Sul, passa por 12 cidades, apresenta artistas portugueses de todo o país a programadores internacionais e traz ainda o conhecimento destes programadores ao país. E com um orçamento de apenas 33.000 euros.  Só este feito já é único e muito positivo para Portugal e espero que as pessoas percebam o quanto está nas mãos delas fazer. Queixarmo-nos no Facebook não faz o país avançar, a oportunidade está aqui e espero que os artistas e o país saibam tirar o máximo partido deste momento em que tentamos dar o salto para que Portugal também passe a ser visto como um destino cultural.

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