Revista Rua

2021-01-05T17:24:18+00:00 Cultura, Teatro

Ricardo III de William Shakespeare em cena no Teatro da Trindade

O último Rei da Casa de Iorque que medita ao som de música dançante.
©Filipe Ferreira
Cláudia Paiva Silva5 Janeiro, 2021
Ricardo III de William Shakespeare em cena no Teatro da Trindade
O último Rei da Casa de Iorque que medita ao som de música dançante.

Primeiro estamos numa pista de dança, onde lordes, condes, damas e princesas brindam à felicidade, à alegria de Paz, deixando-se levar por insanas vontades de luxúria e prazer. Logo de seguida um estrondo e gritos. Entra em cena aquele que é maquiavélico, traidor, assassino, disforme, anormal, estranho, demónio. Vilão.

A peça de Shakespeare, inspirada em relatos da época, obviamente elaborados numa conotação negativa puramente política, traçam um perfil escabroso de um conde tornado Rei, após duas mãos cheias de mortos, aos que se incluem o seu irmão, e possivelmente os seus sobrinhos herdeiros ao trono (hoje ainda denominados como os Príncipes da Torre por nunca se ter descoberto qual o seu verdadeiro paradeiro ou destino) bem como daqueles que lhe foram fiéis e confidentes. A própria auto-descrição da personagem não nega os ímpetos sombrios a sede de Poder que são a chave para todas as suas ações.

©Filipe Ferreira

Diogo Infante surge assim firme em palco numa das peças mais difíceis do autor britânico, numa caracterização que relembra Marilyn Mason, Trent Reznor e até mesmo Joker, a personagem mais complexa da saga Batman, sobretudo nos momentos mais cínicos que obrigam o espectador a largar risos, ou quando medita escutando os acordes de Billie Eilish. Contudo, não lhe é concedida qualquer empatia. A perversidade é maior do que qualquer compaixão, mesmo que o seu maior desejo seja ser amado. O restante núcleo de atores, destacando-se João Jesus, Virgílio Castelo, Guilherme Filipe, Diogo Martins e Sílvia Filipe, enchem totalmente o palco como as personagens que são as forças motoras para o desencadear de eventos. Não há ninguém que seja prescindível, ou que não tenha algo para dizer, são vítimas de um predador voraz que se verá morto em batalha.

Com encenação de Marco Medeiros e produção do Teatro da Trindade/INATEL, estará em palco até dia 31 janeiro.

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