Revista Rua

2019-08-02T16:48:02+01:00 Cultura, Música

Rita Sampaio: “O futuro de IVY passa por continuar a criar, reinventar”

Rita Sampaio é o rosto do projeto IVY e acabou de lançar um novo single.
©Angela Bismarck
Nuno Sampaio2 Agosto, 2019
Rita Sampaio: “O futuro de IVY passa por continuar a criar, reinventar”
Rita Sampaio é o rosto do projeto IVY e acabou de lançar um novo single.

Rita Sampaio, vocalista dos Grandfather’s House, aventura-se  a solo com o álbum Over And Out. Numa altura em que lança o seu segundo single, “Black Matter”, fomos falar com uma das mais promissoras artistas no panorama da música nacional.

Quando é que começaste a pensar neste projeto a solo? Como é que tudo começou?

Comecei por fechar-me na sala de ensaios com um teclado. Alguns esboços de músicas começaram a surgir, fui escrevendo umas letras e começando a perceber que começava a ter trabalho no qual valia a pena investir. A vontade de explorar novas sonoridades também cresceu e foi aí que falei com o meu grande amigo, João Figueiredo, para se juntar a mim e me ajudar a produzir os temas.

Consideras este trabalho autobiográfico?

Sim, completamente. Este trabalho é tão autobiográfico como foi terapêutico e me ajudou a superar montes de problemas dos quais não me conseguia libertar.

O teu primeiro trabalho Over and Out é uma peça intimista e reveladora ao mesmo tempo. Como foi fazer um trabalho, do princípio ao fim, pensado apenas por ti?

Foi uma surpresa e diferente de tudo o que já tinha feito. Apesar de ter tido muita gente que me ajudou e deu ideias, grande parte do que está no disco, é exatamente o que tinha na cabeça e queria transportar para os temas. Senti, e sinto, um sentimento de realização muito grande.

O que queres passar cá para fora com este trabalho?

Talvez umas das palavras chave seja “sinceridade”. Acho que gastamos demasiado tempo a tentar fugir de questões, a contornar problemas que poderiam ser facilmente evitáveis com um bocadinho mais de sinceridade, connosco e com as pessoas que nos rodeiam.

Nas tuas canções encontramos alguns traços de Lower Dens e Fever Ray. Há aqui uma mistura eletrónica com uma sonoridade dark e pessoal. Quais foram as tuas principais influências para este trabalho? O que é que ouviste mais no processo de construção deste álbum?

Posso dizer que esses dois projetos não foram, de forma nenhuma, influências. No fundo, estamos todos a ir buscar as mesmas influências e é giro ver como as coisas se cruzam. Exatamente porque já não há nada a criar, todos tentamos recriar. Mas penso que artistas como Perfume Genius, Sevdaliza, James Blake, foram fortes influências.

Gravaste este álbum em Braga, pela Cosmic Burguer. O facto de “jogares” em casa facilitou o processo?

Grande parte do processo aconteceu em Braga, sim. O João Figueiredo é um grande amigo meu, quase como um irmão, por isso foi fundamental ter tido esse apoio durante o processo.

O facto de ter sido editado por uma editora local, significou muito também. Não só pela edição em si, mas por todo o apoio e todo o trabalho incrível que têm feito comigo.

Também passaste uma semana a gravar na Casota Collective, em Leiria. Como é que foi essa experiência?

Foi super inspirador. Acho que foi a melhor coisa que podia ter feito para fechar este ciclo do trabalho de estúdio, fechar o disco. Para além do trabalho incrível que fizeram comigo, mais uma vez, as pessoas com as quais te cruzas ficam para sempre.

Como IVY, ainda és a Rita dos Grandfather´s House?

Sim, tento ser a Rita em tudo o que faço. É claro que há muitas diferenças entre os dois projetos, principalmente a nível sonoro. Acho que IVY surgiu do momento de metamorfose e de evolução que ultrapassava no momento, por isso, fez sentido marcar esse momento.

O futuro de IVY reserva-nos alguma surpresa? 

O futuro de IVY passa por continuar a criar, reinventar, trabalhar. Como em tudo que faço. Gosto de me pôr à prova e é isso que tento fazer, em IVY tenho todo o espaço para isso. Fiquem atentos a novidades e trabalhos futuro.

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