Revista Rua

2019-01-25T15:01:42+00:00 Bússola, Viagens

Rui Daniel Silva de mochila às costas

A mais recente viagem de Rui Daniel levou-o ao Bangladesh e ao flagelo da escravatura infantil.
Andreia Filipa Ferreira
Andreia Filipa Ferreira24 Janeiro, 2019
Rui Daniel Silva de mochila às costas
A mais recente viagem de Rui Daniel levou-o ao Bangladesh e ao flagelo da escravatura infantil.

Rui Daniel Silva é um apaixonado pelo mundo. Tem 41 anos, é formado em música, mais precisamente em piano, e a sua melodia favorita é a natureza. Na sua memória guarda as viagens pelos 143 países que já visitou. Sim, 143. Na sua mais recente viagem, de 14 meses, partiu à boleia desde Nelas, concelho de Viseu, até ao continente africano. O objetivo era solidário: angariar fundos para as crianças da Fundação Maria Cristina, no Bangladesh, fundação essa que luta por tirar as crianças da escravatura, proporcionando-lhes um futuro melhor. As peripécias da aventura – e os pedidos de donativos – podem ser encontradas na página de Facebook intitulada Backpacking with Rui Daniel.

“Saí de Portugal à boleia, rumo ao continente africano. Atravessei a Costa Ocidental até à Cidade do Cabo e subi pela Costa Índica até chegar à Cidade do Cairo. Gostei essencialmente de alguns povos e da sua amabilidade, como na Guiné-Bissau, Níger, Ruanda e Burundi”, destaca Rui Daniel, recordando as aprendizagens que tirou das diferentes culturas com que se foi cruzando. “Aprendi imenso com as diferentes culturas, principalmente enquanto dormia com tribos, como no Burkina Faso”, afirma.

“A viagem que mais me marcou foi num cargueiro desde a Nigéria aos Camarões”

Guardando com carinho as peripécias entusiasmantes da viagem, como as viagens de táxi, sempre atribuladas e repletas de gente, e as milhentas fotografias captadas com a população, que constantemente o interpelavam a questionar a sua naturalidade, Rui Daniel também não consegue esquecer os momentos menos bons da viagem. “O pior momento da viagem foi quando apanhei malária e estive internado quase dois meses. Também fui assaltado pelo proprietário de uma pousada no Burkina Faso. Fui ainda agredido na Libéria por dois fulanos que se fizeram passar pelos serviços de emigração e, no Congo, fui empurrado por várias vezes na rua, sentindo que não era bem-vindo. Na Somália fui detido durante umas horas por uns militares embriagados. Mas, sem dúvida, que o que mais me marcou pela negativa foi o trabalho infantil, em que muitas crianças são obrigadas a trabalhar em vez de irem para a escola”, descreve. “Aprendi que devemos dar mais valor ao que temos. Temos tudo e, na realidade, estamos sempre a queixarmo-nos que não temos nada. Muitos destes povos não têm literalmente nada e vivem felizes, dando valor ao pouco que têm”, acrescenta o viajante.

Tencionando agora atravessar a Rota da Seda após o inverno, Rui Daniel vai escrevendo sobre as aventuras já vividas pelos países do mundo. Em breve, será editado um livro. Enquanto isso, visite a página Backpacking with Rui Daniel e veja por si mesmo algumas das vivências do Rui Daniel neste planeta que, acreditamos, já conhece como as suas próprias mãos.

Partilhar Artigo: