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Sanjo, a herança de um legado contado pelos passos dos portugueses

A Sanjo apresenta-se sob uma atitude mais moderna, reinventando os modelos icónicos através de uma perspetiva que pretende trazer de volta a qualidade do design português que sempre caracterizou a marca nacional.
Redação
Redação19 Maio, 2020
Sanjo, a herança de um legado contado pelos passos dos portugueses
A Sanjo apresenta-se sob uma atitude mais moderna, reinventando os modelos icónicos através de uma perspetiva que pretende trazer de volta a qualidade do design português que sempre caracterizou a marca nacional.

Caracterizando-se como a primeira marca portuguesa de sapatilhas, todo o processo de produção da Sanjo é assegurado em Portugal, destacando um forte cuidado pela qualidade dos materiais, permitindo criar produtos exclusivos. A missão é clara: criar algo que vai mais além do que uma sapatilha e oferecer a oportunidade aos portugueses de fazerem parte do legado da Sanjo. Em setembro de 2019, a Sanjo regressou com uma nova atitude, no intuito de trabalhar a perfeita dualidade do antigo e do novo, trazer de volta os modelos clássicos e preservar o legado que a Sanjo criou há mais de oito décadas.

O início da história da Sanjo leva-nos a 1933, até São João da Madeira, numa altura em que a Companhia Industrial de Chapelaria criara a primeira marca portuguesa de sapatilhas, mas só quase dez anos depois é que a fábrica da Sanjo é construída, tornando-se autónoma na produção de calçado. Numa altura em que as leis do Estado Novo impediam a importação, o folclore e a arte popular eram a base de qualquer tentativa de propaganda, celebrando a singularidade da expressão artística e cultural em Portugal – que se estendia à identidade visual e ao design de calçado. Em honra à cidade que a viu nascer, a marca recebe o nome de Sanjo e inicia um processo de fabrico exclusivamente nacional, sendo que no final da década de 50 os modelos já eram um fenómeno nos pés de muitos portugueses. Estávamos numa época considerada de glória para a marca, que terá moldado a identidade e o design nacional.

No entanto, já nos finais dos anos 80, os efeitos da competição de novos mercados eram visíveis e, ainda que a marca tentasse adaptar os seus designs e modelos, não conseguia competir com a crescente disputa de marcas desportivas internacionais. É nesta altura que a marca tenta fugir à centralidade do desporto na sua atividade, mas acaba por não conseguir sobreviver, fechando as portas da Companhia Industrial de Chapelaria em 1996, juntamente com a própria Sanjo e a infeliz perda do icónico molde de sapatilhas que tanto caracterizava a marca. No ano seguinte, a marca é comprada e dá início a um novo ciclo de produção. Foram analisados os conceitos iniciais da marca e colecionados os sapatos antigos e as imagens, com o intuito de conseguir o material necessário para voltar a reproduzir o molde tradicional da Sanjo.

Já em 2010, a marca regressa ao mercado com dois dos modelos mais icónicos: o K100 e o K200. Estes dois modelos assumem-se como um fator de intemporalidade. Com ou sem cano alto, os modelos originais já existem há mais de 80 anos e, desde a sua primeira versão, têm sido reinventados continuamente, preservando as características iniciais e originais da época, como é o caso da gáspea em lona e logótipo cosido na lateral da sapatilha. Com o intuito de torná-los ainda mais especiais, a marca revolucionou estes dois modelos com a introdução de detalhes mais modernos, assim como materiais de melhor qualidade: etiqueta têxtil na língua, forro interior, palmilha almofadada, ilhós revestidos e material da sola em TPR – que revela excelentes características quanto à durabilidade, resistência à abrasão e leveza. Ainda que a produção tenha sido movida para a China, o conceito mantinha um revivalismo português, sendo que a marca conseguia, aos poucos, voltar a estimular os portugueses.

Em 2019, a Sanjo é adquirida por um grupo empresarial de Braga, pelas mãos de uma equipa jovem e dinâmica, cujo foco se centrava em trazer a marca de volta a “casa”, dando início ao processo de produção novamente nacional. A marca perdeu a tradicional sola vulcanizada, introduzindo uma sola colada, revelando uma maior consciência ambiental, mas preservando a típica borracha e lona – características intimamente associadas à Sanjo.

Atualmente, todo o processo de produção ocorre em Portugal, sob condições que se ajustam a uma nova geração de consumidores, mais conscientes e atentos às valências que muitas vezes ultrapassam os valores estéticos. Desta forma, a marca tem procurado readaptar os seus métodos de produção e práticas. A utilização de novos recursos é colocada de parte nas produções da Sanjo até 2021, visto que a indústria já terá produzido inúmeros materiais que podem perfeitamente ser reciclados, sem sobrecarregar a terra e reduzindo a pegada ecológica. Através de novas soluções, a Sanjo consegue assegurar a utilização de material exclusivamente reciclado, produzindo solas com TPR e TPU reciclado – certificadas pela PETA. Para a produção destas solas são ainda reaproveitados os desperdícios provenientes da injeção. O processo de fabrico é continuamente otimizado, evitando a utilização de produtos químicos e com propriedades tóxicas, preservando a natureza e a saúde, tanto de quem produz as sapatilhas como de quem as irá calçar. Com isto, o sector produtivo conseguiu diminuir drasticamente os consumos de água e de energia.

A Sanjo regressou com vontade de crescer, aumentar o seu legado e chegar a cada vez mais mercados, permitindo continuar a escrever a sua história pelas passadas dos portugueses.

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