Revista Rua

2021-06-16T19:04:35+01:00 Cultura, Música, Personalidades

Sara Correia: “Eu vivo e respiro Fado todos os dias da minha vida”

A fadista Sara Correia está em entrevista na RUA.
Redação25 Maio, 2021
Sara Correia: “Eu vivo e respiro Fado todos os dias da minha vida”
A fadista Sara Correia está em entrevista na RUA.

Sara Correia, conhecida no meio como o Furacão do Fado, é uma jovem entusiasta que respira música na sua maneira mais pura. “Eu amo o Fado, eu vivo e respiro Fado todos os dias da minha vida”, diz-nos Sara. Numa entrevista que antecipa o seu concerto no Theatro Circo, no próximo dia 28 de maio, pelas 19h, a RUA conversou com a fadista sobre o seu percurso e os seus anseios futuros.

Nasceu no seio de uma família que já ouvia (e cantava) muito Fado. Isto fez com que tivesse uma maior admiração desde nova? O que é que despertou o interesse para, aos nove anos, bater às portas de uma casa de fados?

Venho de uma família onde sempre se ouviu Fado, muito Fado. A minha tia Joana Correia foi a minha grande referência familiar, foi quem me deu as asas para voar. Foi com ela que senti que podia fazer o mesmo!

Eu amo o Fado, eu vivo e respiro Fado todos os dias da minha vida. Se há alguma coisa na minha vida que me é natural é o Fado. Nem consigo precisar desde quando foi assim. Será desde que me conheço, desde sempre.

Depois, em 2007, quando ganhei a Grande Noite do Fado foi quando percebi que podia ser fadista, o que mais desejava ser.

O que é que mais aprendeu ao cantar nas casas de Fado por onde passou e que importância teve (e tem) essa experiência para traçar um caminho de sucesso na música?

Foi aí que aprendi tudo. Com as pessoas com quem cresci no meio Fado, com os fadistas mais antigos, a quem chamamos Mestres. São eles que nos transmitem tudo, que nos ensinam o significado de cada palavra que cantamos, o ser genuíno e verdadeiro.

As casas de Fado são as igrejas dos fadistas, onde vamos buscar tudo o que precisamos para o caminho dos palcos.

Sendo o Fado tradicional uma paixão, há vontade de explorar outras vertentes?

Não posso dizer que não! Tenho muita vontade de explorar o que o destino tiver para mim. Eu sou uma apaixonada por música, por muitos géneros musicais. Aliás, isso cada vez é menos assim. A música cada vez menos se segmenta, cruza-se. E, sempre que houver convites em que acredite, que façam sentido para mim, para a minha voz e para a minha carreira, não vou pensar duas vezes!

O que é o Fado tradicional para a Sara? Há um distanciamento perante o Fado contemporâneo? Estará este último a perder valor ou o Fado renova-se sempre?

O Fado é e será sempre Fado. Nada irá mudar. Mudam-se é os tempos… O Fado tradicional é o mais puro que existe da música portuguesa.

Quando se é fadista não há forma de nos distanciarmos daquilo que nos está no sangue. E, por isso, podemos cantar tudo, que sabe sempre a Fado. Quer se introduzam instrumentos que antes não estariam ligados ao Fado ou se incluam autores que nunca antes tinham escrito um Fado.

O Fado nasce de muitos cruzamentos culturais e é, por isso, muito inclusivo.

“Estou muito feliz por ir, pela primeira vez, ao Theatro Circo. Ansiosa para vos cantar cada palavra, cada emoção.”

Em 2018 estreia-se num álbum de originais, um disco homónimo que demorou algum tempo a chegar ao resultado final. Quem a inspirou para a concretização deste disco e quais foram os maiores desafios com os quais se deparou?

Eu conheço o meu produtor, o Diogo Clemente, há uma vida. Quase há tanto tempo como conheço o Fado e me tornei fadista. Ele viu todo o meu percurso desde pequena. Por isso, quando resolvemos gravar o disco, decidimos, naturalmente, que deveria cantar o meu caminho até então. Foi registar a Sara Correia, mostrá-la ao mundo como eu sou.

De Sara Correia passamos para Do Coração, um disco que veio intensificar uma admiração do público em geral. O que é que procurou explorar com este segundo lançamento? Em que aspetos difere do primeiro?

O disco Do Coração é já um disco feito de experiências, que surge a partir das viagens que fiz, dos sítios onde toquei, das pessoas que me ouviram, enfim… tudo o que vivi nestes últimos anos. Espelha também uma vontade de cantar outros géneros musicais e outros autores. Não deixando de ser Fado, é um álbum onde ponho muito amor e muita verdade. Mais diverso na sonoridade, mas sempre com Fado.

O nome da Sara vem quase sempre associado à imagem de uma possível nova geração do Fado ou como “um dos valores mais vitais do Fado atual”. De que forma se revê e se reconhece nestas palavras?

Fico muito feliz! É muito gratificante saber que o que fazemos chega às pessoas e que, de alguma forma, vou cravando o meu nome no Fado. Sinto-me muito orgulhosa com essas palavras.

Apesar de atuar em grandes palcos (como acontecerá brevemente no Theatro Circo), a Sara continua a cantar nas tradicionais casas de fados. Considera que são experiências diferentes? Em que sentido continua a ser importante para a Sara manter esta dualidade de “palcos”?

A casa de fados é onde vou buscar toda a energia. É muito mais intimista, uma experiência única, para quem canta e para quem assiste. Precisamos da nossa “igreja” para depois irmos aos palcos, onde também acontece magia, com todas as suas luzes, onde contamos mais histórias e as emoções se elevam. São experiências diferentes, mas igualmente gratificantes.

A Sara refere-se a Amália Rodrigues como “Dona Amália”. Por uma questão de respeito e reconhecimento? Em que aspetos Amália a inspira ou ensina acerca do Fado? Considera que continua a ser uma inspiração para esta “nova geração” do Fado?

A Dona Amália é a minha maior referência, cresci a ouvi-la cantar! Sempre com muito respeito, como quem ouve um mestre, a maior palavra do Fado. Será sempre uma grande inspiração, se não a maior.

Não só de mulheres se fazem as suas maiores inspirações, verdade? Pode apresentar-nos alguns dos artistas que mais venera?

Tenho muitas inspirações, desde o rei do Fado Fernando Maurício a Fernando Farinha, Carlos do Carmo, Carlos Zel. Fora do Fado também tenho algumas grandes inspirações como Amy Winehouse, Concha Buika, Frank Sinatra, Sam The Kid. Eu amo música e gosto de ouvir muitos artistas diferentes.

Poderia ficar aqui o dia todo a enumerar todos os nomes!

Como está a viver este regresso aos palcos e o que é que preparou para o concerto do dia 28, no Theatro Circo?

Estou muito feliz com o regresso. É uma urgência muito grande voltar, para mim e para toda a minha equipa. E para toda a gente em geral!

Estou muito feliz por ir, pela primeira vez, ao Theatro Circo. Ansiosa para vos cantar cada palavra, cada emoção.

Que planos/projetos podemos esperar para os próximos tempos?

Vou fazer algumas viagens este ano, levar o nosso Fado a outros países. Tenho alguns projetos a serem desenvolvidos com outros artistas.

Mas o mais importante é poder chegar a todos com a minha mensagem e o meu amor ao Fado.

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