Revista Rua

2018-05-03T17:13:09+01:00 Cultura, Música

Sérgio Godinho brindou à liberdade em Ponte de Lima

No passado 25 de Abril, dia da Liberdade, o músico português subiu ao palco do Teatro Diogo Bernardes.
Marta Alves3 Maio, 2018
Sérgio Godinho brindou à liberdade em Ponte de Lima
No passado 25 de Abril, dia da Liberdade, o músico português subiu ao palco do Teatro Diogo Bernardes.

O Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, não quis ficar indiferente à data de comemoração da Revolução dos Cravos e agendou um concerto ao som do célebre português Sérgio Godinho. Com sala esgotada, o mais recente disco Nação Valente foi o grande protagonista da noite. O concerto durou perto de duas horas, onde houve tempo de dizer bem alto “viva ao 25 de Abril!”.

Naquele que é um dia histórico para Portugal, momento em que o cravo vermelho é vendido aos molhos, Sérgio Godinho veio até terras minhotas para cantar músicas do novo álbum intercaladas com músicas mais antigas. Aproveitou também para deixar algumas mensagens de inspiração e de sentimentos por determinados momentos da vida.

Depois de sete anos sem publicar discos originais, Nação Valente é o título do seu 18º álbum de estúdio e o qual fala de um país pós-troika. A música interventiva, tal como Godinho já habituou o público, faz parte deste novo projeto e que muito se denota pelas seguintes palavras: “não quero ver-te numa gaiola, de mão estendida, a pedir esmola. Endividada na contra-mão dessa autoestrada (…) há que ir em frente. Há de haver outra solução para esta tão valente nação”.

Foram várias os temas que foram sonorizados entre luzes avermelhadas e tons azuis e um palco com candeeiros acesos e letras espalhadas que pareciam dizer “LIBERDADE”.

“Baralho de cartas”, “Nação Valente”, “Mariana Pais, 21 anos” e “Tipo Contrafacção” são três exemplos de faixas que apresentaram Godinho não só como um cantor de música popular portuguesa, mas um poeta que faz questão de declamar alguns versos.

Fortemente divulgado e já apresentado nas grandes cidades, Lisboa e Porto, o Nação Valente tem produção de Nuno Rafael, um dos seus habituais companheiros. Além dele, a composição de certos temas é partilhada com alguns dos nomes que Sérgio Godinho mais estima como David Fonseca, Filipe Raposo, Hélder Gonçalves, Pedro da Silva Martins ou, então, do seu camarada José Mário Branco. No entanto, também houve espaço para a cantora Márcia que escreveu e compôs a canção “Delicado”, a única do disco que não é da autoria de Godinho.

Em entrevista à Blitz, Sérgio Godinho disse que as reações ao novo trabalho foram muito entusiasmantes, assumindo estar de acordo com aqueles que apelidam este álbum como um “hino”.

Durante o concerto houve também ocasião para cantar um tema que Godinho afirmou que já não cantava há imenso tempo, mas que faria todo o sentido fazê-lo por ser o dia que era. “Vampiros”, canção de Zeca Afonso, foi, então, escutada pelos espetadores. O refrão ganhou intensidade por estar ao gosto da crítica: “Eles comem tudo eles comem tudo/ Eles comem tudo e não deixam nada”.

Na reta final do espetáculo, o público ouviu a tão conhecida “Com Um Brilhozinho Nos Olhos”, um tema que foi cantado por todos (ou quase todos) que ali estavam com um forte destaque das duas frases conhecidas: “Hoje soube-me a pouco/ hoje soube-me a tanto”.

O músico terminou com palavras de agradecimento e com um sorriso dos lábios: “É especial estarmos de volta a Ponte de Lima. Um prazer estar aqui convosco. Um até já!”.

Partilhar Artigo: