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Sérgio Praia: “[Vestir a pele de Variações] é uma responsabilidade!”

O ator português foi o protagonista do filme "Variações", de João Maia, que foi um êxito de bilheteiras nas salas de cinema portuguesas.
Fotografia ©Revista RUA
Andreia Filipa Ferreira9 Novembro, 2019
Sérgio Praia: “[Vestir a pele de Variações] é uma responsabilidade!”
O ator português foi o protagonista do filme "Variações", de João Maia, que foi um êxito de bilheteiras nas salas de cinema portuguesas.

A noite de ontem foi marcada pela estreia da banda tributo a António Variações no Norte do país, com Sérgio Praia, o protagonista do filme de João Maia que foi um sucesso nas salas de cinema portuguesas, a vestir a pele do artista português que revolucionou a música portuguesa nos anos 80. A convite do Ymotion – Festival de Cinema Jovem de Famalicão, o ator Sérgio Praia e a banda animaram a noite no Centro de Estudos Camilianos, em Seide, dando mote ao encerramento da quinta edição do festival. Depois de despir as roupas de Variações, Sérgio Praia conversou um pouco connosco sobre a responsabilidade de dar vida ao autor de “O corpo é que paga”, “Anjo da Guarda” ou “Canção do Engate”.

Como tem sido a experiência de viver, na sua própria pele, o génio de António Variações?

Tem sido bom, é uma celebração! Acho que foi esta a ideia inicial do filme Variações, de João Maia. Quando estávamos a filmar, achámos que a energia em concerto era tão bonita e tão especial com a figuração que fazia todo o sentido vir celebrar com as pessoas, porque o António simboliza exatamente isso: as pessoas. Principalmente, era essa a vontade que o João [Maia]: levar Variações a todo o lado. Então, decidimos fazer este formato de concerto.

Fotografia ©Revista RUA

Tem sido exigente para si, em termos de personagem?

É uma responsabilidade, acima de tudo. O António tem um timbre muito específico, mas eu acho que as pessoas percebem, quando veem o espetáculo, que a nossa energia principal é uma energia de celebração. É uma tentativa de fazer uma coisa bonita para ele. Portanto, acho que isso é o mais importante! Houve uma altura em que eu pensei muito se deveria fazer isto ou não. Sentia que estava a enganar as pessoas… Mas depois percebi que não, que de facto Variações tem de ser celebrado e, depois do sucesso do filme, acho que fazia todo o sentido vir celebrar com as pessoas. Tirei todos os macacos do sótão e seguimos em frente! (risos)

O filme… que foi um verdadeiro sucesso!

(risos) Pois foi!

“Houve uma altura em que eu pensei muito se deveria fazer isto ou não. Sentia que estava a enganar as pessoas… Mas depois percebi que não, que de facto Variações tem de ser celebrado…”

Enquanto ator, é muito bom para si ver o sucesso de um filme português?

É muito bom, sim! Principalmente para o cinema português em si. A realidade é que, antes deste filme Variações, já tinham sido feitos filmes maravilhosos! Penso é que as pessoas estão ainda muito viciadas nos filmes americanos ou nos europeus – e estão muito ligadas também às séries – e esqueceram-se que nós também temos grandes realizadores, grandes atores, grandes artistas! Não é com este filme que a mentalidade vai completamente abrir, mas acho que todos nós estamos a caminhar para esse sentido.

É um pedido para descobrirmos o que, de facto, nós somos capazes de fazer na área do cinema?

É! Com todo o cinema! Não é só com este ou com aquele filme. Precisamos todos de remar para que o cinema português seja grande! No fundo, nós somos os homens dos Descobrimentos… por isso, há muita coisa boa cá dentro!

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