Revista Rua

2021-05-12T11:54:50+01:00 Cultura, Outras Artes, Radar

Serralves expõe obra de João Vieira no palácio da bolsa

A exposição é apresentada no Palácio da Bolsa entre 12 de maio e 12 de setembro.
João Vieira, Caixa branca ©Filipe Braga
Redação12 Maio, 2021
Serralves expõe obra de João Vieira no palácio da bolsa
A exposição é apresentada no Palácio da Bolsa entre 12 de maio e 12 de setembro.

Da Coleção de Serralves no Palácio da Bolsa: João Vieira é uma exposição realizada a partir de obras da Coleção de Serralves, a ser apresentada no Palácio da Bolsa entre 12 de maio e 12 de setembro, no âmbito de mais uma iniciativa da parceria entre a Fundação de Serralves e a Associação Comercial do Porto, sua fundadora. Iniciada em 2016, esta iniciativa tem permitido a experiência de exibir obras da Coleção de Serralves nos interiores do histórico Palácio da Bolsa. É a sexta apresentação neste âmbito, depois da obra Gate [Portão], de Monika Sosnowska, em 2016, da exposição de escultura “A Coleção no Palácio da Bolsa: Ângelo de Sousa, João Machado e Zulmiro de Carvalho”, em 2017, “Atoms Outside Eggs” [Átomos fora de ovos], de Katharina Grosse em 2018, Angela Bulloch com “heavy metal stack of sixs” em 2019 e, no ano passado, Ana Vieira com uma obra Sem título, datada de 1968.

João Vieira (Vidago, 1934 ― Lisboa, 2009), artista incontornável no panorama artístico nacional desde o final dos anos 1950, afirmou-se não só no campo da pintura, mas também como um dos precursores da performance e da instalação em Portugal. O seu trabalho é marcado pela exploração plástica da letra como símbolo pictórico, transformando o texto em imagem. Se na sua pintura investe na gestualidade e expressão da forma caligráfica, nas suas instalações, “happenings” e objetos utiliza as letras do alfabeto como elementos performativos capazes de questionar os códigos da linguagem de forma radical e subversiva.

Nesta mostra no Palácio da Bolsa são apresentadas duas obras icónicas do início dos anos 1970 que expandem a investigação do artista em torno de signos linguísticos para lá do campo da pintura. Caixa Branca (1971) propõe criar, a partir do acaso e com a participação do público, uma nova linguagem. A obra contém um sistema rudimentar de lâmpadas e interruptores através do qual as letras do alfabeto podem ser acesas ou apagadas, ao sabor da invenção lúdica de novas palavras e sintaxes.

A obra “A” grande (1970) constitui o único vestígio conservado e restaurado por Vieira da sua primeira performance, intitulada O espírito da letra. Nesta “ação-espetáculo” apresentou uma série de letras de grande formato que foram posteriormente destruídas pelo artista e por um conjunto de crianças. Ao romperem com os limites da pintura bidimensional, as letras de Vieira ganharam corpo e estabelecem uma confrontação física com os espectadores e com os agentes da destruição performativa, deixando subentendida uma crítica à linguagem enquanto suporte do discurso.

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