Revista Rua

2021-05-03T11:35:07+01:00 Cultura, Música

Sete Fontes, o novo disco de Homem em Catarse disponível hoje em todas as plataformas

Composto ao piano, o LP oferece uma reflexão sobre o território de forma delicada e emotiva.
Homem em Catarse ©Maria João Salgado
Redação3 Maio, 2021
Sete Fontes, o novo disco de Homem em Catarse disponível hoje em todas as plataformas
Composto ao piano, o LP oferece uma reflexão sobre o território de forma delicada e emotiva.

Com edição em formato cd e k7 via Regulator Records, Sete Fontes, o último trabalho de Homem em Catarse, já pode ser ouvido nas plataformas digitais. Sete Fontes foi produzido no âmbito do programa de apoio à criação artística Trabalho da Casa promovido pelo gnration.

A catarse precisa do seu trauma – há que primeiro preencher o corpo de fuligem para que a água a possa lavar, há que primeiro cansar os pés para, sentados, apreciar a paisagem. No teatro, na literatura ou na música, entendemos melhor a tragédia se a seguir encontrarmos redenção. Jó não seria Jó sem as suas provações. Numa época em que aprendemos a soletrar palavras como “confinamento” ou “quarentena”, temos dado pouco espaço à catarse, no sentido libertário que esta acarreta. Parece que o tempo parou, que vivemos presos numa pausa interminável. Mais que a um novo normal, tudo soa a miséria antiga.

Mas há obras que procuram irromper miserabilismo afora para dar aos seus espectadores o conforto que a tragédia requer. No caso de Afonso Dorido, o conforto tem vindo sob a forma de viagem, sentimento (e não apenas palavra) que percorre praticamente todos os seus discos. “Sete Fontes” não é disso excepção, apresentando-se como uma espécie de roteiro para uma Braga idolátrica que, apesar do distanciamento ou das máscaras, manterá sempre as suas portas abertas.

Misturando field recordings a um piano cujas melodias se inserem na mesma linha emotiva que vai desde as sonatas de Beethoven à “Blame Game” do Kanye West, Afonso, o Homem em eterna Catarse, oferece-nos não pausa mas continuação – a pausa de uma pausa. Destas fontes sai o recobro, sai a mestria de uma solidão boa, não imposta, a que se guarda na gaveta mal se puxa de um telefonema, de uma mensagem electrónica, de um encontro. Destas fontes sai a vida e devemos dar graças por, apesar da tragédia, ainda estarmos vivos. Isso é catarse.

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