Revista Rua

2021-01-06T18:06:45+00:00 Cultura, Teatro

Só eu escapei, o relato profético ou mesmo apocalíptico de Caryl Churchill em cena no Teatro Aberto a partir de 7 de janeiro

O Teatro Aberto, em Lisboa, entra em 2021 com um texto de 2016 quase profético.
Só eu Escapei ©Filipe Figueiredo
Cláudia Paiva Silva6 Janeiro, 2021
Só eu escapei, o relato profético ou mesmo apocalíptico de Caryl Churchill em cena no Teatro Aberto a partir de 7 de janeiro
O Teatro Aberto, em Lisboa, entra em 2021 com um texto de 2016 quase profético.

Mantendo os objetivos de levar a cena textos que nos façam pensar no que se vai passando na atualidade, o Teatro Aberto, em Lisboa, entra em 2021 com um texto de 2016 quase profético. Uma avalanche de pensamentos e acontecimentos do Futuro que enchem a mente de quatro mulheres que se encontram para conversar. Sentadas em bancos de jardim, companheiras de vida, falam sobre a família, o quotidiano, as conversas aparentemente banais ou normais, simples, e tão cheias dos pequenos detalhes que enchem o dia a dia. Até que subitamente os medos e anseios do futuro surgem como clarões de clarividência. Como se sobrevive no mundo em vias de rutura com a natureza, ou entre o Homem e a natureza. Como alguém irá viver se houver algum cataclismo mundial? Ou alterações climáticas extremas, ou mesmo pandemias? Caryl Churchill, a autora desta peça, certamente não saberia o que o futuro reservava num curto espaço de quatro anos apenas. Mas a verdade é que entre 2016 e 2020 o mundo mudou radicalmente, seja pelo ativismo cívico em prol dos Direitos Humanos seja a favor da preservação do ambiente, seja pela volta inimaginável que a vida continua a levar após a declaração de pandemia pela Organização Mundial de Saúde na aurora do último ano.

Só eu Escapei ©Filipe Figueiredo

Caryl sempre escreveu peças ou livros que obrigassem a questionar, da mesma forma que acabou por se dedicar a uma escrita que mencione personagens femininas e que sejam elas a colocar essas mesmas perguntas. Em Só eu Escapei, as quatro personagens, as quatro intérpretes acabam por não estar apenas a ler um texto escrito para teatro, mas sim, a fazerem elas próprias as questões que fazem agora todo o sentido: o que será preciso fazer HOJE para que haja um amanhã? Será que ainda iremos a tempo de salvar a nossa própria Humanidade? Um texto que tenta não perder a fé no Homem, ao mesmo tempo que se apresenta com um realismo autêntico, completamente atual.

Com encenação de João Lourenço e dramaturgia de Vera San Payo de Lemos, conta com as fabulosas presenças de Márcia Breia, Maria Emília Correia, Lídia Franco e Catarina Avelar.

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